http://www.youtube.com/watch?v=YtqjW2uhBT4
domingo, 28 de dezembro de 2008
billie holiday, lady sings the blues
http://www.youtube.com/watch?v=YtqjW2uhBT4
domingo, 30 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
pantanal
sábado, 27 de setembro de 2008
brasil
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
terça-feira, 9 de setembro de 2008
pedaços de tempo (2)
domingo, 7 de setembro de 2008
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
as águas do mundo
Aí está ele, o mar, o mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar. Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões. Ela olha o mar, é o que se pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra. São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porquê ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar. Seu corpo se consola com sua própria exigüidade em relação a vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exigüidade que a torna livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não têm o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de , não se conhecendo, no entanto prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem. Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorrera sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta, mesmo sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda- e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido. O caminho lento aumenta as coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo- espantada de pé, fertilizada. Agora o frio se transformou em frígido. Avançando, ela sobre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheia de água, bebe em goles grandes, bons. E era isso o que estava lhe faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe com o sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto. Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação. Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas- ah, nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas- mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. Às vezes o mar lhe impõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera. E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água , e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano. sábado, 19 de abril de 2008
portela
Existem coisas difíceis de explicar. Por que sou Portela, por exemplo? Talvez, entre tantas coisas, por esta música:
http://www.paixaoeromance.com/70decada/foi_um_rio/h_foi_um_rio.htm Mas talvez seja por ela
http://www.youtube.com/watch?v=8CLeUlZXvfE&feature=relatedAcho que, de fato, não há explicação..
viola enluarada
O ano era 1967. Anos bicudos aqueles! Estávamos a um ano do AI5 e o cenário musical brasileiro fervia. Os irmãos Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle (na foto nos anos 60) fizeram esta pequena obra prima:
http://www.paixaoeromance.com/60decada/viola/hviola.htm
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
schopenhauer?
helena schopenhauer borges
ausência
minha vida no campo
sábado, 29 de dezembro de 2007
Ficha Técnica
Xiquexique (Tom Zé e Zé Miguel Wisnik) Vozes: Arnaldo Antunes, Nà Ozzetti, Luanda, Nilza Maria, Tom Ze, Zé Miguel Wisnik, Paulo Tatit Sanfonas.: Toninho FerraguttiViolão e Baixolão: Gilberto Assis Bandolim: Jarbas MarizGuitarra: Marco Prado Percussão: Marcos SuzanoFontes (bochexaxado, bexiguinha no dente): Tom Zé, Neto.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Outros equívocos...
O Instante, que Borges não só escreveria, como escreveu
Equívocos literários (3)
Equívocos literários (2)
sábado, 8 de dezembro de 2007
Equívocos literários (1)
Nem sempre se sabe a origem, e por vezes, nem mesmo a razão, mas inúmeros equívocos literários foram espalhados mundo afora, e muitos deles alcançam quase uma condição de verdade irretorquível. Um deles é um poema que se chamaria “A caminho com Maiakovski” e que seria de autoria de Bertolt Brecht. Também já disseram ser de Maiakovsk. O poema seria assim: domingo, 25 de novembro de 2007
Jogo de Cena
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
sertão
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
sobre a leveza
sobre a leveza (continuação)
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
reabrindo o empório
sinal em T2, com tênue realce pós-contrastes, comprometendo parte da (minha) medular óssea da porção antero-medial do tálus e da porção póstero-lateral do calcâneo, assim como do maéolo tibila medial, podendo corresponder a fratura incompleta do microtrabeculado ósseo. Não poderia deixar de mencionar, e por que não, agradecer, as más definições das(minhas) fibras dos ligamentos fíbulo talar e subtalar e – não poderia esquecer – do ligamento tíbio talar anterior pouco espessado, o qual apresenta alteração do sinal habitual e pelo seu sugestivo espessamento cicatricial. Não fosse este meu tornozelo – no popular – “bichado” -que me obrigou a um repouso com o pé imobilizado-, e o amigo Marcel não teria, em visita cordial, criado este blog, obra que eu jamais saberia como fazê-la. Hoje o pé já pisa firme no chão, mas o blog, reconheço, tropeça pelos caminhos. No início imaginei que postaria algumas fotos e os meus poemas e ponto. Mas foi tomando outra forma e o que é mais marcante: sem nenhuma regularidade. Nem com relação à peridiocidade; nem com relação aos temas; nem com relação a nada. Tenho lá os meus quase dez leitores – caso consideremos que aquilo que posto neste empório, sejam matérias de leituras –, e, potencialmente, tenho mais de 200 milhões de leitores espalhados pelo mundo (“minha pátria é minha língua”!), fruto do poderio colonizador dos nossos bravios e desbravadores irmãos portugueses. Vamos à luta, então!
Esqueçamos, ora pois, a minha medular calcânea óssea, e também os meus potenciais leitores de além mar, para que eu possa dizer apenas e tão somente, que estou tentando reabrir este empório empoeirado e que gostaria de deixá-lo aberto, com todos os seus penduricalhos, à mercê dos olhares dos que passam na rua, das moscas dos dias e dos vaga-lumes das noites e, principalmente, dos meus quase dez fregueses para que eu possa receber as suas generosas caixinhas.., digo, contribuições. Escrevamos pois!terça-feira, 2 de outubro de 2007
Resenha crítica: Dois Irmãos, de Milton Hatoum
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
domingo, 2 de setembro de 2007
1° de setembro de 1910: poesia e futebol
PS 1: Há muita literatura boa com o tema futebol. Vou lembrar três: “Cuentos de Fútbol Argentino”, seleção de contos organizados por Roberto Fontanarrosa” e editado pela Alfaguara (sem tradução, ainda, para o português) que apresenta 18 contos, entre eles, Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares. “Futebol, ao Sol e à Sombra”, de Eduardo Galeano, editora LPM. E “A Dança dos Deuses, Futebol, Sociedade e Cultura”, do historiador medievalista Hilário Franco Júnior, editado recentemente pela Cia. das Letras. Deste livro tiro duas frases: “Torcer supõe alterar a configuração de um evento, moldar psiquicamente um fato para adequá-lo ao espaço do desejo”. E, “No futebol, o vencedor comemora e o perdedor justifica. Como na vida. Entretanto, o futebol apresenta um fator positivo do ponto de vista psicológico: cada partida, cada temporada, oferece a esperança de um novo recomeço. Reescrever periodicamente o script da vida só é possível no futebol”.
PS 2: Dois momentos históricos (e de poesia popular): http://www.youtube.com/watch?v=sGVILAjGs-o&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=NqNqYgnK7Lc&mode=related&search=
sábado, 25 de agosto de 2007
Milton Santos
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Santiago
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Astor Piazzola
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Medos Privados em Lugares Públicos
sábado, 11 de agosto de 2007
Sorriso
O sorriso, palavra de derivação do latin, subrisu é apresentado, no Houaiss, como expressão facial em que os lábios se distendem para os lados e os cantos da boca se elevam ligeiramente, e que expressa alegria, amabilidade, contentamento, aprovação. Muitas vezes - por razões que fazem parte da evolução(!) humana - não conseguimos distender os lábios para os lados da boca para que se elevem, nem mesmo, por vezes, ligeiramente. Há que se fazer exercícios nas musculaturas da face de forma que a nossa evolução não atrofie os nossos lábios a ponto de não mais conseguirem se distenderem para os lados da boca para que se elevem:
Vejam alguns desses exercícios:



- A internet nos possibilita descobrir coisas inusitadas. Inicialmente peço desculpas pela minha ignorância geográfica aos “sorridentes”, que imagino serem aqueles quem nascem em Sorriso, cidade do interior do Mato Grosso. No sítio da cidade, que pode se ver em www.sorriso.mt.gov.br/ -, pelo menos o prefeito e o vice-prefeito, distendendo os lábios para os lados da boca de forma que se elevem, demonstram estarem aptos para exercerem o poder local.
- A poesia também sorriu muitas vezes. Manuel Bandeira nos deixou:
Um Sorriso
Vinha caindo a tarde. /Era um poente de agosto. /A sombra já enoitava as moutas. A umidade/Aveludava o musgo. E tanta suavidade/Havia, de fazer chorar nesse sol-posto. /A viração do oceano acariciava o rosto/Como incorpóreas mãos. Fosse ágoa ou saudade, /Tu olhavas, sem ver, os vales e a cidade. /- Foi então que senti sorrir o meu desgosto... /Ao fundo o mar batia a crista dos escolhos... /Depois o céu... e mar e céus azuis: dir-se-ia /Prolongarem a cor ingênua de teus olhos... /A paisagem ficou espiritualizada. /Tinha adquirido uma alma. E uma nova poesia / Desceu do céu, subiu do mar, cantou na estrada...
Drummond, em um trecho de “América”, diz ,
“Sou apenas um homem/ Um homem pequenino à beira de um rio/ Vejo as águas que passam e não as compreendo/ ...Sou apenas o sorriso na face de um homem calado”
Já a Rita, levou o meu (na verdade o do Chico) sorriso, no sorriso dela meu (do Chico) assunto. Mas, nos cotidianos, sempre temos “um sorriso pontual”. Mas o Chico foi além e em Baioque, digamos, foi ao chão:
Quando eu canto, que se cuide quem não for meu irmão/O meu canto, punhalada, não conhece o perdão/Quando eu rio/Quando eu rio, rio seco como é seco o sertão/Meu sorriso é uma fenda escavada no chão
Ferreira Gular pego em pleno ato, capturou um sorriso:
Quando/com minhas mãos de labareda/te acendo e em rosa/ embaixo/ te espetalas/quando/ com minha acesa antorcha e cego/penetro a noite de tua flor que exala/urina /e mel /que busco eu com toda essa assassina/fúria de macho? que busco eu/ em fogo/ aqui embaixo? / senão colher com a repentina/ mão do delírio/ uma outra flor: a do sorriso/ que no alto o teu rosto ilumina?
Na internet, pincei ainda uma pitada de auto-ajuda sem contra-indicações:
Um sorriso não custa nada e rende muito.Enriquece quem o recebe e não empobrece quem o dá. Dura somente um instante, mas sua recordação é quase eterna. Ninguém é tão rico que o possa dispensar.Ninguém é tão pobre que não o possa dar. Cria felicidade no lar; é sustento no trabalho; sinal visível de uma amizade profunda. Um sorriso representa repouso no cansaço; coragem no desânimo; consolo na tristeza; e alívio na angústia. É um bem que não se pode comprar, nem emprestar, nem roubar, porque só tem valor no instante em que se dá. Se encontrar, por acaso, alguém que recusa um esperado sorriso, seja generoso em dar o seu, pois ninguém tanto necessita dele como aquele que não sabe dá-lo aos demais.
Já sabemos que o sorriso tem função terapêutica, mas pesquisadores portugueses fizeram uma recente descoberta. Reproduzo um trecho da matéria:
Os sorrisos, sobretudo os femininos, exercem efeito terapêutico em pessoas depressivas, indica um estudo científico inédito realizado por um investigador português.
O trabalho, da autoria do director do Laboratório de Expressão Facial d a Emoção da Universidade Fernando Pessoa, do Porto, Freitas-Magalhães, foi reali zado de 2003 a 2006, tendo por base 160 pessoas diagnosticadas com depressão (80 homens e 80 mulheres) com idades entre 25 e 60 anos. Segundo as conclusões, a apresentar em Janeiro de 2007 na reunião anual da Sociedade para a Personalidade e a Psicologia Social (SPSP) em Memphis, Tenn essee (EUA), o sorriso "largo" (quando os lábios deixam ver os dentes) e o "supe rior" (que mostra apenas os dentes de cima) são os de maior efeito terapêutico. No estudo foram mostradas aos participantes oito fotografias com quatro tipos de sorriso de homem e outros tantos de mulher que, além daqueles dois, in cluíam os "fechado" e "da face neutra", de efeitos foram considerados residuais. "O efeito dos tipos de sorriso largo e superior é mais intenso e freque nte nas mulheres do que nos homens, independentemente do género de quem os exibe ", sendo que os das mulheres exercem mais efeito do que os dos homens, refere o estudo.(...)
Portanto, mulheres, para o bem da humanidade, exercitem os lábios de forma que se distendam para os lados e os cantos da boca se elevem, expressando, amabilidade, contentamento, aprovação. Embaixo, então, a minha contribuição, com o sorriso mais lindo que eu conheci:






