terça-feira, 21 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

há 100 anos lá no bom retiro...

“O Corinthians é o time do povo e é o povo quem vai fazer o time.”


Miguel Bataglia, primeiro presidente do Corinthians.




(Hoje é 1° de setembro. Há exatos 100 anos surgia um clube de futebol que seria a representação do povo, como profeticamente previa Miguel Bataglia, alfaiate e principal financiador do sonho de nove operários reunidos numa esquina do bairro do Bom Retiro.
Assim, resolvi trazer de volta um texto que postei há 3 anos. Naquele, eu acrescentava sugestões de leituras, como do escritor uruguaio Eduardo Galeano ou do historiador medievalista Hilário Franco Júnior. Mas hoje é o centenário do Corinthians e nesta postagem só se fala do Corinthians. Na próxima postagem, talvez, volte a sugerir livros da literatura esportiva. Mas acrescentarei novos links de vídeos que trazem imagens que falam por si.)





Era uma noite de lua nova na provinciana São Paulo do começo do século 20. Mais precisamente em 1° de setembro de 1910 por volta das 20h30. Sob à luz de um lampião à gás na esquina da Rua dos Italianos com a Rua dos Imigrantes (atual José Paulino), no bairro do Bom Retiro, um grupo de cansados trabalhadores esperavam o bonde. Joaquim Ambrósio, Antonio Pereira e César Nunes, eram pintores de parede. Rafael Perrone, diziam, era um sapateiro dos bons. Anselmo Correia exercia um profissão um tanto exótica: era motorista. Alexandre Magnani ganhava a vida como fundidor. Salvador Lopomo entendia mesmo era de macarrão. Para o João da Silva não tinha tempo ruim. Aceitava qualquer tipo de trabalho braçal. Antonio Nunes era um popular alfaiate.
Eles não eram lá muito letrados. Nenhum deles sabia da existência de um tal Lima Barreto que, mulato e escritor, havia lutado contra a escravidão e anos mais tarde, além de escrever o “Triste fim de Policarpo Quaresma”, fundaria uma Liga contra o Futebol lá no distante Rio de Janeiro por ser este, um esporte da cultura racista da elite branca. Tão pouco vieram a conhecer um outro tal, de nome Graciliano Ramos, que profetizava que esse negócio de futebol não iria pegar. Mas, sobretudo, o que eles não sabiam, pra valer, é que eles estavam ali - cansados, em uma noite de lua nova -, fundando o primeiro time de futebol que seria a representação de tanta gente, porque estava nascendo ali o time do povo.
O futebol começava, naquele Brasil pré-industrial, a sair da esfera aristocrata-cafeeira e ganhar as ruas dos meninos de pés no chão. E o Corinthians, fundado por trabalhadores, sob à luz de um lampião, incorporaria esses meninos, inicialmente nos campos das várzeas paulistanas e depois, além delas, nas arquibancadas, palcos que os transformariam em agentes de uma nova identidade assimiladas pelos seus filhos, netos, bisnetos... Estava nascendo não um time, mas uma torcida. Uma torcida que tinha (e tem) um time de futebol.

Sugestão de vídeos:

maracanã corinthiano por osmar santos
http://www.youtube.com/watch?v=Jm7b6P1f6ck&feature=related

maracanã corinthiano pelo canal 100
http://www.youtube.com/watch?v=FqfcNqa-TGc&feature=related

redenção, de novo, por osmar santos
http://www.youtube.com/watch?v=WDk7GNcGP_g&feature=related

aos devotos de são jorge
http://www.youtube.com/watch?v=aJmc-LxAa4w&feature=related

você sabe?
http://www.youtube.com/watch?v=8P0SUlZ2q8I&feature=related

tabu? que tabu?
http://www.youtube.com/watch?v=5ST6CGHcNzg

terça-feira, 24 de agosto de 2010

carta testamento


Há exatos 56 anos, em 24 de agosto de 1954, o presidente Getúlio Vargas apontou uma garrucha para o próprio coração e puxou o gatilho. Encerrava-se com aquele ato, não apenas a vida do presidente da república, mas uma crise fomentada pelas forças conservadoras que, muito provavelmente, desencadearia em um golpe militar e a derrubada do governo.
Há um consenso que o suicídio de Getúlio Vargas adiou o golpe, que acabaria sendo dado 10 anos depois em 1964. A dramaticidade do ato foi completada pela carta testamento, escrita por Vargas na noite anterior e lida por João Goulart no enterro do presidente. A Carta Testamento é um dos mais importantes documentos do século 20 e talvez o mais impactante.


"Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."

(Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas)

domingo, 8 de agosto de 2010

nina simone - i love(s) you porgy

émile zola

Émile Zola (1840-1902) foi mais que um escritor dito, naturalista. Zola foi aquilo que poderíamos chamar de um observador e militante atento do seu tempo. Em “J’Accuse” (Eu acuso), um artigo em formato de carta endereçada ao presidente da república e publicado no jornal L’Aurore em 13 de janeiro de 1898, colocou abaixo toda a
credibilidade do Judiciário do Conselho de Guerra francês que condenou injustamente o capitão do exército francês de origem judaica Alfred Dreyfus de traição. O artigo inaugurou uma discussão que extrapolaria o território francês e avançaria por muitos anos, naquilo que ficou conhecido como o Caso Dreyfus.
Mas o propósito desta postagem é lembrar de um Émile Zola, quase quatro décadas antes da publicação de J’Accuse, um jovem jornalista e crítico de arte, engajado em defender e fazer entender aos conservadores, que uma nova leva de artistas e um movimento novo estava surgindo no cenário das artes plásticas. Ingres e Delacroix estavam mortos. Pissarro, Cézanne, Manet, Degas entre outros, estavam rompendo as barreiras do academicismo naquilo que mais tarde ficou conhecido como Impressionismo. Para lembrar desse Zola mordaz e irônico, retiro do livro “A Batalha do Impressionismo”, edição da Paz e Terra, a carta

Ao Sr. F. Magnard, Redator do Figaro
Meu caro colega,
Peço-lhe a gentileza de fazer inserir estas poucas linhas de retificação.
Trata-se de um de meus amigos de infância, de um jovem pintor cujo talento vigoroso e pessoal estimo de maneira especial.
O senhor recortou, em Europe, um trecho de prosa onde o assunto era um tal sr. Sésame, que teria exposto, em 1863, no Salão dos Recusados(*), “dois pés de porco em cruz”, e que neste ano teria tido recusada uma outra tela intitulada "O grogue de vinho".
Confesso ao senhor que tive uma certa dificuldade para reconhecer, sob a máscara que haviam colado em seu rosto, um de meus camaradas de colégio, o sr. Paul Cézanne, que não tem nenhum pé de porco em sua bagagem artística, pelo menos até este momento. Faço esta restrição, pois não vejo a razão de não se pintarem pés de porco como se pintam melões e cenouras.
Com efeito, o sr. Cézanne teve, juntamente com muitos outros, duas telas recusadas este ano: O grogue de vinho e Embriaguez. O sr. Arnold Mortier resolveu divertir-se com esses quadros e descreveu-os como esforços de imaginação que correspondem bem ao seu espírito. Sei muito bem que tudo isso não passa de uma agradável brincadeira, com a qual não devo me preocupar. Mas o que posso fazer? Nunca pude compreender este singular método de crítica que consiste em zombar de confiança, em condenar e ridicularizar algo que nem mesmo se viu. Faço, pelo menos, questão de dizer que as descrições do sr. Arnold Mortier são inexatas.
Até o senhor, meu caro colega, acrescenta em boa-fé o seu grão de sal: o senhor está “convencido de que o autor pode ter colocado em seus quadros uma idéia filosófica”. Esta é uma convicção deslocada. Se o senhor quiser encontrar artistas filósofos, dirija-se aos alemães, ou até mesmo a nossos belos sonhadores franceses. Mas saiba que os pintores analistas, e a jovem escola que tenho a honra de defender, contentam-se com as vastas realidades da natureza.
Aliás, depende somente do sr. de Nieuwerkerke a decisão de que "O grogue de vinho" e "Embriaguez" sejam exposto. O senhor deve saber que um grande número de pintores acaba de assinar uma petição pedindo o restabelecimento do Salão dos Recusados. Talvez um dia o sr. Arnold Mortier tenha a oportunidade de ver as telas que julgou tão levianamente. Acontecem tantas coisas estranhas...
É verdade que o sr. Paul Cézanne nunca se chamará sr. Sésame, e que, haja o que houver, ele nunca será o autor de “dois pés de porco em cruz”.
Seu colega devotado.
Emile Zola


(*) -Nota minha - O Salão de Artes era uma tradição na França desde o século 17. Em 1863 por ocasião de protestos de muitos artistas e por determinação do Imperador Napoleão III, foi instituído o “Salão dos Recusados” como uma exposição paralela que passaria a receber posteriormente, muitos dos artistas impressionistas. O Salão dos Recusados acabou se tornando assim, importante marco para um novo desenvolvimento pictórico que desembocaria na arte moderna.

(lá em cima, Zola retratado por Manet)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

do blog do saramago

José Saramago
1922-2010
"Mas não subiu para as estrelas,
se à terra pertencia"

Memorial do Convento





José Saramago repousará no Campo das Cebolas, após remodelação no local, em frente à Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, à sombra de uma oliveira centenária que será transplantada da sua aldeia natal, Azinhaga, para Lisboa.
A frase do "Memorial do Convento" estará inscrita em pedra de Pero Pinheiro. Um banco de jardim possibilitará que os seus amigos leiam fragmentos da sua obra ou observem a paisagem que o Escritor teria da sua janela.

José Saramago está em Lisboa, nos seus livros, mas, sobretudo, nos nossos corações.

A Fundação
( http://blog.josesaramago.org/ )

sexta-feira, 18 de junho de 2010

hoje ficamos mais pobres

josé saramago * 1922-2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

maureen bisilliat - fotografias




Um privilégio. Este é o substantivo que cabe a quem adentrar a Galeria de Arte do Sesi, na Av. Paulista, 1313, em São Paulo, até 4 de julho. Está instalado ali, um pedaço do universo de Maureen Bisilliat: suas tecituras, seus encantamentos, seu olhar poético se fundindo com a poética de Cabral, de Rosa; de sertões de Euclides; de bahias de Amado; de terra xingu...Nascida inglesa, Maureen se tornou brasileira por circunstância ou por destino e por aqui, sem que talvez pudesse supor, ou sonhar, captou a essência que a lente não rouba, mas empresta, pelo tempo de um click, a alma de quem por ela se deixou fotografar.



Mais, e com mais propriedade, falaram Rubens Fernando Júnior e Juan Esteves


sexta-feira, 7 de maio de 2010

os eua x john lennon


Gostaria de ter feito esta postagem há mais tempo, logo após ter assistido ao filme “Os EUA x John Lennon”, documentário assinado por David Leaf e John Scheinfield, que permanece em cartaz em São Paulo, agora, apenas, no Frei Caneca Unibanco Artplex.
O nome já dá uma idéia de que se trata de um confronto. De um lado um país vivendo ainda os rescaldos do marcarthismo; em plena Guerra Fria e com a ação direta na sangrenta Guerra do Vietnã. No comando de tudo isso, Richard Nixon. Do outro lado uma geração contestadora, que unia jovens, ativistas políticos, estudantes, artistas que queriam uma nova configuração mundial e, sobretudo, sem guerras. John Lennon estava deste lado, discutindo em entrevistas e debates, produzindo ações e músicas que viraram hinos cantados em manifestações à frente da Casa Branca. Acabou virando alvo do FBI.
O filme nos transporta para o momento da efervescência histórica do final dos anos 60 início dos 70, recuperando cenas da época além de depoimentos de peso como dos ecritores Gore Vidal e Tariq Ali, do linguista Noam Chomsk, do jornalista Carl Berstein ( que, em parceria com Bob Woodwarde, desvendou o caso Watergate que derubaria o presidente Nixon) e o do fundador do Panteras Negras, Bob Seale, com quem Lennon se alia.

Abaixo o link do trailer. (Não achei nenhum com legendas):

http://www.youtube.com/watch?v=N8RvaWblqic

quinta-feira, 6 de maio de 2010

domingo, 2 de maio de 2010

a última vitória da ditadura

Hoje faço um intervalo na poesia, nas artes plásticas, na fotografia, nas músicas.

O Supremo Tribunal Federal me fez lembrar de uma história que sinteticamente relato.

Lá pelo final dos anos 80, conheci na USP uma moça, estudante do curso de história, que não passou a adolescência com os pais. Foi criada por uma tia. Quando criança, presenciou, numa tarde chuvosa, quando brincava no corredor que ligava o seu quarto com a sala, dois homens desconhecidos levarem seu pai e sua mãe. Ela não sabia que seria a última vez que veria o seu pai. A mãe, ela ainda veria mais uma vez, quando a tia a levou em um lugar que parecia ser uma delegacia de polícia. Menina, que carregava sempre com ela um ursinho de pelúcia, pôde perguntar para a mãe o porquê dela estar ali, presa, e não em casa. A mãe, olhando para o ursinho, lhe disse: porque eu queria que todas as crianças pudessem ter brinquedos como você tem.
Esta foi a última lembrança que guardou da sua mãe.

Nunca mais vi essa moça, mas me lembrei muita dela nesta semana em que o STF julgou improcedente os argumentos da OAB de que a Lei de Anistia, promulgada em 1979, não amparava as ações dos agentes da repressão, que torturaram e mataram muitos opositores do regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985.

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Sempre procuro colocar imagens nas minhas postagens. Pesquisei algumas fotos que representam a nossa ditadura na internet: aquela famosa da Guerra da Maria Antonia; a foto montada do Vladimir Herzog; imagens do amigo Frei Giorgio Callegari falecido há seis anos carregando ainda as sequelas das torturas que sofreu. Mas resolvi não colocá-las. Acho que aqui, neste momento, as palavras se bastam, inclusive as palavras do Taiguara, que por coincidência, postei, abaixo, em 18 de abril.

A ditadura acumulou muitas vitórias. O STF lhe forneceu a última.

domingo, 18 de abril de 2010

o esquecido taiguara

domingo, 7 de fevereiro de 2010

pra não dizer que não falei de brunelleschi





No final de 2008, o Masp conseguiu se livrar de Júlio Neves, o arquiteto da Daslu, que por 14 anos presidiu desastradamente o museu que conta com um magnífico acervo, um patrimônio de todos. Mas, infelizmente, tamanha a crise a que foi submetido o museu, parece ter espantado a oxigenação possível e necessária que uma bem estruturada oposição poderia ter fornecido, e o continuísmo tomou corpo com a posse do ex secretário de Júlio Neves, o empresário João de Azevedo, que já demonstrou não ter nenhuma vocação para pensar o Masp como uma instituição que formula e estimula o pensamento.
Hoje, a apreciação do acervo fica comprometida porque a iluminação e os arranjos são inadequados e, sobretudo, por uma ambientação contrária ao espírito do prédio. A museografia proposta por Lina Bo Bardi, originalíssima e única no mundo, com o seus cavaletes que se abriam para o vasto salão iluminado por luz natural, numa integração espacial acolhedora e desmitificadora da obra de arte, trazia o entendimento do espaço que está longe do alcance de qualquer entendimento que esta administração do museu possa ter.
O museu tem um conselho que exigiu, pelo menos, o retorno da figura do curador. A tarefa coube ao professor Teixeira Coelho que tem se desdobrado para montar exposições temáticas a partir das obras do museu. Parece, entretanto, que Coelho não pretende discutir o museu tal qual foi pensado pela Lina.
Bom, acabei me empolgando e abrindo esta postagem falando da política do Masp, mas o que eu queria falar era justamente daquilo que foge às ingerências diretas da cúpula do Masp e que escapa da sua mesmice: a área de Serviço Educativo do Masp, coordenada por Paulo Portella Filho, que proporciona um dos melhores programas culturais da cidade.
Trata-se do Curso Introdutório à História da Arte, aberto a todos, e que toma como base, obras do acervo do museu. As aulas são ministradas pelo excelente professor Renato Brolezzi e acontecem, via de regra, todos os primeiros sábados de cada mês.
Neste último sábado, a aula teve como ponto de partida, a obra “Ressurreição de Cristo” de Rafael.
Em mais ou menos duas horas de aula, Brolezzi sempre propõe uma viagem através de contextualizações históricas, geográficas e de artistas referenciais ao artista que é o objeto da aula. Nessa viagem pelo mundo de Rafael, chegamos a Brunelleschi,
Filippo Brunelleschi, o escultor e arquiteto renascentista nascido e morto em Firenze, que iniciou a representação plana de objetos em três dimensões, tornando-se uma referência da estética renascentista.
A sua obra mais importante foi abordada na aula: a abóboda da Catedral de Florença, a Santa Maria de Fiore. Uma obra ousada para a época, tanto pela concepção como pela execução.
A construção da Catedral foi iniciada em 1294 e apenas em 1418 deu-se o início da construção da abóbada, a partir de um concurso no qual Brunelleschi teve o seu projeto escolhido.
O arquiteto pôs em prática um método original para a sustentação da cúpula com base em intrincados cálculos matemáticos e, para a sua realização, projetou e concebeu todo um maquinário que ainda não existia.
Há muitos textos na internet que traçam o perfil e a importância histórica de Brunelleschi. Pincei, sobretudo, dois: o do professor e doutor pela FAUSP Jorge Marão Carnielo Miguel, http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq040/arq040_02.asp e o do Laboratório de Mecânica Computacional vinculado ao Departamento de Engenharia de Estruturas e Fundações da Escola Politécnica da USP – Poli (http://www.lmc.ep.usp.br/people/hlinde/Estruturas/florenca.htm ) que aponta mais para as questões estruturais da obra e seus detalhes.

Já estão agendadas as próximas seis aulas. São elas:
06/03: “Retrato do Cardeal Cristoforo Madruzzo”, de Ticiano;
10/04: “Auto-retrato com Corrente de Ouro, de Rembrant;
08/05: “Retrato do Conde-Duque de Olivares” de Velázquez;
12/06: “Pepe Illo fazendo reverência ao touro”, de Goya
07/08: “Juno Ordena a Eolo a Destruição da Frota de Enéias", de Delacroix.

Observação final: a aula pode terminar com a visitação da obra mencionada. Ocorre que nem sempre a obra estudada está disponível para a visitação, em função do rodízio das obras ao qual o museu está submetido. A “Ressurreição de Cristo” de Rafael, por exemplo, não estava exposta.

sábado, 2 de janeiro de 2010

josé luís peixoto

Descobri há pouco tempo o jovem escritor português José Luís Peixoto. Abaixo um de seus poemas do livro "A Criança em Ruínas". Aqui, um link de uma de suas entrevistas:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1178757-7823-JOSE+LUIS+PEIXOTO+DIZ+QUE+POESIAS+PARA+ELE+E+UMA+ESPECIE+DE+SUPERPODERES,00.html

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu, depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

aula show

Fisguei, e coloquei nas duas postagens abaixo, dois de oito vídeos de uma das aulas shows de José Miguel Wisnik com as preciosíssimas participações de Arthur Nestroviski e Paula Morelenbaum (e também do Johnny Walker Red Label).
O caminho percorrido é Vinícius de Moraes, mas no vídeo Parte II (4/4) um atalho para Jorge Helder e Chico Buarque.
Vale muito assistir aos outros vídeos acessando
os links que completam a aula show:
Parte I (2/2) http://www.youtube.com/watch?v=ktXbVcSzu30&feature=related
Parte II (1/4) http://www.youtube.com/watch?v=mONtGbKMTUA&NR=1
Parte II (2/4) http://www.youtube.com/watch?v=QQERzPPRFEE&NR=1
Parte II (4/4) http://www.youtube.com/watch?v=r7u0D28RDI0&feature=related
Parte III(1/2) http://www.youtube.com/watch?v=ss35HZ4jTs8&feature=related
Parte III (2 / 2) http://www.youtube.com/watch?v=GUpgv72GFWc

palavra e música - parte II (3/4)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

nara leão - ensaio

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

depois de matisse, outros grandes mestres








Em São Paulo há sempre muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e nem sempre é possível acompanhar tudo. Mas, para os aficionados das artes, há mais duas exposições, além do Matisse - cuja exposição já falei um pouco abaixo -, com aberturas nesta semana que são imperdíveis. No Centro Cultural Banco do Brasil a exposição Vanguarda Russa, com obras de Malevitch, Kandinsky e Chagall, entre muitos outros. No Sesc Pinheiros a exposição do (mítico) fotógrafo Henri Cartier Bresson, mais um evento das comemorações do ano da França no Brasil.



1. Acima à esquerda, foto de Henri Cartier Bresson
2. Acima à direita obra de Kandinsky
3. À esquerda, obra de Chagall
4. À direita, obra de Maliévitch








terça-feira, 1 de setembro de 2009

saramago


Que pena! O Saramago está se despedindo do seu blog, “O Caderno de Saramago” cujo link há tempos coloco aí ao lado e no qual ele expressava quase que diariamente, desde o dia 15 de setembro de 2008, artigos com suas opiniões e reflexões pessoais. Abaixo, a sua despedida:
Despedida
Agosto 31, 2009 por José Saramago
Diz o refrão que não há bem que sempre dure nem mal que ature, o que vem assentar como uma luva no trabalho de escrita que acaba aqui e em quem o fez. Algo de bom se encontrará neste textos, e por eles, sem vaidade, me felicito, algo de mal terei feito noutros e por esse defeito me desculpo, mas só por não tê-los feito melhor, que diferentes, com perdão, não poderiam eles ser. Às despedidas sempre conveio que fossem breves. Não é isto uma ária de ópera para lhe meter agora um interminável adio, adio. Adeus, portanto. Até outro dia? Sinceramente, não creio. Comecei outro livro e quero dedicar-lhe todo o meu tempo. Já se verá porquê, se tudo correr bem. Entretanto, terão aí o “Caim”.
P. S – Pensando melhor, não há que ser tão radical. Se alguma vez sentir necessidade de comentar ou opinar sobre algo, virei bater à porta do Caderno, que é o lugar onde mais a gosto poderei expressar-me.

sábado, 22 de agosto de 2009

mutações: a experiência do pensamento

Já se vão mais de 20 anos, e o incansável professor Adauto Novaes continua atento aos dilemas que cercam a humanidade. “Os sentidos da paixão”, “O olhar”, “O desejo”, “Ética”, “Tempo e História”, “Rede imaginária – televisão e democracia”, “Artepensamento”, “A crise da razão”, “Libertinos/libertários”, “A descoberta do homem e do mundo”, “O silêncio dos intelectuais”, foram alguns dos temas abordados ao longo desse percurso, discutidos sempre por pensadores das mais diversas áreas: filósofos, sociólogos, artistas, cientistas, psicanalistas. A maioria dos ciclos foram publicados em livros.

Nesta semana teve início o ciclo de conferências “Mutações: a experiência do pensamento”, que reunirá 21 intelectuais em torno de um tema: “o que é pensar hoje?”.
Neste ano, além de Rio e São Paulo, o ciclo será levado também para Belo Horizonte e, em versão reduzida, para Brasília. “A experiência do pensamento” é o quarto ciclo dentro da série “Mutações”.
Em 2008 as conferências refletiam sobre as formas como a tecnociência transforma o corpo e a condição humana. Este ano os debates tratam do lugar do pensamento e dos próprios intelectuais num mundo em constante mutação. Novaes nos diz:— O momento que o Ocidente vive hoje não é uma crise, é uma mutação, provocada pela revolução científica e tecnológica. E essa revolução é diferente das anteriores, porque afeta o próprio homem. As conferências vão refletir sobre os impasses colocados nesse momento. E completa: A ciência e a técnica estão de um lado e o pensamento, de outro. A ciência não pensa, calcula; a filosofia pensa. No mundo contemporâneo, a técnica avança, mas o pensamento vai a reboque. Quando tudo pode ser calculado, o pensamento se torna superficial e há uma predominância do fato sobre o pensamento. O intelectual engajado desapareceu. A esfera pública mudou; a universidade, a imprensa e o poder mudaram. O intelectual não tem mais a palavra, não tem interlocutores. Assim, ele tende a desaparecer e ser substituído pelo técnico, que pode falar especificamente sobre um tema. Mas perde-se aquele que pode fazer a síntese.
Na conferência de abertura, quarta-feira em São Paulo, no auditório do SESC Av. Paulista, o professor de literatura e músico José Miguel Wisnik discorreu sobre o “pensar em pessoa”, trazendo o universo de Fernando Pessoa e seus heterônimos pensantes. “Sentir é compreender. Pensar é errar (“errar”, explica Wisnik, no sentido de errância, de fluxo). Compreender o que outra pessoa pensa é discordar dela. Compreender o que outra pessoa sente é ser ela.”¹
Nada poderia ser melhor para iniciar o ciclo. Um público absolutamente fisgado pelo Zé Miguel navegando no mar português de Fernando Pessoa.

¹De “Reflexões paradoxais, Obra em prosa, Nova Aguilar, 1982, p.37.

matisse na pinacoteca








A partir de 5 de setembro, a Pinacoteca de São Paulo será colorida por 80 obras do mestre (e rival de Picasso) Henri Matisse.
A mostra trará ainda, pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e papéis recortados dos artistas Cécile Bart, Christophe Cuzin, Frédérique Lucien, Pierre Mabille e Phillipe Richard, cinco representantes da arte contemporânea francesa. Imperdível!




sábado, 27 de junho de 2009

vermeer

Neste quadro, "A Leiteira", Johannes Vermeer - o mestre holandês que viveu no século 17 - nos apresenta uma cena do cotidiano. Cenas do cotidiano feminino eram basicamente o seu tema, sempre permeados por composições de luzes e sombras que nos remetem a uma atmosfera muito peculiar. Há quem o aponte como um pintor realista. Não vejo nada de real. Em Vermeer só vejo poesia.

domingo, 10 de maio de 2009

são vito

a rede



homem na escada

sábado, 9 de maio de 2009

fresta


uma fresta na porta é nossa quando do vento que há, um instante nos cerca

quando um matiz de luz leva os olhos pra além do pensamento

quando uma fisgada atravessa os insetos zumbindo

e o negro que nos cobre una a carne e a memória.

domingo, 28 de dezembro de 2008

billie holiday, lady sings the blues

Fui fazer uma edição e não sei o que fiz, e o filminho direto do Youtube sumiu desta e das postagens anteriores. Assim, coloco apenas os links. (É duro não entender desse troço!):
http://www.youtube.com/watch?v=YtqjW2uhBT4

domingo, 9 de novembro de 2008

pantanal



Eu e Cláudia fizemos um retiro de uma semana no Pantanal. Do nosso safári, alguns registros:


Um macaco prego e uma sequência de jacarés abaixo


Um socó secando as asas


Tuiuiu, o símbolo do Pantanal, é uma ave de grande porte, mede aproximadamente três metros de uma ponta da asa a outra e pode chegar até 1 metro e 60 de altura
Ó ele aí de novo

Uma garça maguari, a maior garça brasileira


Uma garça maguari alçando vôo

Um gavião preto ao cair da tarde

sábado, 27 de setembro de 2008

brasil

Mapa do Brasil

foto: gê césar de paula


São Conrado, área nobre do Rio de Janeiro.
Ao fundo a Rocinha.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

pedaços de tempo (3)



um pão

no fundo

do armário

alimenta

o

tempo

faminto


terça-feira, 9 de setembro de 2008

pedaços de tempo (2)


molas pra lá
parafusos pra cá
engrenagens confusas

no meio o menino
que jogou o relógio
no chão

ele queria conhecer
o tempo

domingo, 7 de setembro de 2008

pedaços de tempo (1)




a bicicleta
parada

na aragem
descansa

no meio
do
tempo








foto:gê césar de paul 
 

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

as águas do mundo

Aí está ele, o mar, o mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar. Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões. Ela olha o mar, é o que se pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra. São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porquê ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar. Seu corpo se consola com sua própria exigüidade em relação a vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exigüidade que a torna livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não têm o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de , não se conhecendo, no entanto prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem. Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorrera sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta, mesmo sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda- e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido. O caminho lento aumenta as coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo- espantada de pé, fertilizada. Agora o frio se transformou em frígido. Avançando, ela sobre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheia de água, bebe em goles grandes, bons. E era isso o que estava lhe faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe com o sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto. Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação. Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas- ah, nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas- mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. Às vezes o mar lhe impõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera. E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água , e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.
Clarice Lispector. In: Felicidade Clandestina

sábado, 19 de abril de 2008

portela


Existem coisas difíceis de explicar. Por que sou Portela, por exemplo? Talvez, entre tantas coisas, por esta música: http://www.paixaoeromance.com/70decada/foi_um_rio/h_foi_um_rio.htm Mas talvez seja por ela

http://www.youtube.com/watch?v=8CLeUlZXvfE&feature=related

Acho que, de fato, não há explicação..

viola enluarada



O ano era 1967. Anos bicudos aqueles! Estávamos a um ano do AI5 e o cenário musical brasileiro fervia. Os irmãos Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle (na foto nos anos 60) fizeram esta pequena obra prima:

http://www.paixaoeromance.com/60decada/viola/hviola.htm