quinta-feira, 28 de abril de 2011

o cotidiano desmonte da tv cultura

Para Medaglia, TV Cultura barateia custos com prejuízo à qualidade dos programas

'É triste. Estão desmontando a Cultura'





Júlio Medaglia, de 73 anos, foi surpreendido nesta terça-feira. Após 25 anos na TV Cultura, teve o contrato rescindido. O maestro apresentava o Prelúdio (programa de calouros de música erudita), e mantinha na Rádio Cultura o programa diário Temas e Variações, às 11 horas.
O último programa foi ao ar na própria terça, sobre o compositor Bernard Hermann. Ex-aluno de Pierre Boulez, Stockhausen e John Barbirolli, Medaglia foi fundador da Amazônia Filarmônica e dirigiu a Orquestra da Rádio de Baden-Baden e a Rádio Roquete Pinto.
O que lhe disseram ao demiti-lo?
Quem me chamou foi o João Sayad (presidente da TV Cultura). Disse muito obrigado, que fui importante, mas que ia colocar jovens para fazer o programa de rádio e a cobertura dos projetos de ópera e ia comprar um enlatado americano para a TV. Curioso porque, quando assumi, ele me chamou e ficamos quase duas horas conversando. Ele me perguntava coisas e tomava notas em um caderninho. Mas, ao me demitir, não demorou nem um minuto e meio. Tinha 24 anos de programa e fui demitido em um minuto e meio. Ele resolveu seguir as opiniões de outras pessoas. Sei quem é a pessoa que conduz esse desmonte, mas não vou dizer porque não tenho como provar.
O sr. era caro para a emissora?No começo, eu era funcionário. Fui demitido em 2005 e transformado em PJ (Pessoa Jurídica). A direção achou que eu não podia ser personalidade física e jurídica ao mesmo tempo. Passei a ganhar R$ 4 mil, mas sem direitos trabalhistas, sem plano de saúde. No fim, estava pagando para trabalhar. Mas continuei porque achei que valia a pena. Tivemos até 2 mil jovens no programa Prelúdio. Prestamos alguns serviços, e revelamos uma geração inteira de novos músicos. O programa trazia um público jovem para a casa, o Instituto Goethe dava uma bolsa na Alemanha para o vencedor, o Consulado Italiano dava outra para a Itália. E não custava nada para a emissora. A orquestra era paga por um convênio. Recebíamos toneladas de cartas. Estão desmontando a Rádio Cultura inteira, a TV Cultura também. É uma coisa triste. Estão sendo dirigidos por pessoas que não sabem dirigir, com uma programação sucateada, programas infantis que vão sendo repetidos.
Qual era o tamanho da sua equipe?Eu tinha um produtor, mas foi demitido há alguns meses. Era apenas o locutor. Depois que demitiram a Marta Fonterrada (produtora e radialista), eu mesmo estava pesquisando e produzindo tudo. Marta era uma pessoa muito bem preparada, uma profissional de grande gabarito. Desde então, eu definia algum tema, como por exemplo "Compositores que ficaram cegos", e aí reunia a obra de Bach, Haendel, e assim por diante, e montava o programa. Foi assim nos últimos seis anos, cada dia uma ideia diferente.(...)



fonte: jornal O Estado de São Paulo

quinta-feira, 14 de abril de 2011

os "van gogh" do masp





"Em meu trabalho, arrisco minha vida e nele metade da minha razão sucumbiu". V.Gogh em carta ao irmão Theo, após pintar "Passeio ao crepúsculo", a segunda imagem de cima para baixo.

domingo, 10 de abril de 2011

domingo, 3 de abril de 2011

um corte na paisagem urbana

(retomando a publicação de artigos publicados na extinta revista Revés do Avesso apresento nesta postagem este artigo publicado no longínquo julho de 1997)


"Uma baleia". "Uma montanha, um mar e o sol se pondo". "Uma paisagem, não sei bem!". "Não estou entendendo". Estas frases foram impressões de algumas pessoas que passando pelas ruas, se defrontaram com um out-door diferente. Nele nada era anunciado, nada era vendido. Não havia marca ou nome de produto. O out-door em questão fez parte de um projeto único proposto por Leila Reinert, artista plástica catarinense radicada em São Paulo e realizado pela Publicidade KJimes.
Colocado em alguns pontos estratégicos de São Paulo, entre 15 e 31 de julho, a obra fotográfica de Reinert é um fragmento ampliado de uma outra obra da artista que também foi exposta, só que entre paredes do MAM (Museu de Arte Moderna) também em julho.
O objeto em questão é o corpo, mais propriamente pernas em uma banheira. Mas qual a importância de uma definição precisa de imagem? Há um corpo e ao mesmo tempo não há. Uma paisagem se apresenta mas não se identifica.
O out-door é a mídia do impacto imediato, a dos transeuntes apressados. Os textos, quando os há, são curtos e objetivos. As mensagens visuais são de rápida assimilação. Pretendem-se sedutores. Quando usam as formas do corpo humano, apresentam corpos esculpidos pelas academias de ginástica. Vendem a imagem que está na superfície. Não há interesse para o que está sob a pele. O que é obscuro não é a mensagem e portanto não vende. E é nesse espaço que a obra de Reinert apresenta o íntimo que deixa de ser privado. E, à medida que essa transposição se dá, o caráter de voyeur se dilui; quebra o valor psicológico da intimidade revelada, exposta e ampliada para o domínio público. O estranho enquanto linguagem.
Alguns são os elementos envolvidos. O corpo que se banha invade a cena. Toma lugar. Ocupa o espaço urbano. Se a intimidade enquanto rito toma como símbolo o sagrado, nesse caso ela se dessacraliza tomando parte do que é público. Numa medida ampliada, é o endo que se transfigura em exo. O corpo se aproxima da lente (ou vice-versa) numa quase colisão; a "subjetividade da lente", levando a junções: as pernas, a água, o ralo, a banheira, que formam outros seres ou uma paisagem. Exposto, transforma-se em intersubjetividades. Múltiplas e individuais sensações. Não há literalidades, mas metaforizações.

Reinert tem uma sensibilidade de difícil acesso: são portas semi-abertas; arestas que iluminam parcialmente. O caminho não é traçado. Há nessa artista, as descobertas por centímetros percorridos, e a (imprescindível) inquietação da obra já realizada. Seus objetos têm o caráter perturbador, que quase invariavelmente se contrapõem com o espaço ao qual está sendo exposto o trabalho.
Se a passagem da areia na ampulheta se amplia e derrama o tempo com mais velocidade; se o final do século nos coloca questões novas, confundindo a ordem dos acontecimentos; se já não há espaços para vanguardas artísticas, há ainda a possibilidade real (e é preciso trabalhar por isso) de pensarmos além das tecnologias.
Obras que mexem ou alteram a rotina, mesmo que minimamente, acabam tendo o caráter do corte (ou arranhão!) e da imprevisibilidade, importante para "cutucar" os processos que se querem definidos por serem pré-determinados.

Ocupar um espaço que é destinado para o chamamento ao consumo, com um trabalho gerado por uma concepção puramente estética, tem um valor particularmente importante nesse momento, em uma metrópole como São Paulo. Falar com o corpo se transvalora numa condição de "matéria humana". O pensador e teatrólogo Antonin Artaud (1896-1948)"montou" um corpo sem órgãos, integral: o estômago ligado ao sistema nervoso; o fígado filtrando o pensamento. No out-door de Reinert, o corpo, mesmo com outro caráter, tem uma unidade que se estabelece na união cênica, na composição de uma possível paisagem que se forma. Um olhar único entre a frieza de carros, prédios e fumaças.








REVÉS DO AVESSO JULHO -1997

sábado, 2 de abril de 2011

morro da capela de são francisco em tiradentes e seu poema de todo final das tardes de sábado




(sugestão: clique no link abaixo para acompanhar esta postagem com música) http://dc111.4shared.com/img/89521375/b85ba5b4/dlink__2Fdownload_2FtgAcQsBP_3Ftsid_3D20110402-213650-ea557dc9/preview.mp3 Morro da Capela de São Francisco da cidade de Tiradentes ao por do sol com a música de Mozart, de Chopin... ecoando. Pessoas chegando e outras já sentadas na grama: em silêncio e encantadas. Como criador do cenário, um maestro sem a batuta, que alinhava e envolve a todos com esses elementos. Ele é o sr. Mário, Mário Del Soldato, um pediatra aposentado de 84 anos que, junto com a sua mulher, Dona Kika, compartilham com todos que ali chegam, o amor pela música clássica em todos os sábados por aquele horário em que a tarde começa a cair. Eu por ali cheguei e o fotografei, envolto pela poesia.


fotos de gê césar de paula

Para ver
Tiradentes Musical 1 e 2:
http://www.youtube.com/watch?v=M4D6qZ_KT3k
http://www.youtube.com/watch?gl=UG&feature=related&hl=en-GB&v=rgg7LFs-R4I

Abaixo o link de uma reportagem:
http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL753175-16020,00-CASO+DE+AMOR+UNE+HISTORIA+E+MUSICA+CLASSICA+EM+MINAS+GERAIS.html

quarta-feira, 30 de março de 2011

serra da canastra, onde nasce o velho chico

no alto do parque

a fabulosa casca d'anta




cachoeira da chinela
na janela do chalé
um veado campeiro nos observa
um tamanduá na relva
a silhueta de um gavião
um carcará

um gavião pomba e sua presa


tinha uma cascavel no caminho







fotos de gê césar de paula

sexta-feira, 18 de março de 2011

debate: focault e chomsky

O vídeo abaixo apresenta um interessante documento histórico com um debate ocorrido em 1971 na Holanda entre dois influentes intelectuais da época, o filósofo Michel Foucault, falecido em1984 e o linguísta Noam Chomsky hoje com 83 anos.
A discussão pode parecer em princípio datada, mas algumas das questões levantadas, ou permanecem ou foram substituídas por verdades pré-moldadas e necessidades fabricadas, sobre as quais um outro filósofo, Herbert Marcuse, se debruçou naquela efervescente virada dos anos 60 para os 70.
O debate começa pela questão da sociedade tecnológica e caminha para noções de poder e conceitos de natureza humana e justiça. O vídeo mostra apenas um trecho do debate mas, ainda assim, vale pela curiosidade.


o belas artes fecha as portas







Ontem à noite fui ao Belas Artes, não para assistir algum filme mas apenas para me despedir. Pena não ter levado minha câmera. A cena lembrava a de um velório, em que pessoas formam pequenos grupos, murmuram coisas, se recostam em cantos, se apoiam em paredes. De repente alguém se exalta, dizendo da importância cultural do espaço, como aqueles que, em velórios, exaltam as qualidades morais do defunto.
Por aquelas salas escuras, visitei a Veneza de Visconti, a Berlim de Fassbinder, a Roma de Fellini e também de Rosselinni, a Estocolmo de Bergman, a Tókio de Kurosawa, a Paris de Truffaut, o espaço sideral de Tarkovsky e também de Kubrick, o imaginário psicológico de Antonioni...
Não sei, é bem verdade, se todas estas visitas e sensações se deram no Belas Artes, ou em outro cinema enterrado de São Paulo: a memória nos prega peças por vezes. Mas fica a memória afetiva, do mesmo jeito que falou o Ugo Giorgetti, em coluna recente na Folha. Giorgetti disse outra coisa ainda, que se assemelha ao que sinto: “Agora, acompanhando o mundo a que pertenceu, o Belas Artes se vai para sempre. Não vou sentir saudades dele. O que sinto, no fundo, é saudades de mim, nele”.
PS: um link:
http://letrasdespidas.wordpress.com/2011/01/09/o-fim-do-cinema-belas-artes/



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

el tango del pasillo (corredor)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

universidade livre de música tom jobim, o desmonte


A sanha privatista do Governo do Estado de São Paulo parece não ter fim. O alvo agora é a área cultural. Depois de um processo lento de descaracterização da TV Cultura, o governo apura o foco agora para o desmonte da Universidade Livre de Música Tom Jobim. Criada em 1989, Tom Jobim foi seu primeiro reitor. A universidade oferece cursos regulares e cursos livres, além de recitais, workshops e masterclasses. Os cursos são gratuítos e visam a formação de músicos profissionais. Sua sede principal fica na Luz, justamente ali, onde os governos municipal e estadual projetam uma revitalização do bairro.
Para não ser repetitivo, aponto o link abaixo com os comentários do Luis Nassif e do Gustavo Cherubine Belic:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-desmonte-da-universidade-livre-de-musica


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

ela fez 457 anos

foto: gê cesar de paula

ele faria 84 anos

wave

domingo, 2 de janeiro de 2011

revés do avesso


Por alguns anos fui colaborador da extinta revista Revés do Avesso dirigida por Frei Giorgio Callegari, falecido em 2003. Escrevi cerca de vinte artigos entre 1995 e 2002. Infelizmente a revista não foi digitalizada e, como tinha uma tiragem relativamente pequena, há uma tendência de se perder no tempo.
Com toda a dificuldade que tenho com a informática, fui apresentado a um programa chamado “Acrobat” e depois de anotar detalhadamente, passo a passo, e botar a mão na massa, consegui digitalizar e depois transformar em documento “word” que permite a postagem no blog. Dessa forma, pretendo recuperar e documentar alguns desses artigos.
Hoje escolhi o artigo “Fragmentos da Arte” publicado no final de 1996. Coincidentemente, escrevi recentemente o texto “sobre arte” (antes de reler “Fragmentos da Arte”) e muito das ideias sobre arte da época permanecem, demonstrando, talvez, que não evoluí muito sobre a matéria. Outra percepção é que eu usava na época o termo “neoliberal”, vivo na época, e que foi caducando nos últimos anos , sendo enterrado e colocado nos livros de história, a partir da crise econômica mundial de 2008.


FRAGMENTOS DA ARTE
César de Paula

Foram-se os tempos das vanguardas. Foram-se também as utopias?
São Paulo recebeu neste final de ano, principalmente no mês de outubro, formas e linguagens artísticas das mais variadas diversidades e dimensões. Festivais de Jazz e de Dança, Mostra Internacional de Cinema, exposições de e para todos os lados e, sobretudo, a Bienal.
Atenho-me no entanto a uma exposição em particular que se encontra na Casa das Rosas, na Av. Paulista em São Paulo, com nomes consagrados das artes plásticas brasileiras. O tema "Utopia", carregado de historicidade, aponta o caminho ao qual os artistas deveriam expressar as suas obras.
Etimologicamente, a palavra "Utopia" foi criada através de um topônimo por Thomas Morus em 1516. Queria representar uma ilha imaginária, local de um sistema social, legal e político perfeito. Já o socialismo utópico teve em Charles Fourier o seu grande ideário. A sua primeira obra, "Le Nouveau Monde Industriel et Societaire" (O Novo Mundo Industrial e Societário) de 1829, defendeu a extinção da sociedade burguesa, substituindo-a por uma sociedade de falanstérios, ou seja, um lugar onde não há propriedade privada mas uma comunidade. Imaginava uma sociedade sem laços familiares, sem uma divisão fixa de trabalho, com o desenvolvimento de atividades lúdicas e com a ausência de qualquer tipo de autoritarismo. Mais tarde defendeu uma utopia levada às últimas conseqüências, com a dissolução total dos laços familiares e, como proposta, o amor livre.
Herbert Marcuse retomou nos anos 60 o pensamento utópico e junto com o movimento dos estudantes colocou novamente em questão as idéias de Fourier, tendo como base a revolução erótica como elemento primordial para uma revolução social.
Voltemos à Casa das Rosas. Os artistas tinham em mãos um tema complexo, de difícil acesso mas de múltiplas possibilidades. Abstraíram-se. Não com o tema, forjado de abstrações, mas com as concepções. "Utopia" acabou como um suporte para projeções individualizadas. O tema poderia ser qualquer outro e essas projeções estariam ali. Aqui encontramos o impasse ao qual se debruça a arte atual.
As vanguardas se tornaram história. São clássicos. Estão expostas, por vezes, a uma descaracterização que as transforma em ausência do sentido. Quais as razões? Em suma, são as questões de mundo, representadas nas artes de um modo geral. A crise do coletivo: a individualização que se sobrepõe à individualidade. As novas linguagens, cada vez mais interativas, mais visuais, num mundo das imagens: a virtualidade. A tecnologia como personificação do indivíduo. O projeto neoliberal como filosofia da diferença, mas a diferença da competição, seleção e exclusão.
A falta de vanguardas, ou mesmo as revisitações a elas, não é um mal em si. Na colcha de retalhos contemporânea, há um campo vasto, aberto numa imensidão, como sendo uma teoria básica de liberdade. Só o conceito "liberdade" - e por conseqüência, "democracia"- demandaria muitas teses, sujeitas às mais diversas manipulações. Mas no processo da execução ao qual se prende o artista, a liberdade está sujeita a um limite. Esse entendimento do artista é que permite a obra. A última pincelada, o último acorde é o limite da liberdade da obra. Portanto há regras para a liberdade. Da mesma forma, só se pode pensar o coletivo a partir da revitalização da individualidade em contraposição à reafirmação do individualismo, uma panacéia neoliberal.
Entre toda vastidão, o acúmulo ilimitado de informações, que coloca pessoas como sujeitos, e não agentes dos acontecimentos. O excesso de informação tem um caráter enganador, de simulacro, em que se passa a idéia do ser inserido no mundo e dele captando todos os acontecimentos, quando na verdade ele atravessa apenas a superfície num instante cada vez mais rápido do tempo. Tem-se um reino das mil possibilidades. Platão ao falar do termo phármacon, o colocou como ambíguo. Aquilo que pode servir para o bem ou para o mal. O que cura ou o que mata. O remédio e o veneno.
O artista, como catalisador das emoções, ou como agente do mundo, está envolto nas brumas deste final de século. Merleau Ponty, há algumas décadas, disse ser o artista e não o filósofo o pensador das imagens. Hoje é o mercado quem impõe a imagem e através dele, a roda da história ganha uma outra dimensão.
Do outro lado da obra, o espectador que na sua suposta inteireza se divide. Muitas vezes - e percorrendo os corredores, escadas, cantos, carregados de marcas da história da Casa das Rosas, e que me serve de apoio - o espectador tem a missão de fruidor da contra-subjetividade e não especificamente da obra. Na verdade, choques de subjetividades: a sua e a do artista.
Se as utopias resistem como possibilidade do sonho dentro de um mundo que projeta verdades absolutas, elas não estiveram presentes no endereço ao qual serviu de exemplo para este artigo.
REVÉS DO AVESSO -NOVEMBRO/DEZEMBRO• 1996

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

é natal



sábado, 18 de dezembro de 2010

minha estação da luz

















quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

algo sobre arte


Documenta de Kassel, Bienal de Veneza, Bienal de São Paulo. Estas são ainda as mais significativas mostras de arte no mundo, num mundo da decadência das mostras de arte.
A 29º Bienal de São Paulo está aí, aberta ao público até 12 de dezembro e muita gente nem sabe que ela está acontecendo. Outros tantos que sabem não se mobilizam a visitá-la.
Lembro da expectativa que a Bienal criava em outros tempos. Tempos em que ter uma postura ou uma consciência crítica trazia o sentido de um mundo que poderia e deveria ser interpretado e, a partir dessa interpretação, poderia ser projetado.
A bienal é apenas mais uma das instituições que foi perdendo o caráter de um espaço de discussão.
A decadência das mostras de arte explica, de certa forma, o contexto histórico em que vivemos. Os espaços para o contraditório são substituídos pelas verdades midiáticas, tão prontas como as novas necessidades fabricadas que encontramos pelas gôndolas dos supermercados. E há ainda o caráter do imediato. Hoje vivemos no mundo das imagens, mas também o do tempo encurtado, aquele que está mais próximo de nós. Tudo que é selecionado pela mídia para compor notícias, ganha e perde importância do dia para noite. Há uma avalanche de assuntos e de informações descartáveis entre os intervalos dos anúncios publicitários. A arte que temos hoje é apenas o resultado do mundo que temos.
O século 20 nos trouxe revoluções políticas, comportamentais, tecnológicas e, junto a todos esses eventos, vieram os manifestos e os movimentos de arte aos quais chamávamos de “vanguardas” que, a partir das variadas formas de representação, impulsionavam as reflexões de um novo tempo, cada vez mais rápido.
Mas parece que já superamos a fase dos movimentos e manifestos de arte. Ultrapassamos as possibilidades que as vanguardas propunham e adotamos um pragmatismo que dispensa a reflexão. O mundo hoje se auto representa.
Os questionamentos que a arte do século 20 propôs, esbarram hoje num individualismo em seu momento de exacerbação. Há ainda o aspecto do avanço muito rápido das tecnologias que criam novas linguagens e inúmeras possibilidades.
Via de regra, as instalações perderam o caráter da intersubjetividade para se fecharem na subjetividade do autor. Nas ocasiões dessas ocorrências, perde-se o diálogo entre o espectador e a obra.

Menos pinturas, mais videoartes

As últimas bienais têm nos apresentado cada vez menos pinturas que são substituídas paulatinamente por instalações, e estas, sendo compostas ou substituídas cada vez mais por videoarte. A imagem em movimento nos computadores, nos celulares, nas pocket tvs, se incorporaram ao nosso cotidiano e é com base nesse elemento que os artistas do nosso tempo têm desenvolvido em maior medida as suas inspirações.
Uma das obras mais impactantes desta bienal, "Pedintes", do artista turco Kutlug Ataman, trabalha com o elemento imagético. Ele apresenta vários monitores em uma sala escura, com imagens de pessoas em situação de rua, olhando para o espectador em câmera lenta como se estivessem pedindo esmola ou compartilhando seus sofrimentos. Para quem se detém a essas imagens a sensação é de incômodo.
Há outras obras que da mesma forma, trabalham com as imagens. O artista belga Davi Claerbout apresenta dois trabalhos: "As Seções de um Momento Feliz de Argel e Alvorada”, com imagens em fotogramas, e o vídeo "Sunrise" de 40 minutos, dois dos trabalhos mais interessantes da mostra. Outro artista belga, radicado no México, Francis Alÿs, filmou tornados durante dez anos e os editou de forma a tornar o vídeo um material igualmente interessante.
Mas é sintomático notar que a questão do tempo é imperiosa. As pessoas parecem ter pressa: entram nas salas de projeções apenas para olharem rapidamente, o que ali está acontecendo mas não se detém a tentar descobrir a proposta que ali está sendo apresentada. Isso leva um certo tempo, e a maioria dos visitantes da bienal não são mais fruidores de arte, mas apenas espectadores do efêmero. A bienal parece competir com outros eventos e representar mais uma passagem rápida do tempo, como o jornal da noite que mostrará outras efemeridades passageiras.

A curadoria

Por fim, há um outro aspecto que me chama a atenção. A Bienal de São Paulo tem se transformado em uma mostra de curadoria, em que o curador determina caminhos que limitam a diversidade e enquadram as escolhas no jeitão global do momento, concedendo espaço, por exemplo, àquilo que chamamos há pelo menos uma década de “politicamente correto”. Tem sido assim nas últimas mostras. Neste ano, talvez chacoalhados pela invasão dos pichadores na bienal anterior, e das muitas críticas sobre o rumo que ela tem tomado, os curadores procuraram um caminho que desviasse do “politicamente correto” e trouxeram o artista pernambucano Gil Vicente com sua obra polêmica – a meu ver, mais do que agressiva e desnecessária, explicitamente personalista – em que ele próprio, artista, atenta contra a vida de personalidades mundiais, aos quais ele chama de “inimigos”.
Há ainda a instalação gigantesca do artista Nuno Ramos contendo no seu interior urubus. Neste caso, o “politicamente correto” foi determinado por pretensos grupos ambientalistas que, aos gritos, protestavam junto à instalação, provocando barulho muito maior do que aquele que eles acusavam os visitantes de fazê-lo, e que causavam, segundo eles, estresse nos animais. Eles venceram, e os animais, que nasceram e sempre viveram em cativeiro, foram levados de volta ao seu lar de origem, uma gaiola mais modesta que à instalada no prédio projetado pelo centenário Oscar Niemeyer.

domingo, 14 de novembro de 2010

tiradentes - mg








fotos gê cesar de paula