sábado, 31 de agosto de 2013

as madalenas de ticiano

Ainda sobre a exposição Mestres do Renascimento, da postagem anterior, talvez valha como curiosidade falar um pouco mais sobre a obra “Madalena” de Ticiano.
Ticiano pintou quatro versões com tamanhos diferentes, com alguns elementos diferentes e até uma em um  suporte diferente. A que está na exposição é a que pertence ao Museu Hermitage, de São Petersburgo e é a mais famosa. Esta pintura foi mantida pelo artista até a sua morte. O quadro  que pertence ao Palácio Pitti em Florença, apresenta uma Madalena com os seios desnudos. Há ainda as versões que se encontram no Museu Nacional Capodimonte de Nápoles e a do Museu Getty de Los Angeles.



1560s, óleo s/ tela, 119 × 97 cm. Hermitage, São Petersburgo – Federação Russa. Procedência: Coleção Barbarigo, Veneza, 1850

c. 1530, óleo s/ madeira, 84 × 69 cm (85 × 68?). Palácio Pitti – Sala di Apollo, Florença – Itália.

c. 1550; 1567?, óleo s/ tela, 122 × 94 cm. Museu Nacional de Capodimonte – 1º plano, Sala 11, Nápols  Itália
.
 1555-65, óleo s/ tela, 106,7 × 93 cm? (42 × 36 5/8 in). Museu Getty – Pavilhão Norte, Los Angeles – Estados Unidos.

sábado, 24 de agosto de 2013

mestres do renascimento


Madalena de Ticiano
Desde o dia 13 de julho e até 23 de setembro, o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo apresenta a exposição “Mestres do Renascimento”. São 57 obras e, entre elas, algumas “primas”. Mas não são as obras-primas  o princípio da exposição, ainda que estas sejam o convite principal para uma visita.
O enfoque principal é o empreendimento de uma viagem através da cultura renascentista representada pela arte, envolta pela sua contextualização histórica e geográfica. Nessa viagem, somos levados além de Florença, o que nos faz perceber que a revolução renascentista aconteceu, com características próprias, também em outros centros, como Roma, Veneza, Milão, Ferrara, Urbino.
Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Ticiano, Tintoretto, Veronese, Bellini entre outros: imperdível!
Abaixo o vídeo oficial da exposição.       

    
     
Serviço Exposição “Mestres do Renascimento: Obras-primas italianas” Até dia 29 de setembro no CCBB São Paulo Rua Álvares Penteado, 112, Centro 2ª/5ª, das 10h às 22h, 6ª das 10h às 23h, sáb/dom, das 8h às 23h Tel.: (11) 3113-3651 / 3113-3652 www.bb.com.br/cultura

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

terça-feira, 13 de agosto de 2013

mutações - o silêncio e a prosa do mundo

Mutações divulgacao
Em agosto de 2009, escrevi sobre a trajetória do ciclo de conferências organizados por Adauto Novaes lembrando dessa história de mais de 20 anos. Veja o texto aqui . Quatro anos depois, e tendo este Empório saltado as últimas três edições, voltamos ao tema com o artigo de Novaes, a página do ciclo e o serviço do Sesc Vila Mariana abaixo (em "mais informações"):

florestas do meu exílio

João Capiberibe lança livro sobre sua epopeia durante a ditadura militar

do Sesc Pompéia
O senador João Capiberibe lança nesta quinta-feira (15), na Choperia do Sesc Pompeia, o livro Florestas do meu exílio (Editora Terceiro Nome, 368 páginas). O livro surge 34 anos depois de o casal João e Janete Capiberibe, hoje parlamentares pelo Amapá, terem sido beneficiados pela Anistia e voltarem ao Brasil após um exílio de oito anos.
(Continua em "mais informações")

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

fora do eixo

Após o estrondoso sucesso do Mídia Ninja no último Roda Viva, publicado na íntegra na nossa postagem anterior, um depoimento da cineasta Beatriz Seigner colocou o coletivo Fora do Eixo  no meio de uma enorme discussão, talvez na condição de uma polêmica daquelas necessárias. Este empório, ainda sem uma análise, aponta alguns dos eixos dessa discussão com os links abaixo:
( Esta postagem é dinâmica. Como a questão tem sido muito repercutida, vamos acrescentando links lá embaixo)
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/fora-do-eixo-obstaculos-brasileiros-ao-aparecimento-do-novo

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/midia-ninja-e-fora-do-eixo-uma-polemica-necessaria

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-criticas-ao-modelo-do-fora-do-eixo

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-explosao-do-novo-e-o-rompimento-com-o-pensamento-medieval

http://www.google.com.br/webhp?source=search_app&gws_rd=cr#bav=on.2,or.&fp=b696f95ceca7e07a&q=fora+do+eixo

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xgHBTB4nyD8

Entrevista de Pablo Capilé à TV Forum:
http://revistaforum.com.br/blog/2013/08/revista-forum-e-outras-palavras-entrevistam-pablo-capile-do-fora-do-eixo/

Nota do Fora do Eixo:
http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/08/12/fora-do-eixo-solta-nota-dialogando-com-as-criticas-recebidas-nos-ultimos-dias/

"Eu sou uma escrava do Fora do Eixo": http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/08/13/eu-sou-uma-das-escravas-do-fora-do-eixo/

O linchamento da Mídia Ninja, por Luciano Martins Costa
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-linchamento-da-midia-ninja-por-luciano-martins-costa



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

mídia ninja no roda-viva

Foi uma aula de política, de cidadania e de jornalismo. Os jovens Bruno Torturra e Pablo Capilé, respectivamente, jornalista e produtor cultural, fundadores da NINJA - Narrativas Independentes Jornalismo e Ação - deram vários nós na bancada inquisidora do Roda Viva que, a todo custo, tentou enquadrá-los nos seus formatos pré-concebidos. Vale uma visita no vídeo abaixo que este Empório apresenta na íntegra.

domingo, 14 de julho de 2013

hannah arendt e o caso eichmann


Poderia ser um roteiro de filme de ação e espionagem, com todos os clichês pertinentes a esses tipos de filme, mas em 1960, 15 anos após o fim da 2° Grande Guerra, o Serviço Secreto de Inteligência Israelense Moussad, atravessou o Atlântico e sequestrou em solo argentino, Adolf Eichmann membro da estrutura da Alemanha nazista que depois de percorrer alguns países da Europa desembarcou em Buenos Aires. Foi levado para Israel e lá julgado e condenado à morte. Ficaria conhecido como "O Caso Eichmann".
Na plateia do prédio do tribunal de Jesuralém em 1962, a filósofa alemã de origem judia, Hannah Arendt, designada pela revista The New Yorker, acompanhava o julgamento. Da absorção de tudo que presenciou, escreveu inicialmente um artigo e posteriormente um livro, "Eichmann em Jerusalém" que abordou uma questão muito maior que o  julgamento em questão, que ela trataria como "a banalidade do mal", vinculada aos seus estudos sobre o totalitarismo. Não entendida, diante do clamor acusatório, acabou ela sendo acusada de fazer a defesa de Eichmann.
Fazendo um recorte biográfico deste episódio, a diretora alemã Margareth Von Trotta convidou Barbara Sukova para viver Hannah Arendt.
A parceria de Sukova e Von Trotta repete o êxito de "Rosa Luxemburgo", filme dos anos 80. Nos dois casos, a escolha deliberada da ausência de recursos de um drama palatável à emoção fácil, que seria instigante para uma cinegrafia hollywoodiana, dada a natureza das tramas, torna a abordagem seca e direta. Há uma cena que resume essa escolha. Após a publicação do artigo, Hannah faz uma conferência na universidade  em que leciona e Von Trotta nos coloca na plateia, não cedendo a uma presumível emoção de uma lente mais fechada, cercada pelas fisionomias de espectadores que passam da perplexidade ao entusiasmo. Von Trotta não julga, mas nos instiga a ler "Eichmann em Jerusalém" e nos leva, sobretudo,  a refletir sobre a condição humana, tema que percorreu toda a trajetória da pensadora Hannah Arendt, que não gostava de ser chamada de filósofa.

Ps1:Abaixo um link de um filme produzido pela RAI e dirigido por Rony Brauman e Eyal Sivam que trazem as cenas originais do julgamento de Eichmann:
https://www.youtube.com/watch?v=ac9oM-ECXyQ )
Ps2: Este empório já fez uma crítica sobre uma informação sobre a banalidade do amor , peça dirigida por Antonio Abujamra que (tenta) tratar do relacionamento entre Hannah Arendt e Martin Heidegger.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"as manifestações", por marilena chaui


As manifestações de junho de 2013 na cidade de São Paulo

por Marilena Chaui

Observações preliminares

O que segue não são reflexões sobre todas as manifestações ocorridas no país, mas focalizam principalmente as ocorridas na cidade de São Paulo, embora algumas palavras de ordem e algumas atitudes tenha sido comuns às manifestações de outras cidades (a forma da convocação, a questão da tarifa do transporte coletivo como ponto de partida, a desconfiança com relação à institucionalidade política como ponto de chegada) bem como o tratamento dado a elas pelos meios de comunicação (condenação inicial e celebração final, com criminalização dos “vândalos”) permitam algumas considerações mais gerais a título de conclusão.
O estopim das manifestações paulistanas foi o aumento da tarifa do transporte público e a ação contestatória da esquerda com o Movimento Passe Livre (MPL), cuja existência data de 2005 e é composto por militantes de partidos de esquerda. Em sua reivindicação especifica, o movimento foi vitorioso sob dois aspectos: 1. conseguiu a redução da tarifa; 2. definiu a questão do transporte público no plano dos direitos dos cidadãos e, portanto, afirmou o núcleo da prática democrática, qual seja, a criação e defesa de direitos por intermédio da explicitação (e não do ocultamento) do conflitos sociais e políticos.

O inferno urbano

Não foram poucos os que, pelos meios de comunicação, exprimiram sua perplexidade diante das manifestações de junho de 2013: de onde vieram e por que vieram se os grandes problemas que sempre atormentaram o país (desemprego, inflação, violência urbana e no campo) estão com soluções bem encaminhadas e reina a estabilidade política? As perguntas são justas, mas a perplexidade, não, desde que voltemos nosso olhar para um ponto que foi sempre o foco dos movimentos populares: a situação da vida urbana nas grandes metrópoles brasileiras. (continua em "mais informações")

quinta-feira, 27 de junho de 2013

não li e não gostei

Bom, a PEC 37 virou história, e prematuramente, e com derrota retumbante. Engordou a lista do “não li e não gostei”. Um parêntese: a expressão “não li e não gostei, diz a lenda, foi pronunciada pela primeira vez por Oswald de Andrade quando perguntado sobre um livro de José Lins do Rego. Fecho o parêntese. No caso da PEC 37, o que temos é uma variação. Seria um “não entendo e sou contra”.
Vitória inconteste da Globo. Mas alguém agora poderia nos responder quem pagou a conta da milionária campanha promovida pelo MPF? Tenho cá com meus botões que as inserções entre os Jornais Nacionais, que custam a bagatela de 500 mil por 30s, foi subsidiado pela rede platinada, mas isso nunca saberemos. O MPF tem orçamento próprio. Sobra-lhe recursos para as outras tantas campanhas em todas as revistas e jornais de peso do país como foi feita? A campanha, nada didática, foi realizada, para "sabermos" que a PEC 37 era a favor da impunidade e de todos os corruptos do país.
Voltaremos em breve, neste Empório, a falar de arte & congêneres.


Um P.S: Joseph Pulitzer, do "Prêmio Pulitzer de Jornalismo" já nos disse que "uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela".

domingo, 23 de junho de 2013

a pec 37


foto de Maureen Bisilliat
Vamos então à PEC 37. A Proposta de Emenda Constitucional n° 37. Muito  se tem falado e pouco se tem compreendido do que se trata. Algo parecido com o que ocorre com Carlos Drummond de Andrade: todos sabem que existe e até , eventualmente, conhecem um versinho ou outro, mas pouquíssimos o leram de fato.  Nessas manifestações, vi algumas pessoas exibindo cartazes contra a PEC 37. Curioso, perguntava a elas a razão da contrariedade e percebi, na maioria dos casos, que não sabiam nem mesmo do que se tratava. Quando muito, tinham escutado algo como “ela não é boa para o país” ou algo mais contundente ainda: “ela é antidemocrática”. Ora, se a percepção sincera de quem estava nas manifestações era a de que estavam no pleno exercício da democracia, algo que é carimbado como antidemocrático deve ser combatido. Uma espécie de “pensamento de manada”. (continua em "mais informações")

quarta-feira, 19 de junho de 2013

"movimentos sociais na era da internet"

Como disse na postagem anterior, que chamei de “artigo em construção”, cada amanhecer pode nos trazer novas surpresas e talvez a única certeza que temos neste momento, é de que não há certezas no horizonte mais próximo. O movimento toma proporções que escapam ao entendimento, mas por uma mera coincidência, o sociólogo espanhol Manuel Castells que tem se debruçado sobre a questão dos movimentos sociais na era da internet, esteve em São Paulo na semana passada para ministrar uma palestra no evento Fronteiras do Pensamento. A palestra foi no dia 11, dois dias antes da grande manifestação, ferozmente combatida pela polícia do Estado de São Paulo.

O assunto foi tratado por Alexandre Matias do blog Galileu que este Empório reproduz abaixo.



O ponto em comum entre a praça Taksim e avenida Paulista
por Alexandre Matias


O sociólogo espanhol Manuel Castells falou nesta terça-feira em São Paulo sobre esta nova modalidade de manifestação social – que começa na internet e vai para as ruas.

Ao mesmo tempo em que o sociólogo espanhol Manuel Castells falava em mais uma palestra do evento Fronteiras do Pensamento, que aconteceu no Teatro Geo na terça-feira desta semana, em São Paulo, a tensão entre manifestantes contra o aumento da passagem de ônibus e a polícia militar chegava às vias de fato a poucos quilômetros dali, na Avenida Paulista. Não estava alheio ao que acontecia na cidade, ao citar o protesto paulistano como uma das inúmeras manifestações de uma indignação que, nos últimos cinco anos, tem começado em um novo espaço social, a internet, para depois chegar às ruas, em massa.
(continua em "mais informações")

terça-feira, 18 de junho de 2013

sobre as manifestações


foto de Paula Cinquetti
Eu comecei escrever este texto várias vezes, e o faço agora além das 23 horas, quando as manifestações se concentram ainda em frente ao Palácio dos Bandeirantes em São Paulo; em frente da Assembleia Legislativa do Rio; na Praça Sete em Belo Horizonte e em outras tantas cidades do Brasil. Este é sem dúvida, um dia que será objeto das aulas de história no futuro. Até lá, tentaremos entender o que foi isto, e tentar imaginar quais os seus desdobramentos.

Mas me fixo nas imagens, inicialmente, de figuras como o Arnaldo Jabor e o Marco Antonio Villa, que antes da manifestação do dia 13 em São Paulo, já taxavam as manifestações como fascistas. E é importante que o tenham dito, porque foi ali que começamos a entender aquilo que elas realmente não são. E esse é o ponto de partida: precisamos entender esse novo momento.
 

A chamada militância digital se usufrui de ferramentas poderosas que lhe permitem propagar, seja lá o que for:  uma tendência, espontânea ou não, que pode ser bem ou mal articulada, e com lideranças mais ou menos identificadas.  

O Movimento pelo Passe Livre (MPL) parte da questão do transporte, ou menos ainda: foca no aumento da tarifa, que compõe apenas um dos elementos de uma política de transportes. Mas parece claro que esse é apenas a luz de vela de outras luzes que, ainda difusas, mostram outras insatisfações acumuladas, reais ou imaginárias. É preciso entender o que está acontecendo. E o que está acontecendo vai além das reinvindicações pontuais que mudarão conforme as expectativas, expectativas que também mudam com a velocidade do tempo inerente às redes de internet.

Há assim, me parece, pelo menos dois movimentos a serem analisados. O primeiro é a soma das insatisfações representadas nas manifestações, essas que são objetos de políticas públicas. O enfoque ora apresentado é o transporte. E este, num governo de tradição popular como o PT, tem que ser discutido amplamente, alargando os canais, ampliando o debate e trazendo para esta realidade, não a forma – que talvez não caiba mais -, mas o conceito do que foi há vinte anos, o orçamento participativo. Isso significa, identificar prioridades numa perspectiva de ação democrática, mas inserido neste desafio dos movimentos sociais conectados à rede.
O segundo movimento é a busca de um entendimento mais amplo e ainda nebuloso que está além das ações efetivas de políticas públicas, que é a mudança muito rápida do avanço das tecnologias digitais que tendem a dissipar, ou colocar em outro plano, o monopólio da imagem e da comunicação. Em que medida e como isso mudará as interlocuções e em que campo caberá o debate (virtual?) com uma juventude, ainda que participativa, desideologizada ?

(Bom, agora é 01h:08 e talvez com o amanhecer este artigo em construção tenha envelhecido)

domingo, 2 de junho de 2013

em memória de heleny guariba

Filha de Isaac Ferreira Caetano e Pascoalina Alves Ferreira, mãe de Francisco e João Vicente, Heleny Guariba, ou simplesmente Lenita, como era conhecida em Bebedouro, onde nasceu, é dada como "desaparecida política".
Professora universitária e produtora teatral, foi diretora do Grupo de Teatro da Cidade em Santo André. Estudou teatro na França e Alemanha e trabalhou com Augusto Boal. Foi militante da VPR - Vanguarda Popular Revolucionária-.
Presa em 1970 foi torturada pela Oban e pelo Dops no presídio Tiradentes antes de ser libertada em 1971 e, meses depois, presa novamente no Rio de Janeiro onde teria sido executada em Petrópolis.
Abaixo o vídeo gravado por Glória Pires pela "Campanha pela Memória e Verdade" da OAB do Rio de Janeiro:

(Em Diadema um dos Centros Culturais da cidade se chama "Heleny Guariba"/ O Teatro Studio 184, na Praça Roosevelt em São Paulo, mudou o seu nome para Teatro Studio Heleny Guariba em abril deste ano e ocupa a antiga sala Sérgio Cardoso do lendário Cine Bijou)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

o poeta jaime sabines

por Fabio Riggi
Uns poucos poemas de Jaime Sabines
Jaime Sabines, poeta mexicano, nasceu em 1926 e morreu no fim do século passado. Foi bem dito por Octavio Paz e é dono de uma voz muito peculiar, confessional e avessa a formalidades, que se desenvolveu à margem do prestígio adquirido com a figura pública, enamorado da coloquialidade da morte e do mito, por vezes, da morte do mito.

A brevíssima apresentação a seguir pretendeu acolher esse sentido nos critérios de seleção dos poucos poemas e das respectivas soluções em tradução. A edição que tenho em mãos é da Joaquín Mortiz, 2006, Recuento de poemas 1950 / 1993.

Do mito

Minha mãe me contou que chorei em seu ventre.
A ela lhe disseram: terá sorte.

Alguém me falou todos os dias da vida
Ao ouvido, pausado, lentamente.
Me disse: vive, vive, vive!
Era a morte.

(continua em "mais informações)

sábado, 18 de maio de 2013

comissão da verdade "rubens paiva" e clínica do testemunho



Na esteira dos eventos relacionados à "Comissão da Verdade", indico os trabalhos da "Comissão da Verdade Rubens Paiva", da Assembléia Legislativa de São Paulo: http://www.comissaodaverdade.org.br/
Outro importante projeto, é a Clínica do Testemunho que tem no Instituto Sedes Sapientiae, uma das entidades que integram o núcleo.

domingo, 5 de maio de 2013

1964 um golpe contra o brasil

Temos tido nos últimos tempos algumas importantes iniciativas para o esclarecimento do período da ditadura militar após o golpe de 1964. Recentemente, cinemas de várias partes do país exibiram o filme " O dia que durou 21 dias", de Camilo Tavares, filho do jornalista Flávio Tavares. O filme escancara a objetiva participação dos EUA no golpe.
Neste momento, acabo de assistir a outro importante documento: o filme "1964 Um golpe contra o Brasil" de Alípio Freire, cujo link passo abaixo. O documentário de quase duas horas e meia resgata fatos, imagens e depoimentos de personagens que viveram intensamente aqueles momentos. O  "golpe contra o Brasil", foi além da quebra institucional que causou cassações, prisões, torturas e mortes. O golpe não permitiu que houvesse a ampliação, como dizia Florestan Fernandes,  de uma democracia restrita para uma democracia participativa, e o resultado foi o desvio de uma país que caminhava para a ampliação das demandas de cidadania e pelas condições de uma economia que pretendia desenvolver as capacidades nacionais - industriais e tecnológicas -, aliada a uma reforma agrária, que, longe de ser socialista, permitiria que o camponês  ficasse  no campo, evitando o enorme êxodo rural para os grandes centros urbanos que passou a ocorrer de forma intensa a partir da segunda metade da década de 60.
O filme, didaticamente, nos oferece todos esses elementos.
Segue o link:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=jXUYZQWD-fg

domingo, 28 de abril de 2013

polonaise n° 6 l' heroique opus 53 de chopin, por martha argerich

Na pesquisa pela Polonaise n° 6, a heróica, achei mais essa bela interpretação da grande pianista argentina Martha Argerich ainda novinha. (Reparem a sua linda felicidade no 5min 32s). Argerich participa do filme "Nelson Freire" de João Moreira
Sales.

coruja camuflada



foto de Grahmam MacGeorge ( http://huff.to/10aGxZE )

domingo, 31 de março de 2013

o ocaso do viomundo

Do Viomundo

Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa



por Luiz Carlos Azenha

Meu advogado, Cesar Kloury, me proíbe de discutir especificidades sobre a sentença da Justiça carioca que me condenou a pagar 30 mil reais ao diretor de Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, supostamente por mover contra ele uma “campanha difamatória” em 28 posts do Viomundo, todos ligados a críticas políticas que fiz a Kamel em circunstâncias diretamente relacionadas à campanha presidencial de 2006, quando eu era repórter da Globo.

Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula. ( segue em "mais informações)

domingo, 24 de março de 2013

mais uma vez a mercearia paraopeba

Em 15 de junho de 2010 publiquei a postagem muito mais que o empório do césar é a mercearia paraopeba. Feita a publicação, fiz planos de conhecê-la e, claro, de conhecer as pessoas que lá trabalham. Mas só agora, no começo deste mês, quase três anos depois, consegui me dirigir à Itabirito e finalmente conhecer a mercearia, o Roninho, além do seu Juca, do Nenê e da Lorraine que há três anos se juntou à trupe para fazer daqueles poucos metros quadrados um local que, mais do que vender de tudo, oferece, gratuitamente, bom humor, cordialidade e muita simpatia, além de generosos pedaços de goiabada cascão ou doses amigas da cachaça da ocasião.
Algumas das fotos que apresento aqui darão apenas uma vaga ideia do que é de fato este espaço que, de pai para filho, resiste com a mesma cultura desde a segunda metade do século 19. No Guia Minas que levei, o verbete "Itabirito" esquece que na cidade nasceu o ex técnico de futebol Telê Santana, mas não esquece, evidentemente, de citar a Mercearia Paraopeba. No link acima o vídeo que conta um pouco dessa história.
Nenê, Roninho e Lorraine
Mais fotos, clique em "mais informações"
 

sábado, 9 de março de 2013

a revolução não será televisionada

Estar na hora certa no lugar certo. Foi o que aconteceu com Kim Bartley e Donnacha O'Brien que, em 2002, viajaram para a Venezuela para fazer um documentário para a tv irlandesa sobre o governo Chávez e foram surpreendidos por um golpe de Estado patrocinado pela mídia local. De dentro do Palácio Miraflores acompanharam todos os acontecimentos e realizaram o documentário "A revolução não será televisionada", que já nasceu como um clássico dos filmes políticos.
Com a morte de Hugo Chávez trazemos o filme para este empório. Abaixo o link:

http://www.youtube.com/watch?v=MTui69j4XvQ

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

tempos


é preciso um tempo de esteio
para o peixe cravejado na pedra

é preciso um tempo de veio
para o espeleotema gotejado na gruta

é preciso um tempo de cerne
para o magma assentado na terra

é preciso um tempo de luz
para o relâmpago tracejado no infinito

é preciso um tempo de espera
para o plexo que expele a vida

é preciso um tempo de feixe
para a partícula que concede o caos

é preciso um tempo de ausência
para o acaso do mundo

gê césar de paula
o poema "tempos" foi publicado em primeira mão pela revista Cult edição 176 de fevereiro de 2013, capa abaixo.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

de novo a yoni

Yoni Sánchez, a blogueira cubana, virou pop star nesta semana no Brasil. Pelo menos para a nossa velha mídia. Entretanto, em todos os lugares em que foi, recebeu manifestações, digamos, de ...desafeto, para ficarmos no campo da gentileza. Na foto acima ela, em meio a uma dessas manifestações, é acompanhada por um assustado Demétrio Magnoli, do burlesco Instituto Milleniun.
Sánchez, uma já tiazinha da geração Y, que morou na Suiça antes de retornar à Cuba, recebe pelo mundo muitas distinções e todas elas muito bem remuneradas. Já recebeu mais de 250 mil euros o que equivale a milhares de salários mínimos em Cuba. Recebe também seis mil dólares mensais da Sociedade Interamericana de Imprensa e ainda um salário do El País. Dessa forma, ela talvez seja a blogueira, que não faz propaganda mercadológica no seu blog, melhor remunerada do mundo. Disse nesta semana ao Canal Livre da Bandeirantes que pretende com os recursos, construir uma imprensa em Cuba.  Curioso notar no entanto, que tamanho rendimento não é fruto do conhecimento histórico que tem sobre o país natal.
Vou colocar novamente  aqui a excelente matéria do jornalista Lúcio de Castro, postado em 30 de janeiro de 2012, e a incrível e reveladora entrevista dada ao jornalista francês e professor da Sorbonne Salim Lamrani, que está no final da matéria que é longa mas que vale à pena pela didática leitura.
Curioso também é que, mais de cinquenta anos da Revolução Cubana, mais de vinte da queda do muro de Berlim e do fim da Guerra Fria, alguém que se manifesta contrária à política da pequena ilha caribenha tenha tanto destaque.
É constrangedor perceber que há ainda quem tenha medo do homem do saco e também dos vermelhos comedores de criancinhas felizes.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

união europeia debate regulamentação midiática

Em 6 de outubro do ano passado escrevi o artigo o risco que corremos que, entre outros temas, passa pela questão da postura da grande mídia brasileira de desconsiderar completamente qualquer tentativa de debate sobre a democratização dos meios de comunicação e, mais propriamente, do tema que trata da regulamentação do setor.
O artigo abaixo, de Venício A. de Lima é oportuno ao trazer o debate em curso na União Européia.


Depois de Leveson, a União Europeia
Do Observatório da Imprensa
Por Venício A. de Lima em 29/01/2013 na edição 731

Sob o ensurdecedor silêncio da grande mídia brasileira, foi divulgado em Bruxelas, na terça-feira (22/1), o relatório “Uma mídia livre e pluralista para sustentar a democracia europeia”, comissionado pela vice-presidente da União E uropeia, Neelie Kroes, encarregada da Agenda Digital [ver aqui a íntegra do relatório, acesso em 23/1/2013].

Preparado por um grupo de alto nível (HLG) presidido pela ex-presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga, e do qual faziam parte Herta Däubler-Gmelin, ex-ministra da Justiça alemã; Luís Miguel Poiares Pessoa Maduro, ex-advogado geral na Corte de Justiça Europeia; e Ben Hammersley, jornalista especializado em tecnologia, o relatório faz trinta recomendações sobre a regulamentação da mídia como resultado de um trabalho de 16 meses que começou em outubro de 2011. As recomendações serão agora debatidas no âmbito da Comissão Europeia.
(Continua. Clique em "mais informações")

domingo, 27 de janeiro de 2013

ali farka touré & toumani diabate - sabu yerkoy



Mali, um país do norte da África ocidental,é reconhecida internacionalmente pela forte presença musical que consegue aliar a tradicional herança da cultura malinense com a música contemporânea. Ali Farka Touré é apenas um dos muitos representantes dessa música, ao lado de Toumani e Mamadou Diabate, Salif Keita (homenageado em uma das músicas de Chico César) e que compôs o grupo Tuareg com Amadou & Mariam e Omou Sangaré.
O cineasta Martin Scorsese cita Ali Farka Touré como o "DNA" do blues.
Touré faleceu em 2006.

sábado, 26 de janeiro de 2013

etta james


domingo, 30 de dezembro de 2012

bom ser simples como um poema de william carlos williams


 
Ao trepar sobre
o tampo do
armário de conservas
o gato pôs
cuidadosamente
primeiro a pata

direita da frente

depois a de trás
dentro

do vaso

de flores
vazio

 
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
tanta coisa depende
de um

carrinho de mão
vermelho

esmaltado de água de
chuva

ao lado das galinhas
brancas

 
A DURAÇÃO
Uma folha amarfanhada
de papel pardo mais
ou menos do tamanho

e volume aparente
de um homem ia
devagar rua abaixo

arrastada aos trancos
e barrancos pelo
vento quando

veio um carro e Ihe
passou por cima
deixando-a aplastada

no chão. Mas diferente
de um homem ela se ergueu
de novo e lá se foi

com o vento aos trancos
e barrancos para ser
o mesmo que era antes.

 
(traduções de José Paulo Paes)
 
PRELÚDIO AO INVERNO
A mariposa sob as goteiras
com asas como
a casca de um tronco, estende-se

e o amor é uma curiosa
coisa suavemente alada
imóvel sob as goteiras.

(tradução: José Lino Grünewald)

(*)William Carlos Williams também conhecido como WCW, foi um poeta estadunidense além de médico pediatra

sábado, 8 de dezembro de 2012

"entre rios" - a urbanização de São Paulo

Neste ótimo documentário de Caio Silva Ferraz, São Paulo é revelada a partir dos seus rios e, sobretudo, pela tragédia das intervenções humanas realizadas por administradores que, na busca de modelos externos, não enxergaram e não entenderam a espacialidade da cidade e as suas características físicas. Nos discursos pela modernização, o automóvel era a palavra chave, e foi através dele que se desenvolveu a construção histórica da cidade. A questão da mobilidade em São Paulo hoje, é o drama revelado, numa cidade em que os seus rios, mesmo encarcerados, não se calam.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

albert camus; a descoberta do absurdo



O vídeo acima, em forma circular, aponta para um fragmento de um tema mais complexo, tratado por Albert Camus sobretudo no seu livro "Mito de Sísifo": o trabalho repetitivo sem sentido, aplicado à Sísifo como pena por este ter enganado os Deuses.
Sartre, bem antes do seu rompimento com Camus, resenhou O Mito de Sísifo de Camus: "O absurdo (...) não está nem no homem nem no mundo, se os tomamos à parte, mas como a característica essencial do homem é 'estar no mundo', o absurdo acaba por coincidir com a condição humana. Também o absurdo não é o objeto imediato de uma simples noção; é revelado por uma iluminação desolada. 'Levantar, bonde, quatro horas de escritório ou fábrica, refeição, quatro horas de trabalho, refeição, sono, bonde, e segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado no mesmo ritmo...', e depois, de repente, 'os cenários desabam', e chegamos a uma lucidez sem esperança".
Esta parte da resenha crítica de Sartre, se refere a um trecho do início do livro de Camus e, em coincidência, é o tema do vídeo.
Este ensaio de Sartre foi publicado no Brasil pela Cosac Naify com o nome "Explicação de O estrangeiro".
Em tempo: Camus recusava enfaticamente ser confundido com a filosofia "existencialista".

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

pitacos da mostra 2012

Comentários brevíssimos dos filmes que vou assistido...
DE PAI PARA FILHO, de Paul Lacoste (França) : minúcias culinárias. Cinema para gastrônomos.
SUPER NADA, de Rubens Rewald (Brasil/México): pouco a dizer, apenas que o Jair Rodrigues não merecia isso.
SAUDAÇÕES DE TIM BUCKLEY, de Daniel Algrant (Estados Unidos): biografias intercaladas dos músicos Tim e Jeff Buckley, pai e filho. 90 agradáveis minutos.
O PESO DA CULPA, de Lars Gunnar Lotz (Alemanha): um chute no estômago (literal e metaforicamente). Pesado, e ainda assim, muito bom.
TEMPO DE CRISE, de Anika  Wangard (Alemanha): crise com leveza.
MOSQUITA E MARI, de Aurora Guerrero (Estados Unidos): duas meninas; duas línguas; duas confusões...
A RIQUEZA DO LOBO, de Damien Odoul (França): por falha técnica, sessão cancelada. Dizem-me que tive sorte.
DINOTASIA, de David Krentz (Estados Unidos): filminho da história da Terra na época dos Dinos. Soube que a locução era do Herzog. E isso me enganou.
ANTIVIRAL, de Brando Cronenberg (Canadá): doentio. Sim, o menino é filho de David Cronenberg, e precisa de cuidados.
INDIGNADOS, de Tony Gatlif (França): crise com peso. Um filme necessário.
ÁGUA, de Nir Sa'ar, Maya Sarfaty, Mohamed Fuad, Yona Rozenkier, Mohamed Bakri, Ahmad Bargouthi, Pini Tavger e Tal Haring (Palestina/Israel): sete curtas dirigido por nove diretores que tem a água, mais como um elemento político do que químico. Fragmentariamente bom.
A HORDA, de  Andrei Proshkin (Rússia): épico ambientado no mundo Mongol do século 14. Boa fotografia mas um fio sem meada.
111 GAROTAS, de Nahid Ghobadi e Bijan Zmanpira ( Iraque/Irã): 111 garotas curdas ameaçam se suicidar pela ausência de homens na comunidade e mandam carta para o presidente do Irã. Mistura de drama com humor na pitada exata e com excelente fotografia. Grande filme.
CANÇÃO PARA MEU PAI, de Amos Gitai (França/Suiça): filme com grife. Gitai faz homenagem e ao mesmo tempo uma busca de compreensão do pai, Munio Gitai Weinraub, ligado à Bauhaus, escola fechada por Hitler. Acesso difícil.
POST MORTEM, de Pablo Larrain (Chile, México, Alemanha): cortante. Uma autópsia da ditadura chilena.
ISTAMBUL, de Török Ferenc ( Turquia/Hungria/Holanda): Katalin faz uma viagem, física e psicológica, para um encontro com sigo mesma, longe da família. Belo filme.

sábado, 20 de outubro de 2012

a 36° mostra

Já são 36 anos da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. 36 anos de uma insistência pessoal de Leon Cakoff, morto em outubro do ano passado pouco antes da abertura na Mostra de 2011. (Contei uma história pessoal na postagem leon cakoff em15 de outubro de 2011).
A insistência de Cakoff, foi exercitada em função de inúmeros fatores, desde as ingerências de Pietro Maria Bardi, o diretor do Museu de Arte de São Paulo - Masp -, onde teve início a Mostra, passando pelas censuras e enfrentamento, muitas vezes,  a agentes da repressão na época da ditadura,  até as dificuldades financeiras. Toda essa história pode ser degustada no livro "Cinema Sem Fim" de Leon Cakoff, publicado pela Editora da Imprensa Oficial em que Cakoff contava a história das 30 primeiras edições da Mostra. Para os cinéfilos, participantes ou não da Mostra, é uma obra imperdível. De cabeceira.
A 36° Mostra começou para o público no dia 19, última sexta-feira. Filmes, programações e outras informações podem ser obtidas na página da mostra .

sábado, 6 de outubro de 2012

o risco que corremos


A história da América Latina é marcada por inúmeros golpes contra as instituições democráticas, ainda que estejamos falando de democracias incipientes. Passamos pelo século 20 sempre sujeitos aos humores dos quartéis, sempre prestes a colocarem munição nos seus aparatos bélicos e os apontarem contra a população.
Na passagem para o século 21 tivemos a sensação que golpes faziam parte da nossa história, superados por constantes e persistentes processos de construção da nossa democracia.
Entretanto, as tentativas de golpe na Guatemala em 2009 e Equador em 2010 e os golpes consolidados em Honduras e Paraguai que derrubaram os presidentes Manuel Zelaya e Fernando Lugo, respectivamente, nos apontam para uma outra abordagem: que a essência conceitual dos “golpes” permanece; o que muda são as formas. Os tanques de guerra em volta dos palácios presidenciais são imagens que prescreveram. Não cabem mais nas lentes midiáticas e globalizadas que cruzam o planeta em tempo real. A arquitetura do golpe evoluiu. Ele, hoje, deve ter um caráter “democrático”, respaldado pelo aparato institucional constituído e pautado e disseminado pelos setores oligopolizados das redes de comunicação que, na América Latina, continuam nas mãos hereditárias de poucas famílias.

Um exercício plausível de se fazer é que as duas tentativas frustradas no Equador e na Guatemala, e o golpe bem sucedido em Honduras, ainda que a trancos e barrancos, serviram de laboratório para o êxito do golpe no Paraguai.
O risco e a preocupação evidentes, é que se module nos bastidores dos poderes paralelos, uma disseminação no continente de um certo, e novo, modus operandi do golpe. A base para isso existe, e são as nossas democracias ainda não firmemente constituídas.


A mídia que temos



Em 2005 tínhamos, além das novelas da sete e das nove, a novela das oito, com o nome de “Mensalão”. Hoje temos a segunda edição da mesma novela, agora com cenário mais pomposo e, da mesma forma, com um roteiro composto pela espetacularização, mas com outros cuidados. A agenda do julgamento da Ação Penal 470, o Mensalão, foi tão milimetricamente calculada que, mais do que ter sido aberta paralelamente às eleições municipais, culminou com o julgamento de José Dirceu exatamente no momento de fechamento das campanhas pelo primeiro turno. Os relógios do STF, do TSE e do Jornal Nacional foram acertados conjuntamente. Em 1997, todos sabemos, houve compra de deputados para a aprovação da reeleição de FHC. Ao contrário da Ação Penal 470, há provas cabais do comércio, mas o STF não a julgou. “A compra de votos para a reeleição de FHC” não recebeu um nome de impacto publicitário da imprensa, como por exemplo “Mensalão” e acabou esquecida.
Mas há outras tantas coisas que a imprensa também esquece, ou prefere não revelar. É necessário que se faça pesquisas para saber que a Federal Communications Commission (FCC), órgão regulador da área de telecomunicações e radiodifusão dos Estados Unidos fechou entre 1937 e 1987, 141 concessionárias de rádio e TV e em 40 delas, nem esperou que acabassem o prazo da concessão. Nunca foi mencionado por aqui que a indefectível Margareth Thatcher também cancelou concessões, em alguns casos por tentativa de formação de monopólio. O mesmo fizeram, sem nenhum contratempo, a França, o Canadá, a Espanha entre outros tantos países de democracias consolidadas. Leis de concessões e suas aplicações para a área de comunicação, fazem parte de qualquer país democrático. Democracias consolidadas pressupõem processos de construção de instituições sólidas e de uma imprensa responsável e plural. Na adolescência em que vivemos, as famílias que comandam o conglomerado de comunicação no Brasil, se irritam quando alguém, inadvertidamente, ousa afirmar a necessidade da “democratização dos meios de comunicação” e encontram nas figuras de Hugo Chavez e Cristina Kirchner os demônios a serem combatidos, em nome da “liberdade de expressão”.
A tarefa urgente desta mídia de pensamento único, neste momento, é pautar o Superior Tribunal Federal, envolto com a Ação Penal 470.
O STF que temos

O tribunal máximo da nação tem se esmerado em dar uma resposta contundente e rápida – como dissemos, respeitando o calendário eleitoral - aos anseios da sociedade que a mídia, essa que temos, tem propagado. E para tanto, tem criado, sobretudo na figura do seu relator, novas formas de entendimento da análise de uma ação penal, que é a de criminalização por indícios e não por provas. O exercício de retórica da maioria dos seus membros produz um contorcionismo por vezes extravagante, perceptível até mesmo na apreciação dos leigos. Vale até recuperar peças não tão em voga no universo jurídico atual, como a que vimos, sobretudo nesta semana, que é a tal da “Teoria do Domínio de Fato”. Rastreando aqui e ali sobre o entendimento de inúmeros juristas, percebemos que, com ela, José Dirceu será condenado mesmo que, em tese, não tenha nenhuma ligação com os casos tratados no julgamento. Ele será declarado culpado, se não por outra razão confirmada, mas porque exercia cargo de chefia. O que já tínhamos de fato, é que a imprensa, essa que temos, já tinha dado o seu veredicto. O STF apenas o confirmará. Durante o processo, o Jornal Estado de São Paulo chegou até a antecipar o texto do voto de um determinado juiz, o que fere completamente a liturgia do cargo. O Procurador Geral, Roberto Gurgel, declarou que "será salutar se o julgamento do mensalão tiver impacto nas eleições".
Rasgadas as hipocrisias, o STF está julgando a Ação Penal 470 de modo político e não técnico.


O risco que temos
O risco que corremos está delineado. Temos, ao contrário do que foi amplamente propagado, uma democracia ainda frágil e sujeita a determinados jogos de interesses que serão tão mais expoentes quanto ainda frágil for a nossa democracia. Escaparmos desse risco implica em sairmos deste círculo, e para tanto, há ainda um caminho sinuoso a ser percorrido.
Essa nossa mídia de pensamento único pleiteia, com os componentes de um discurso fácil e palatável, a defesa da “liberdade de expressão”.  Ora, qualquer liberdade pressupõe um objeto que incorpore o significado do que é ser livre. Que acolha, intrinsecamente, a responsabilidade da sua aplicação.
Em outro artigo neste Empório, tratei de liberdade ligada à arte, e dizia que a liberdade tem um limite, que é aquela em que o artista define a obra: a última pincelada, o último acorde. Liberdade tem sempre os seus limites. Nas regras de sociabilidade, eu não sou livre para, limpando a minha casa, jogar a minha sujeira na casa do vizinho. A imprensa não pode se arvorar do vasto conceito de “liberdade de expressão” para macular, indiscriminadamente, a vida de alguém, por exemplo, e, tão pouco, pode escolher um oponente e tratá-lo como inimigo, desconsiderando os ditames mais elementares da ética jornalística. A presidente Dilma, fez uma interessante síntese do que estamos abordando. Disse ela: " A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem. E o amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas." Liberdade de expressão, portanto, é um dos elementos da democracia e não pode ser confundida com liberdade pleiteada pelos donos da comunicação de poder fazer, indiscriminadamente, as suas escolhas baseadas nos seus interesses mais particulares.
Mas essas escolhas estão cada vez menos envergonhadas e, com a novela "Mensalão" e seu aparente sucesso, há indícios claros da continuação dos argumentos que irão alinhavar os novos capítulos que merecerão tentativas de colocarem outros protagonistas mais famosos: o ex presidente Lula e a atual presidente Dilma. Vivemos momentos perigosos.

A falta da essência democrática desse nosso oligopólio da comunicação, esse que temos, é, ao final, espantoso, principalmente quando esses anseios particulares encontram eco no principal tribunal jurídico do país. Um júri supremo que julga por inclinação política e não técnica é um risco que não deveríamos correr, sobretudo depois de vencermos uma etapa tão árdua que foram os anos de chumbo pelos quais passamos.
Como disse no primeiro parágrafo , me referindo aos militares, os humores de um tribunal político podem variar e amanhã poderá voltar-se contra quem tanto o bajulou.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

quem foi artemisia gentileschi ?


Quem for à exposição “Caravaggio e seus seguidores” no Masp, que se encerra em 30 de setembro, verá uma obra de Artemísia Gentilesch(1593-1653).  Como eu, acho que muitos tiveram ou terão a curiosidade de saber quem era essa figura que, em pleno século 17, em um meio tão essencialmente masculino se destacou entre tantos pintores.
Mas, evidentemente, seu percurso  não foi nada fácil. Filha do pintor Orazio Gentileschi – que também tem uma obra na exposição – Artemísia foi recusada na Escola de Artes de Roma, por ser mulher.  Depois dos primeiros ensinamentos de seu pai, ele mesmo a encaminha ao pintor e discípulo Agostino Tassi. Inicia-se aí um drama que percorrerá pela vida de Artemísia e influenciará na sua obra. Artemísia é violada por Tassi. Ao caso, sucedeu-se um longo processo judicial em que Artemísia foi muito exposta, tendo que sair de Roma para se preservar e sair da ótica e da moral da igreja romana. Tassi
acabou condenado, mas graça a influências, não cumpriu a pena.  Há versões que relatam que Artemísia passou de vítima à ré, e caiu nas mãos da inquisição, sendo torturada. Essa versão é apresentada por Susan Vreeland, no livro A paixão de Artemísia  (editora José Olyimpio)
De qualquer forma, Artemísia se instala posteriormente em Florença, onde é aceita como a primeira mulher na Academia de Artes de Florença, mas não antes sem ter se casado para ser aceita em sociedade.
Muitos dos temas em que Artemísia trabalha, como o quadro “Judite decapitando Holofermes” ( na sequência, após quebra de página), parece refletir um certo acerto de contas com o passado. É forte também na sua obra a presença da mulher como heroína, sempre em trabalhos com grande elaboração da luz e da sombra na linha da escola de Caravaggio.
Artemísia teve, tardiamente, grande reconhecimento.
{(*) nesta página, acima, um auto-retrato}

Além do livro, há também um filme: Artemísia (Artemmisia - passione estrema) de 1997, dirigido por Agnès Merlet, com Valentina Cervi no papel título
(veja outras obras clicando em "mais informações)


sábado, 15 de setembro de 2012

bienal de são paulo

 
 
A 30º Bienal de São Paulo está aberta ( http://www.bienal.org.br/ ). Pretendo escrever algo sobre esta Bienal. Enquanto não o faço, posto o link do artigo algo sobre arte, escrito por conta da 29º Bienal em 2010.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

a cidade das exposições, e das filas

Filas, filas e mais filas. Essa é a São Paulo dos pontos de ônibus, das bilheterias e catracas do Metrô, dos bares, dos serviços públicos, da Famiglia Mancini, dos jogos do Corinthians, dos eventos e das exposições.
Sobre as exposições, são muitas - algumas delas mencionadas neste Empório - e entre elas as de muito apelo, como a dos Impressionistas no Centro Cultural Banco do Brasil, a de
Caravaggio no Masp, a Bienal, com 348 obras de Artur Bispo do
Rosário e de mais 110 artistas de vários cantos do mundo. Já terminaram as filas da Bienal do Livro e no mês que vem começam as filas da Mostra Internacional de Cinema.
A fila é um componente da paisagem da cidade, quase um patrimônio a ser tombado.  O paulistano está tão acostumado com elas que mesmo em cinemas e teatros com lugares previamente marcados, ela, displicente, aparece. Nos finais de semana, é de bom tom, não abandoná-las. São carregadas e esparramadas nas vias Anchieta e Imigrantes no caminho do litoral.
A significância da fila é tão grande em São Paulo que um prefeito, de má memória, tentou burlá-la, e criou o "Fura-fila", um projeto de transporte com veículo leve sobre pneus.  Não, este não era o apelido, cunhado pelo cancioneiro popular, era o nome oficial. O projeto patinou nas mãos dos prefeitos que o sucederam mas o nome foi alterado várias vezes, sempre sem muita criatividade, mas pelo menos deixaram no limbo, o nome tão pouco citadino.
(continua..)