quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

domingo, 16 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

comunicação & marco regulatório

Entrevista/debate com Franklin Martins. Programa Contraponto da TV do Sindicato dos Bancários com parceria do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé.



Abaixo o link para a discussão sobre o marco civil da internet:
http://www.youtube.com/watch?v=xazWpZgh41Y

domingo, 2 de fevereiro de 2014

apagou-se a luz do cinema nacional

Putz! Que notícia! Acaba de ser assassinado Eduardo Coutinho. Em novembro de 2007 este Empório comentou sobre o filme Jogo de cena, dizendo na época que "Eduardo Coutinho, reeducando o olhar, é a luz do cinema nacional."
O diretor de "Cabra Marcado para Morrer" nos deixa aos 80 anos.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

a grande beleza

Em julho de 2011 escrevi a crítica sobre o filme Cópia Fiel de Abbas Kiarostami. Lembrei deste filme porque o diretor iraniano nos leva a uma viagem que tem como ponto de partida o conceito de "cópia". Este não é o tema de "A grande beleza", filme do diretor italiano Paolo Sorrentino, mas ele foi acusado - é bem verdade que por uma minoria de críticos - de fazer uma cópia, atualizada ( o que seria o único atenuante) de Fellini, sobretudo de A Doce Vida. Bobagem! Isso me parece resvalar em saudosismo reverencial e mitificador ao grande mestre. Fellini não precisa disso.
Sorrentino não esconde em momento nenhum a sua fonte. Nela se alimenta e dela segue seu caminho.

Como escrevo este texto no momento em que o filme já esta saindo de cartaz, muito já foi dito e não há muito a acrescentar, apenas, talvez, uma subjetividade amarga...de que o que Sorrentino nos traz é uma história universal que aponta para o sentido, ou falta dele, da vida.
Em um dado momento o filme se sintetiza e somos lembrados que tudo termina da mesma forma: com a morte, "mas primeiro havia a vida", sempre escondida nas palavras, nas conversas que nos colocam no mundo. "Está tudo sedimentado nos falatórios e rumores", que perpassam nos silêncios, nos sentimentos, nos medos e nas emoções. E tudo envolto pelos "insignificantes e inconstantes lampejos de beleza". Mas depois há "a miséria desgraçada e o homem miserável (...) sepultado sob a capa do embaraço de estar no mundo". É preciso assim, falar, falar, falar até que as palavras não façam mais sentido. Até que a vida se desenlace pelas futilidades cotidianas que nos carregam pelo tempo finito, sem um Deus a nos guiar, aqui sim, como em Fellini, de A Doce Vida.

O "Aparelho humano" é o livro sobre o qual nada sabemos. É o livro que Jep Gambardela, a figura central do filme, escreveu há muito tempo.  (O nome parece sugestionar o livro "A Condição Humana" de Hannah Arendt que, coincidência ou não, trata da vida condicionada ao mundo, com todos os elementos que levam o homem a se integrar à esfera pública.). O que sabemos apenas, é que, seja lá do que trate o livro, ele marcou um momento e fez do escritor, de um único livro, o personagem de si mesmo. Aquele que vagueia por Roma como o notívago que desvenda a dualidade da melancolia associada a confortante beleza que a cidade pode conceder.
O filme é belo fotograficamente, e traz uma Roma- personagem do filme -, ainda que decadente, esplendorosa. O simbolismo do moderno apartamento de Jep Gambarlela, que da varanda tem a vista para o Coliseu me parece dizer que o absurdo - nos mesmos moldes de que nos falou Albert Camus - não se prende a uma época; ele faz parte da história da humanidade e neste aspecto, Sorrentino pede licença e se descola de Fellini.
Um filme dos grandes!

domingo, 19 de janeiro de 2014

lembrando que há esperanza

Eu não sei se há esperança para a humanidade. Às vezes desconfio que não. Mas há Esperanza. Esperanza Spalding, a espetacular cantora e contrabaixista estadunidense que aprendeu a língua portuguesa por admirar a música brasileira. Volto a falar dela porque acabo de assistir à sua apresentação no Sesc Pinheiros ao lado do grande compositor Guinga. Show impecável!
Em 13 de maio de 2012 eu postei há esperanza . Fica o convite.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

era uma vez um arrastão

Nestes tempos de rolezinho, este vídeo de Portugal é quase didático.


rolezinho, por eliane brum

Informe exibido à entrada do JK Shopping comunica decisão da Justiça que barra evento "Rolezaum no Shoppim" Foto: Taba Benedicto / Futura Press
Reproduzimos abaixo, do El País, versão em português, o artigo de Eliane Brum, e a entrevista com o antropólogo Alexandre Barbosa Pereira que partem do que ficou conhecido nessa virada do ano por "rolezinho"

Do  El País
por Eliane Brum

Os novos “vândalos” do Brasil

O rolezinho, a novidade deste Natal, mostra que, quando a juventude pobre e negra das periferias de São Paulo ocupa os shoppings anunciando que quer fazer parte da festa do consumo, a resposta é a de sempre: criminalização. Mas o que estes jovens estão, de fato, “roubando” da classe média brasileira?


O Natal de 2013 ficará marcado como aquele em que o Brasil tratou garotos pobres, a maioria deles negros, como bandidos, por terem ousado se divertir nos shoppings onde a classe média faz as compras de fim de ano. Pelas redes sociais, centenas, às vezes milhares de jovens, combinavam o que chamam de “rolezinho”, em shopping próximos de suas comunidades, para “zoar, dar uns beijos, rolar umas paqueras” ou “tumultuar, pegar geral, se divertir, sem roubos”. No sábado, 14, dezenas entraram no Shopping Internacional de Guarulhos, cantando refrões de funk da ostentação. Não roubaram, não destruíram, não portavam drogas, mas, mesmo assim, 23 deles foram levados até a delegacia, sem que nada justificasse a detenção. Neste domingo, 22, no Shopping Interlagos, garotos foram revistados na chegada por um forte esquema policial: segundo a imprensa, uma base móvel e quatro camburões para a revista, outras quatro unidades da Polícia Militar, uma do GOE (Grupo de Operações Especiais) e cinco carros de segurança particular para montar guarda. Vários jovens foram “convidados” a se retirar do prédio, por exibirem uma aparência de funkeiros, como dois irmãos que empurravam o pai, amputado, numa cadeira de rodas. De novo, nenhum furto foi registrado. No sábado, 21, a polícia, chamada pela administração do Shopping Campo Limpo, não constatou nenhum “tumulto”, mas viaturas da Força Tática e motos da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) permaneceram no estacionamento para inibir o rolezinho e policiais entraram no shopping com armas de balas de borracha e bombas de gás.

(segue em "mais informações")


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

rolezinho gente fina

Os Frias, os Mesquitas, os Civitas e os Marinhos nem perceberam este "rolezinho" dos alunos da FEA-USP.

domingo, 5 de janeiro de 2014

solaris e 2001

Aproveitei os feriados para rever duas grandes obras do cinema. Refiro-me à 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO, de Stanley Kubrick e SOLARIS, de Andrei Tarkovsky. Nas ocasiões em que assisti a esses filmes, elas ocorreram com grande intervalo de tempo entre um e outro filme. Desta vez assisti-os quase que na sequência, tendo uma apreensão diferente da  que tive anos atrás.
"2001" é de 1968 e "Solaris" de 1972 e - ainda numa atmosfera de um mundo em Guerra Fria - "Solaris" foi recebido como uma resposta soviética à "2001". Bobagem. São duas obras que, se não são antagônicas, partem de princípios diferentes. Kubrick, a grosso modo, trata do espaço exterior, em que apresenta os paradoxos de uma arquitetura de pensamento e ações humanas que levam a consequências de difíceis soluções. Tarkovsky faz um caminho inverso, que não
necessita de grandes efeitos visuais, já que a viagem é ao nosso interior, com todas as complexidades que isso possa supor. É um filme de caráter psicanalítico. Como toda a obra do diretor russo, - o maior entre todos, para Ingmar Bergman -  ele exige muito do espectador mas o recompensa ao final.
Após rever os dois filmes, apareceu, quase que inevitavelmente, a  tentação de fazer pesquisas na internet. Muitas curiosidades, entre elas, a de que a trilha sonora de "2001" seria do Pink Floyd. Há um texto interessante no Omelete, blog de cinema, que tenta destrinchar algumas passagens do filme e que conta essa história do Pink Floyd. Vendo hoje, seria difícil imaginar o filme sem o poema sinfônico composto por Richard Strauss baseado no livro "Assim Falou Zaratustra" de Nietzsche.
Mas há dois links que faço questão de compartilhar. Este , alegoricamente, percorre o filme de Kubrick de maneira interessante, ainda que, evidentemente, com as suas subjetividades. A outra, esta , mais do que um artigo, um estudo sobre "Solaris" do hoje professor da UNESP e escritor Giovanni Alves.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

agora é 2014


Al andar se hace el camino, / y al volver la vista atrás / se ve la senda que nunca / se ha de volver a pisar.
Antonio Machado (1875 – 1939)

domingo, 29 de dezembro de 2013

jango e a história fabricada

Em 1964 os maiores grupos de comunicação do país vociferavam contra o governo João Goulart, propagandeando a cisão entre a opinião pública e o governo. Entretanto, pesquisas da época - engavetadas - diziam exatamente o contrário. O historiador Luiz Antônio Dias, que prepara um livro sobre o tema, concedeu entrevista à Carta Capital em novembro último destrinchando este lado até então oculto da nossa história.

O jornalista Luis Nassif tratou também do assunto no seu blog em texto que reproduzimos abaixo:



A primeira vez que ouvi falar nas pesquisas do Ibope sobre o governo Jango foi em um congresso da Wapor (a associação latino-americana de pesquisas de opinião) em Belo Horizonte. Participei de um debate sobre o novo papel dos blogs junto à opinião pública. Um dos papers apresentados mencionava dados gerais da pesquisa, localizada nos arquivos que o Ibope doou à Unicamp.
Nesta semana, na Carta Capital, há uma entrevista de Rodrigo Martins com o historiador Luiz Antônio Dias sobre as pesquisas. Os números são impressionantes:(continua em "mais informações")

sábado, 30 de novembro de 2013

camus e sartre

" Uma briga não é senão - mesmo se nunca mais vê o outro - uma outra maneira de viver junto e não se perder de vista neste pequeno mundo estreito que nos é dado. Isso não me impedia de pensar nele, de sentir seu olhar sobre a página do livro, sobre o jornal que ele lia, de me perguntar: " o que ele está dizendo disto? o que ele está dizendo disto neste momento?"
Foi assim que Sartre se referiu a Camus tempos depois dos dois terem rompido a relação no início da Guerra Fria.
O pesquisador Ronald Aronson se debruçou sobre o relacionamento dos dois maiores expoentes das letras francesas do século 20, contextualizando a história que demarcou os limites de um e de outro no período que antecedeu a Segunda Grande Guerra e o início da Guerra Fria.
Não se trata de nenhum lançamento. O Livro foi lançado em 2005 e editado no Brasil em 2007 pela Editora Nova Fronteira, mas continua sendo uma obra única, em que a tessitura das tramas que envolveram Camus e Sartre estão ali, no livro, muito bem amarradas.
Olgária Matos escreveu na ocasião do seu lançamento, a resenha crítica que este Empório recupera.

Camus e Sartre, o duelo da ética

Como a Paris de Proust surgia por inteiro de uma xícara de chá, a cidade - agora existencialista - é a do Quartier Latin, onde se configuraram a amizade e a polêmica entre Jean-Paul Sartre e Albert Camus. Em "Camus e Sartre", Ronald Aronson reconstitui a conjuntura política, intelectual e dos afetos que aproxima Camus e Sartre na França dos anos 1930, mostrando dois amigos na contramão.
Enquanto Camus, já nos anos 30, se engaja na luta antifascista e se posiciona contra a política colonial na Argélia e, mais tarde, vem a ser o editor do "Combat" - jornal clandestino dos anos da resistência à ocupação alemã na Segunda Guerra -, Sartre se interessa apenas por questões epistemológicas e somente depois de 1941 começa a se aproximar da política. (continua em "mais informações")

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

cardozo responde

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

e na argentina...

domingo, 10 de novembro de 2013

clara nunes

Trinta anos sem Clara. O Empório relembra:


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

memórias do chumbo - o futebol nos tempos do condor

O jornalista e historiador Lúcio de Castro já foi citado neste Empório ( basta clicá-lo nos marcadores). Entre tantos bons trabalhos, ele concebeu e dirigiu  quatro extraordinários documentários sobre as ditaduras argentina, chilena, uruguaia e brasileira, tendo como pano de fundo o futebol, que também foi um dos elementos da Operação Condor, uma aliança político-militar entre várias ditaduras de países da América Latina.
O episódio abaixo é o da Argentina e mais abaixo os links dos outros três, do Chile, do Uruguai e do Brasil.
Imperdível! Um dos melhores trabalhos sobre o tema.



No Chile
No Uruguai
No Brasil




quarta-feira, 23 de outubro de 2013

pitacos da mostra 2013


Já está acontecendo a 37° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Até o dia 31 de outubro 350 filmes serão exibidos em mais de vinte espaços. Como na Mostra ( também aqui ) do ano passado, farei para a deste ano a mesma seção "Pitacos da Mostra" com comentários brevíssimos dos filmes que vou assistindo...

"INSIDE LLEWYN DAVIS", de Ethan e Joel Cohen - Os irmãos Cohen estão em forma. Neste filme circular, o universo folk se fecha num beco donde ecoa a música  daquele que se chamaria Bob Dylan.

"A MORTE PASSOU PERTO" - Curioso. Curta precedido por 3 dos primeiros trabalhos da Stanley Kubrick Produções que tem até um padre voador e que valeu só pela curiosidade. Kubrick começa a nascer com este último, que fecha a sessão, "A Morte Passou Perto."

VICTOR YOUNG PEREZ, França, Bélgica, Bulgária. De Jacques Ouaniche. Bom filme. Uma grande história, real e dura. Filmografia com elementos 'roliudianos'.

ESTRADA PARA O NORTE, Finlândia. De Mika Kaurismäki. Inverossimilhanças escandinavas. No final melhora mas não convence.

THE LUNCHBOX, Índia, França, Alemanha. De Ritesh Batra. O universo indiano nos apresenta elementos inusitados, como a entrega de marmitas numa operação incomum. Mas como toda operação tem suas falhas, uma delas causa um argumento instigante muito bem trabalhado pelo roteiro e pela direção. Não há como não lembrar de "Nunca te vi e sempre te amei" de David Hugh Jones. Grande filme.

O PESO DOS ELEFANTES, Dinamarca, Nova Zelândia, Alemanha, França. De Daniel Joseph Borgman. Sensibilidade pura. Interpretações infantis magníficas num filme redondo. É o primeiro longa de Borgman. Se continuar assim, entre para o panteão do cinema.

QISSA: O FANTASMA É UM VIAJANTE SOLITÁRIO, Índia, Alemanha, França, Holanda. De Anup Singh. Difícil descrever essa viagem. Uma mistura de David Linch, Buñuel e Jorge Luis Borges. Um filme dos grandes.

PELO MALO, Venezuela, de Mariana Rondón. Para nós, seria "cabelo ruim", mas ruim é o filme.

O ESTRANHO CURSO DOS EVENTOS, França, Israel. De Raphael Nadjari. O filme começa e a gente espera. O filme continua e a gente espera. Mais um pouco e a mesma espera. O filme termina e pensamos que ele talvez não devesse ter começado.

METAMORPHOSEN, Alemanha. De Sebastian Mez. O filme, falado em russo, conta a história dos habitantes de uma região contaminada de radioatividade. O tema é denso mas o filme não precisava ser ainda mais.

SEGURANÇA NACIONAL, Coréia do Sul, de Chung Ji-Young. A literalidade da tortura. O drama da ditadura sul-coreana na década de 80 tratado de maneira a transbordar pela tela. Torturar o espectador não é a melhor maneira de "dedicar" o filme "a todos os torturados do mundo", como diz ao final.

O VERÃO DOS PEIXES VOADORES, Chile, França, de Marcela Said. O triângulo explorado, explorador e o amor neste filme que reafirma o Chile, além da Argentina, como as principais cinematografias latino-americanas já há um bom tempo.

ALGO NO CAMINHO, Indonésia, de Teddy Soeriaatmadj. Drama da psique humana retratada de maneira crua, sem subterfúgios.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

azam ali - in other worlds

Azam Ali nasceu no Irã, em Teerã, mas foi criada na Índia de onde absorveu muito das suas influências musicais. Além de compositora é multi-instrumentista.


sábado, 28 de setembro de 2013

jose "pepe" mujica na onu

A Assembléia Geral da ONU deste ano trazia uma expectativa voltada para as questões da crise econômica que ainda contamina muitos países, sobretudo na Europa, e a questão, ou talvez  a falsa questão da Síria. A maioria dos discursos foram protocolares. A presidenta Dilma Roussef pegou uma outra estrada e fez um discurso forte, direcionado, como tinha que ser, defendendo a soberania nacional e atacando a bisbilhotice do governo dos EUA, e teve uma grande repercussão internacional. Aqui o discurso na íntegra.
Mas foi um outro discurso que alcançou um patamar muito acima das questões rasteiras que definem as peças do jogo das relações de poder no mundo: a antológica fala do presidente uruguaio José "Pepe" Mujica.
Dentro da Teoria do Caos, o bater de asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo. O chamado "efeito borboleta". O discurso de Pepe Mujica - sabemos - ainda que fique nos anais da ONU, não causará ao menos uma brisa nos rumos mercantilizados do planeta. De qualquer forma, este Empório entende que o velho Pepe deve ser sempre ouvido e por isso o apresenta na sua versão original e com o texto em português clicando em "mais informações".



terça-feira, 24 de setembro de 2013

pablo neruda

Ontem completou-se 40 anos da estranha morte do poeta chileno Pablo Neruda, fato ocorrido apenas 12 dias após o golpe militar que derrubou Allende. Abaixo dois emocionantes vídeos. O primeiro, o incrível funeral do poeta.




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

40 anos do golpe militar no chile

O presidente Salvador Allende
Há exatos 40 anos ocorria um dos muitos atentados à democracia na América Latina: o golpe de Estado que derrubou e levou à morte o presidente eleito Salvador Allende. Em 11 de setembro de 2011, este Empório tratou do tema sugerindo dois filmes. Um deles é o 11th september dirigido por 11 diretores, entre eles Ken Loach. Ver aqui . O outro é "A batalha do Chile", de Patrício Guzmán. Ver aqui . Falamos também na ocasião sobre o outro 11 de setembro: o atentado às Torres Gêmeas em Nova Iorque, recuperando um artigo escrito no dia 12 de setembro de 2001 e publicado pela Revista Revés do Avesso. Ver aqui

domingo, 1 de setembro de 2013

mais dignidade, mais respeito, mais médicos


Este Empório não pretendia colocar nas suas prateleiras a questão do Programa Mais Médicos por entender que seria discorrer sobre o óbvio e que, manifestações como a que vimos há algum tempo na Av. Paulista seriam esquecidas e os seus participantes se recolheriam, envergonhados, às suas bem equipadas casernas. Mas parece que o ar está mesmo carregado de uma onda reacionária que, envolvida e misturada com as frentes frias e quentes do nosso aquecimento global, nos trazem vírus que são muito resistentes.
A obviedade a que nos referimos, é evidente, é que um programa que busca cobrir as lacunas de uma desatenção a uma parcela mais necessitada da população não deveria ter oposição tão explicitamente desavergonhada.
Assim como o medo que tem a sua utilidade de nos prevenir de um perigo, por frear algumas das nossas impetuosidades, a vergonha, muita vezes, nos impede de cometermos atos que nos coloque em situações vexatórias, algumas delas que, mais do que ultrapassar alguma linha moral – sempre discutível – ultrapassa a linha ética, essa, que uma certa classe médica brasileira está, sem nenhuma vergonha, ultrapassando.
Os episódios ocorridos no Ceará, de médicos desavergonhados - que quando se formaram fizeram um juramento de respeito pela vida humana-, agrediram todas as vidas ali envolvidas: as dos médicos cubanos; as dos pacientes necessitados que serão atendidos pelos médicos cubanos - que eles se recusam a atender - e, evidentemente, às suas próprias vidas, estas que eles não conseguem sequer perceber esta autoagressão.
Mas ao episódio se somam ainda a de jornalistas, que não tendo a compreensão mínima das diferenças filosóficas entre humanismo e mercantilismo, confundem escravagismo com livre dedicação, ou ainda os que acham que médicos têm que ter “aparência”, de médico, seja lá o que isso queira dizer, mas, por convicção,  que não podem ter a aparência de “empregados domésticos”, como quis nos ensinar uma jornalista de Natal que nem mesmo para ser criticada alcança a condição de ser citada.
O cerne da questão é apenas um. Esta certa classe médica não quer atender a população situada nas periferias do país, o que é um direito que lhes cabe. Mas a questão não se encerra aqui. Eles pretendem, além disso, que ninguém as atenda. Não nos confundamos. Aqui não há meio termo. Essa classe médica, a despeito da atribuição que, por princípio ético, deveria os ligar à vida, a qualquer vida, estabelece um corte em que, para eles, algumas vidas valem mais que outras.  

( clicando em "mais informações", indicamos alguns links)

os renascentistas do masp

Da série as "obras do Masp", algumas do Renascimento Italiano.
Rafael.
Título:
Ressurreição de Cristo Dimensões:
52 x 44 cm
 

(mais obras em "mais informações")

sábado, 31 de agosto de 2013

as madalenas de ticiano

Ainda sobre a exposição Mestres do Renascimento, da postagem anterior, talvez valha como curiosidade falar um pouco mais sobre a obra “Madalena” de Ticiano.
Ticiano pintou quatro versões com tamanhos diferentes, com alguns elementos diferentes e até uma em um  suporte diferente. A que está na exposição é a que pertence ao Museu Hermitage, de São Petersburgo e é a mais famosa. Esta pintura foi mantida pelo artista até a sua morte. O quadro  que pertence ao Palácio Pitti em Florença, apresenta uma Madalena com os seios desnudos. Há ainda as versões que se encontram no Museu Nacional Capodimonte de Nápoles e a do Museu Getty de Los Angeles.



1560s, óleo s/ tela, 119 × 97 cm. Hermitage, São Petersburgo – Federação Russa. Procedência: Coleção Barbarigo, Veneza, 1850

c. 1530, óleo s/ madeira, 84 × 69 cm (85 × 68?). Palácio Pitti – Sala di Apollo, Florença – Itália.

c. 1550; 1567?, óleo s/ tela, 122 × 94 cm. Museu Nacional de Capodimonte – 1º plano, Sala 11, Nápols  Itália
.
 1555-65, óleo s/ tela, 106,7 × 93 cm? (42 × 36 5/8 in). Museu Getty – Pavilhão Norte, Los Angeles – Estados Unidos.

sábado, 24 de agosto de 2013

mestres do renascimento


Madalena de Ticiano
Desde o dia 13 de julho e até 23 de setembro, o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo apresenta a exposição “Mestres do Renascimento”. São 57 obras e, entre elas, algumas “primas”. Mas não são as obras-primas  o princípio da exposição, ainda que estas sejam o convite principal para uma visita.
O enfoque principal é o empreendimento de uma viagem através da cultura renascentista representada pela arte, envolta pela sua contextualização histórica e geográfica. Nessa viagem, somos levados além de Florença, o que nos faz perceber que a revolução renascentista aconteceu, com características próprias, também em outros centros, como Roma, Veneza, Milão, Ferrara, Urbino.
Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Ticiano, Tintoretto, Veronese, Bellini entre outros: imperdível!
Abaixo o vídeo oficial da exposição.       

    
     
Serviço Exposição “Mestres do Renascimento: Obras-primas italianas” Até dia 29 de setembro no CCBB São Paulo Rua Álvares Penteado, 112, Centro 2ª/5ª, das 10h às 22h, 6ª das 10h às 23h, sáb/dom, das 8h às 23h Tel.: (11) 3113-3651 / 3113-3652 www.bb.com.br/cultura

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

terça-feira, 13 de agosto de 2013

mutações - o silêncio e a prosa do mundo

Mutações divulgacao
Em agosto de 2009, escrevi sobre a trajetória do ciclo de conferências organizados por Adauto Novaes lembrando dessa história de mais de 20 anos. Veja o texto aqui . Quatro anos depois, e tendo este Empório saltado as últimas três edições, voltamos ao tema com o artigo de Novaes, a página do ciclo e o serviço do Sesc Vila Mariana abaixo (em "mais informações"):

florestas do meu exílio

João Capiberibe lança livro sobre sua epopeia durante a ditadura militar

do Sesc Pompéia
O senador João Capiberibe lança nesta quinta-feira (15), na Choperia do Sesc Pompeia, o livro Florestas do meu exílio (Editora Terceiro Nome, 368 páginas). O livro surge 34 anos depois de o casal João e Janete Capiberibe, hoje parlamentares pelo Amapá, terem sido beneficiados pela Anistia e voltarem ao Brasil após um exílio de oito anos.
(Continua em "mais informações")

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

fora do eixo

Após o estrondoso sucesso do Mídia Ninja no último Roda Viva, publicado na íntegra na nossa postagem anterior, um depoimento da cineasta Beatriz Seigner colocou o coletivo Fora do Eixo  no meio de uma enorme discussão, talvez na condição de uma polêmica daquelas necessárias. Este empório, ainda sem uma análise, aponta alguns dos eixos dessa discussão com os links abaixo:
( Esta postagem é dinâmica. Como a questão tem sido muito repercutida, vamos acrescentando links lá embaixo)
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/fora-do-eixo-obstaculos-brasileiros-ao-aparecimento-do-novo

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/midia-ninja-e-fora-do-eixo-uma-polemica-necessaria

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-criticas-ao-modelo-do-fora-do-eixo

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-explosao-do-novo-e-o-rompimento-com-o-pensamento-medieval

http://www.google.com.br/webhp?source=search_app&gws_rd=cr#bav=on.2,or.&fp=b696f95ceca7e07a&q=fora+do+eixo

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xgHBTB4nyD8

Entrevista de Pablo Capilé à TV Forum:
http://revistaforum.com.br/blog/2013/08/revista-forum-e-outras-palavras-entrevistam-pablo-capile-do-fora-do-eixo/

Nota do Fora do Eixo:
http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/08/12/fora-do-eixo-solta-nota-dialogando-com-as-criticas-recebidas-nos-ultimos-dias/

"Eu sou uma escrava do Fora do Eixo": http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/08/13/eu-sou-uma-das-escravas-do-fora-do-eixo/

O linchamento da Mídia Ninja, por Luciano Martins Costa
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-linchamento-da-midia-ninja-por-luciano-martins-costa



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

mídia ninja no roda-viva

Foi uma aula de política, de cidadania e de jornalismo. Os jovens Bruno Torturra e Pablo Capilé, respectivamente, jornalista e produtor cultural, fundadores da NINJA - Narrativas Independentes Jornalismo e Ação - deram vários nós na bancada inquisidora do Roda Viva que, a todo custo, tentou enquadrá-los nos seus formatos pré-concebidos. Vale uma visita no vídeo abaixo que este Empório apresenta na íntegra.

domingo, 14 de julho de 2013

hannah arendt e o caso eichmann


Poderia ser um roteiro de filme de ação e espionagem, com todos os clichês pertinentes a esses tipos de filme, mas em 1960, 15 anos após o fim da 2° Grande Guerra, o Serviço Secreto de Inteligência Israelense Moussad, atravessou o Atlântico e sequestrou em solo argentino, Adolf Eichmann membro da estrutura da Alemanha nazista que depois de percorrer alguns países da Europa desembarcou em Buenos Aires. Foi levado para Israel e lá julgado e condenado à morte. Ficaria conhecido como "O Caso Eichmann".
Na plateia do prédio do tribunal de Jesuralém em 1962, a filósofa alemã de origem judia, Hannah Arendt, designada pela revista The New Yorker, acompanhava o julgamento. Da absorção de tudo que presenciou, escreveu inicialmente um artigo e posteriormente um livro, "Eichmann em Jerusalém" que abordou uma questão muito maior que o  julgamento em questão, que ela trataria como "a banalidade do mal", vinculada aos seus estudos sobre o totalitarismo. Não entendida, diante do clamor acusatório, acabou ela sendo acusada de fazer a defesa de Eichmann.
Fazendo um recorte biográfico deste episódio, a diretora alemã Margareth Von Trotta convidou Barbara Sukova para viver Hannah Arendt.
A parceria de Sukova e Von Trotta repete o êxito de "Rosa Luxemburgo", filme dos anos 80. Nos dois casos, a escolha deliberada da ausência de recursos de um drama palatável à emoção fácil, que seria instigante para uma cinegrafia hollywoodiana, dada a natureza das tramas, torna a abordagem seca e direta. Há uma cena que resume essa escolha. Após a publicação do artigo, Hannah faz uma conferência na universidade  em que leciona e Von Trotta nos coloca na plateia, não cedendo a uma presumível emoção de uma lente mais fechada, cercada pelas fisionomias de espectadores que passam da perplexidade ao entusiasmo. Von Trotta não julga, mas nos instiga a ler "Eichmann em Jerusalém" e nos leva, sobretudo,  a refletir sobre a condição humana, tema que percorreu toda a trajetória da pensadora Hannah Arendt, que não gostava de ser chamada de filósofa.

Ps1:Abaixo um link de um filme produzido pela RAI e dirigido por Rony Brauman e Eyal Sivam que trazem as cenas originais do julgamento de Eichmann:
https://www.youtube.com/watch?v=ac9oM-ECXyQ )
Ps2: Este empório já fez uma crítica sobre uma informação sobre a banalidade do amor , peça dirigida por Antonio Abujamra que (tenta) tratar do relacionamento entre Hannah Arendt e Martin Heidegger.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"as manifestações", por marilena chaui


As manifestações de junho de 2013 na cidade de São Paulo

por Marilena Chaui

Observações preliminares

O que segue não são reflexões sobre todas as manifestações ocorridas no país, mas focalizam principalmente as ocorridas na cidade de São Paulo, embora algumas palavras de ordem e algumas atitudes tenha sido comuns às manifestações de outras cidades (a forma da convocação, a questão da tarifa do transporte coletivo como ponto de partida, a desconfiança com relação à institucionalidade política como ponto de chegada) bem como o tratamento dado a elas pelos meios de comunicação (condenação inicial e celebração final, com criminalização dos “vândalos”) permitam algumas considerações mais gerais a título de conclusão.
O estopim das manifestações paulistanas foi o aumento da tarifa do transporte público e a ação contestatória da esquerda com o Movimento Passe Livre (MPL), cuja existência data de 2005 e é composto por militantes de partidos de esquerda. Em sua reivindicação especifica, o movimento foi vitorioso sob dois aspectos: 1. conseguiu a redução da tarifa; 2. definiu a questão do transporte público no plano dos direitos dos cidadãos e, portanto, afirmou o núcleo da prática democrática, qual seja, a criação e defesa de direitos por intermédio da explicitação (e não do ocultamento) do conflitos sociais e políticos.

O inferno urbano

Não foram poucos os que, pelos meios de comunicação, exprimiram sua perplexidade diante das manifestações de junho de 2013: de onde vieram e por que vieram se os grandes problemas que sempre atormentaram o país (desemprego, inflação, violência urbana e no campo) estão com soluções bem encaminhadas e reina a estabilidade política? As perguntas são justas, mas a perplexidade, não, desde que voltemos nosso olhar para um ponto que foi sempre o foco dos movimentos populares: a situação da vida urbana nas grandes metrópoles brasileiras. (continua em "mais informações")

quinta-feira, 27 de junho de 2013

não li e não gostei

Bom, a PEC 37 virou história, e prematuramente, e com derrota retumbante. Engordou a lista do “não li e não gostei”. Um parêntese: a expressão “não li e não gostei, diz a lenda, foi pronunciada pela primeira vez por Oswald de Andrade quando perguntado sobre um livro de José Lins do Rego. Fecho o parêntese. No caso da PEC 37, o que temos é uma variação. Seria um “não entendo e sou contra”.
Vitória inconteste da Globo. Mas alguém agora poderia nos responder quem pagou a conta da milionária campanha promovida pelo MPF? Tenho cá com meus botões que as inserções entre os Jornais Nacionais, que custam a bagatela de 500 mil por 30s, foi subsidiado pela rede platinada, mas isso nunca saberemos. O MPF tem orçamento próprio. Sobra-lhe recursos para as outras tantas campanhas em todas as revistas e jornais de peso do país como foi feita? A campanha, nada didática, foi realizada, para "sabermos" que a PEC 37 era a favor da impunidade e de todos os corruptos do país.
Voltaremos em breve, neste Empório, a falar de arte & congêneres.


Um P.S: Joseph Pulitzer, do "Prêmio Pulitzer de Jornalismo" já nos disse que "uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela".

domingo, 23 de junho de 2013

a pec 37


foto de Maureen Bisilliat
Vamos então à PEC 37. A Proposta de Emenda Constitucional n° 37. Muito  se tem falado e pouco se tem compreendido do que se trata. Algo parecido com o que ocorre com Carlos Drummond de Andrade: todos sabem que existe e até , eventualmente, conhecem um versinho ou outro, mas pouquíssimos o leram de fato.  Nessas manifestações, vi algumas pessoas exibindo cartazes contra a PEC 37. Curioso, perguntava a elas a razão da contrariedade e percebi, na maioria dos casos, que não sabiam nem mesmo do que se tratava. Quando muito, tinham escutado algo como “ela não é boa para o país” ou algo mais contundente ainda: “ela é antidemocrática”. Ora, se a percepção sincera de quem estava nas manifestações era a de que estavam no pleno exercício da democracia, algo que é carimbado como antidemocrático deve ser combatido. Uma espécie de “pensamento de manada”. (continua em "mais informações")

quarta-feira, 19 de junho de 2013

"movimentos sociais na era da internet"

Como disse na postagem anterior, que chamei de “artigo em construção”, cada amanhecer pode nos trazer novas surpresas e talvez a única certeza que temos neste momento, é de que não há certezas no horizonte mais próximo. O movimento toma proporções que escapam ao entendimento, mas por uma mera coincidência, o sociólogo espanhol Manuel Castells que tem se debruçado sobre a questão dos movimentos sociais na era da internet, esteve em São Paulo na semana passada para ministrar uma palestra no evento Fronteiras do Pensamento. A palestra foi no dia 11, dois dias antes da grande manifestação, ferozmente combatida pela polícia do Estado de São Paulo.

O assunto foi tratado por Alexandre Matias do blog Galileu que este Empório reproduz abaixo.



O ponto em comum entre a praça Taksim e avenida Paulista
por Alexandre Matias


O sociólogo espanhol Manuel Castells falou nesta terça-feira em São Paulo sobre esta nova modalidade de manifestação social – que começa na internet e vai para as ruas.

Ao mesmo tempo em que o sociólogo espanhol Manuel Castells falava em mais uma palestra do evento Fronteiras do Pensamento, que aconteceu no Teatro Geo na terça-feira desta semana, em São Paulo, a tensão entre manifestantes contra o aumento da passagem de ônibus e a polícia militar chegava às vias de fato a poucos quilômetros dali, na Avenida Paulista. Não estava alheio ao que acontecia na cidade, ao citar o protesto paulistano como uma das inúmeras manifestações de uma indignação que, nos últimos cinco anos, tem começado em um novo espaço social, a internet, para depois chegar às ruas, em massa.
(continua em "mais informações")