A revista do Sesc nos ofereceu na edição de janeiro uma entrevista com o professor filósofo Peter Pál Pelbart, que sintetiza a vida contemporânea, enredada em suas conexões, seus processos de produtividade e os seus limites pré-determinados.
Este empório compartilha abaixo essa importante reflexão.
Peter Pál Pelbart
Crédito: Leila Fugii
Filósofo e professor fala sobre conexão, produtividade, modos de existência e mecanismos de controle na sociedade contemporânea Nascido na Hungria, Peter Pál Pelbart é filósofo, tradutor e professor titular de Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Entre outros livros, é autor de Da Clausura do Fora ao Fora da clausura: Loucura e Desrazão (Brasiliense, 1989), sobre a relação entre filosofia e loucura, e Vida Capital (Iluminuras, 2003), sobre a relação entre política e subjetividade. Sua obra mais recente é O Avesso do Niilismo – Cartografias do Esgotamento (n-1 edições, 2013), no qual mapeia as zonas de esgotamento no mundo contemporâneo e propõe uma política orientada pelo desejo. Nesta entrevista, Peter Pál fala sobre estes e outros temas ligados à vida contemporânea: “Sou a favor de que haja interrupções nesse trem louco que vem vindo há muitas décadas numa velocidade crescente e nos obriga a mobilizar toda a nossa energia com finalidades cada dia mais desconhecidas e inúteis. Enquanto não se frear esse trem, não será possível inventar finalidades outras que não a produção pela produção, o lucro pelo lucro e essa espécie de racionalidade capitalista que nos enlouquece literalmente”.
O vídeo acima, em forma circular, aponta para um fragmento de um tema mais complexo, tratado por Albert Camus sobretudo no seu livro "Mito de Sísifo": o trabalho repetitivo sem sentido, aplicado à Sísifo como pena por este ter enganado os Deuses.
Sartre, bem antes do seu rompimento com Camus, resenhou O Mito de Sísifo de Camus: "O absurdo (...) não está nem no homem nem no mundo, se os tomamos à parte, mas como a característica essencial do homem é 'estar no mundo', o absurdo acaba por coincidir com a condição humana. Também o absurdo não é o objeto imediato de uma simples noção; é revelado por uma iluminação desolada. 'Levantar, bonde, quatro horas de escritório ou fábrica, refeição, quatro horas de trabalho, refeição, sono, bonde, e segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado no mesmo ritmo...', e depois, de repente, 'os cenários desabam', e chegamos a uma lucidez sem esperança".
Esta parte da resenha crítica de Sartre, se refere a um trecho do início do livro de Camus e, em coincidência, é o tema do vídeo.
Este ensaio de Sartre foi publicado no Brasil pela Cosac Naify com o nome "Explicação de O estrangeiro".
Em tempo: Camus recusava enfaticamente ser confundido com a filosofia "existencialista".