terça-feira, 29 de julho de 2014

palestina 2

Lista provisória das crianças mortas na Faixa de Gaza:
(veja a lista clicando em "mais informações")

domingo, 20 de julho de 2014

palestina

Esta foto retrata Suhaib Hijazi de dois anos e seu irmão Muhammad de três, mortos em novembro de 2012 quando um míssil israelense atingiu a casa em que moravam em Gaza. O pai das crianças foi morto no mesmo ataque e a mãe foi internada em estado grave. Parentes, transtornados, carregavam as crianças mortas. A foto, de Paul Hansen, ganhou o prêmio da World Press Photo de jornalismo.
Lembrei desta foto porque neste momento, outras crianças também estão morrendo na Faixa de Gaza em ataques israelenses em retaliação às ações do Hamas.
Nesta última noite, pelo menos 40 pessoas foram mortas, um "massacre de civis", segundo o Ministério de Saúde em Gaza.
Os ataques aconteceram depois de um pacto de trégua. Segundo o site Ópera Mundi, "Durou pouco o cessar-fogo humanitário promovido pela Cruz Vermelha para evacuar palestinos de um bairro de Gaza. O governo de Israel e o Hamas tinham combinado neste domingo (20/07) uma trégua humanitária de duas horas no bairro de Shayahía, na cidade de Gaza, que foi intensamente bombardeado na noite de sábado."
"No momento em que o exército de Israel confirmou que aceitava o cessar-fogo, uma procissão de ambulâncias e viaturas de resgate se dirigiu ao bairro. Entretanto, poucos minutos após o começo da trégua humanitária, recomeçaram as explosões, causando caos na caravana de ambulâncias.lum dia depois de o Hamas ter proposto um atrégua e Israele teria aceitado"
Desde o início do conflito, 390(*) pessoas morreram e mais de 3.000 ficaram feridas.
A presidenta Dilma classificou a ofensiva israelense como desproporcional.

Não basta à Israel desconsiderar todas, absolutamente a todas as resoluções da ONU. Desconsidera também qualquer ação, como fez o governo de Netanyahu em setembro de 2011, à solicitação documental de intelectuais, cientistas e artistas, muitos deles judeus, em favor da criação do Estado Palestino, que já tem, inclusive, assento na ONU, mas que continua sendo desconsiderado olimpicamente por Israel e pelos EUA. Não há dúvidas: Israel continuará a exercer o seu impressionante poderio e fará o que bem entender e, ao que tudo indica, veremos mais fotos como essa de Paul Hansen.

(*) Hoje, 05 de agosto, já passam de 1.800 os palestinos mortos.

o belas artes reabre as portas


Em 18 de março de 2011 este empório, triste, postou o belas artes fecha as portas. Ontem, com filas imensas, reabriu. Salve!

domingo, 13 de julho de 2014

e a copa terminou...

Chegamos ao final. Alemanha campeã e Argentina vice mais uma vez em uma das melhores Copas da história. A seleção brasileira deu vexame dentro do campo e, fora dele, demonstrou viver uma realidade paralela através das entrevistas coletivas que beiraram o patético. Se na Copa de 1982 tivemos o personagem Pacheco, nesta tivemos a Dona Lúcia, figura que se candidata a ficar no folclore do futebol nacional. Mas, se a "pátria de chuteiras" e os profetas do apocalipse que apostaram que tudo iria dar errado perderam, o Brasil ganhou e muito. A Copa foi um sucesso em todos os sentidos. Alavancou uma imagem positiva do país nos quatro cantos do mundo, com a enorme receptividade dos brasileiros; com estruturas adequadas ao evento e com grande poder de organização. Não houve pane nas comunicações (muito ao contrário: foi a Copa mais conectada da história) nem nos aeroportos; os estádios ficaram prontos, os transportes funcionaram sem solavancos, levando milhares de torcedores que acompanharam suas seleções às cidades-sede, e, mesmo as manifestações que prometiam infernizar o mês de junho se apequenaram diante do envolvimento que a Copa proporcionou.
O impacto econômico também é outra grande marca. A Isto É Dinheiro publicou estudo da Fipe/Usp (ver matéria aqui ) que indica que a Copa movimentou R$ 30 bilhões. Destes, R$ 25 bilhões foram investimentos do governo federal em infra-estrutura. Os custos com estádios representaram R$ 8 bilhões e são empréstimos do BNDES. R$ 12 bilhões foram destinados à construção de corredores de ônibus e novas vias de acessos além de R$ 7,3 bilhões para a modernização de aeroportos. São legados que ficam. Foram criados 900 mil empregos durante a Copa. O setor de turismo também teve um retorno acima da expectativa. Diz a matéria da Isto É, que a cidade de São Paulo esperava um ganho de R$ 700 milhões mas a uma semana do encerramento da Copa o volume já passava de R$ 1 bilhão. Há ainda uma pesquisa que demonstrou que a grande maioria dos turistas que aqui tiveram tem o interesse de retornar.
Enfim, agora basta esperar que o Felipão e a sua turma, descansem em paz, nos seus recantos aprazíveis e que levem com eles os milionários vasos da CBF e os apocalípticos profetas que devem estar com uma ressaca danada.

domingo, 15 de junho de 2014

pra não dizer que não falei de futebol

O futebol, não há dúvida, tem como principal combustível a paixão o que não significa que ele possa, e por vezes deva, ser racionalizado.
A literatura tem sido prodigiosa com o tema. José Miguel Wisnik escreveu o ótimo "Veneno Remédio", editado pela Cia. das Letras. Há um livro que sempre recomendo que é o "Cuentos de Futbol Argentino", uma seleção deliciosa de contos organizados por Roberto Fontanarrosa e editado pela Alfagarra, até onde sei, sem, ainda, a tradução para o português. São 18 contos, dentre eles os de José Luis Borges e Adolfo Bioy Casares. É ótimo também "Futebol, ao Sol e à Sombra", de Eduardo Galeano editado pela LPM. Cito por fim, um grande estudo do historiador medievalista Hilário Franco Júnior, "A Dança dos Deuses, Futebol, Sociedade e Cultura" (Cia. das Letras), de onde fisgo dois trechos: "Torcer supõe alterar a configuração de um evento, moldar psiquicamente um fato para adequá-lo ao espaço do desejo", e, "No futebol, o vencedor comemora e o perdedor justifica. Como na vida. Entretanto, o futebol apresenta um fator positivo do ponto de vista psicológico: cada partida, cada temporada, oferece a esperança de um novo recomeço. Reescrever periodicamente o script da vida só é possível no futebol".

Feito este preâmbulo, vou à razão desta postagem: a abertura da Copa do Mundo.
Houve tempo, muito tempo para que fosse produzido algo que nos representasse, não só simbólica e culturalmente, como também pela capacidade de realização. Não sei qual foi a interferência da Fifa neste evento de abertura, mas o que se viu foi uma estereotipia vesga, fantasiada de samambaia, que faria Joãozinho Trinta, se vivo fosse, rubro de vergonha. O ápice do imbróglio, se deu quando, na abertura da bola incandescente, surgiu aquela que representou a nossa musicalidade. Para um país que produziu Villa Lobos, Chiquinha Gonzaga, Guiomar Novaes, Nelson Freire, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola, Elis,Tom, Vinícius, Gismonti, Gonzagão, Gonzaguinha, Caymmis, Chicos, Gils, Caetanos, Bethanias, Claras, Naras, samba, chorinho, frevo, maracatu, baião, xaxado e muito mais, fomos representados por uma escolha da indústria cultural. Mas isso não bastava. No meio de tamanha bagunça, ficou escondido aquilo que deveria ser o ponto máximo do evento: o caminhar e o pontapé inicial de Juliano Pinto, paraplégico, usando o exoesqueleto criado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Parece ser sintomático, nesse caldeirão, que Nicolelis ficasse renegado.
Depois tivemos a apresentação, emocionante, para muitos, do patriotismo com hino brasileiro cantando à capela e regado pelas lágrimas do nosso goleiro e dos nossos zagueiros. O culto à nação, representado pela "pátria de chuteiras" alcançou outro patamar, não com as vaias, democráticas na sua natureza, mas com a agressão ignóbil, grosseira, desqualificada que uma parcela da elite, posicionada nos setores mais caros do estádio, desferiu, aos berros,  à presidenta do país. Essa elite, que tem a pretensão de se apropriar e ressignificar os nossos símbolos, cantou com toda a emoção o hino nacional e talvez com a mesma empolgação, não teve nenhum constrangimento de ordem ética com a farsa burlesca impetrada pelo nosso centroavante Fred que culminou com um pênalti que nos levaria à vitória.
De toda sorte, nas quatro linhas, depois de três dias de competição, a arte do futebol parece redimir os nossos pecados e os "idiotas da objetividade", para lembrar Nelson Rodrigues, vão ficando menores. Tão menores, que aquela caixinha, a "caixinha de surpresas", que tão folcloricamente já definiu o futebol, pode acondicionar  todos eles. 


domingo, 1 de junho de 2014

esaú e jacó



Esaú e Jacó, além de famosos personagens bíblicos, dão nome a uma das grandes obras da literatura brasileira. O penúltimo livro de Machado de Assis, escrito 4 anos antes da sua morte, retrata a vida dos gêmeos Pedro e Paulo, irmãos antagônicos como  Esaú e Jacó, como Caim e Abel, como Omar e Yaqub - do livro "Dois Irmãos" de Milton Hatoun, que este Empório já resenhou .
O propósito desta postagem é apenas para instigar a leitura do bom e velho Machado, cuja obra completa está na condição de domínio público e, assim, pode ser encontrada na íntegra na internet.
Coloco na nossa prateleira, abaixo, o Capítulo XIX que, se não explica a origem da história, e nem antecede o que virá, mostra a técnica narrativa muito particular do grande autor brasileiro, em um dos trechos mais significativos da nossa literatura.


CAPÍTULO XIX
APENAS DUAS - QUARENTA ANOS. TERCEIRA CAUSA

Um dos meus propósitos neste livro é não lhe pôr lágrimas. Entretanto, não posso calar as duas que rebentaram certa vez dos olhos de Natividade, depois de uma rixa dos pequenos. Apenas duas, e foram morrer-lhe aos cantos da boca. Tão depressa as verteu como as engoliu, renovando às avessas e por palavras mudas o fecho daquelas histórias de crianças: "entrou por uma porta, saiu pela outra, manda el-rei nosso senhor que nos conte outra". E a segunda criança contava segunda história, a terceira terceira, a quarta quarta, até que vinha o fastio ou o sono. Pessoas que datam do tempo em que se contavam tais histórias afirmam que as crianças não punham naquela fórmula nenhuma fé monárquica, fosse absoluta, fosse constitucional; era um modo de ligar o seu Decameron delas, herdado do velho reino português, quando os reis mandavam o que queriam, e a nação dizia que era muito bem.

terça-feira, 20 de maio de 2014

um direito de resposta histórico

Esta postagem não está referenciada a uma data redonda. Pelo menos não exatamente redonda. Ocorreu há pouco mais de 20 anos. Exatamente, seriam 20 anos, dois meses e cinco dias. Em 15 de março de 1994 o Jornal Nacional teve que ceder preciosos minutos para cumprir uma ordem judicial de direito de resposta à Leonel Brizola. Um momento histórico, sobretudo se pensarmos que os abusos da grande e oligopolizada mídia, continuam a cometer os abusos que atrasam o nosso processo democrático e que tornam tão importante a discussão sobre a Regulação da Mídia. Cid Moreira, a grande voz do dono, foi o responsável pela narração. Abaixo o vídeo e mais abaixo o texto de Fernando Brito contando os bastidores da ação, publicado no Tijolaço no dia da data redonda, dois meses e cinco dias atrás.



por Fernando Brito, no Tijolaço
Hoje, se completam 20 anos do dia em que Cid Moreira, com seu ar afetado e seus cabelos brancos (nem os muito velhos se lembram dele de cabelos pretos…), começou a ler o histórico direito de resposta de Leonel Brizola no Jornal Nacional.
Foi  a penúltima vitória do guri que saiu de Carazinho para enfrentar o mundo, um quixote gaúcho, do tempo em que os gaúchos eram quixotes e provocavam os versos geniais do pernambucano Ascenso Ferreira: Riscando os cavalos!/Tinindo as esporas!/Través das cochilhas!/Sai de meus pagos em louca arrancada!/— Para que?/— Pra nada!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

encontro de blogueiros e ativistas digitais



Começa hoje o Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais. Veja a página do Encontro aqui

sábado, 3 de maio de 2014

melhor, mas pior / por janio de freitas

O jornalista Janio de Freitas continua sendo água no deserto da Folha..

Se, apesar da situação econômica melhor, o sentimento é pior, claro que se trata de algo induzido.

Janio de Freitas
Com intervalo de quatro dias, dois dos jornalistas que mais respeito pela integridade e aprecio pela qualidade, Vinicius Torres Freire e Ricardo Melo, levam-me a ser mais uma vez desagradável com o meu meio.
 (continua em "mais informações")

terça-feira, 22 de abril de 2014

a tv excelsior e a ditadura

Este texto de Laurindo Leal recupera um pouco da nossa memória roubada. A TV Excelsior era a principal emissora do país na primeira metade da década de 60. Tida pela junta militar como mais independente do que deveria ser, passou a ser perseguida e sistematicamente censurada pela ditadura. Sofreu ainda dois incêndios em uma mesma semana e, finalmente, em 1° de outubro de 1970 o falecido jornalista Ferreira Neto, a serviço da ditadura, invade os estúdios, e, ao vivo, informa aos telespectadores que a TV estava extinta. Iniciava-se  ali, o reinado da Rede Globo.
Da Carta Maior
Laurindo Lalo Leal
Apesar do desfecho trágico que levou o Brasil a uma ditadura sanguinária, em termos de mídia estávamos melhor naquela época do que hoje.
"(continua em "mais informações")

quinta-feira, 17 de abril de 2014

solidão.., muito mais que solidão, cem anos de solidão..

Foi-se, Gabriel García Márquez.

"O segredo de uma velhice agradável consiste na assinatura de um honroso pacto com a solidão"

Este era Gabo: "Um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se".

terça-feira, 15 de abril de 2014

respeitosamente vândala: entrevista com ivana bentes

Nesta entrevista, Ivana Bentes vai muito além dos ditames básicos do jornalismo. Ela discorreu sobre tudo ou muito daquilo que nos cerca nessa pólis contemporânea.
A entrevista foi publicada na Revista Cult edição 188.


por Eduardo Nunomura

Respeitosamente vândala

Confira, na íntegra, a entrevista com a pensadora e ativista Ivana Bentes, publicada na CULT 188
“Inocente, pura e besta”. É assim que a ensaísta e professora Ivana Bentes diz ter chegado ao Rio de Janeiro, em 1980, família de comerciantes, sem sobrenome para ostentar, nascida em Parintins, no Amazonas, e tendo passado a juventude em Rio Branco, no Acre. Foi a entrada em uma universidade pública, a Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que mudou sua trajetória. Segundo ela, frequentar um espaço que ainda forma uma elite não foi uma inclusão, mas uma intrusão social, daquelas que fazem uma pessoa dar um salto astronômico. Foi naquele ambiente universitário borbulhante de oportunidades e desafios que Ivana foi traçando sua carreira profissional. Primeiro como redatora e ensaísta no Caderno Ideias, do Jornal do Brasil, onde teve a oportunidade de se conectar com centenas de escritores, intelectuais e pensadores. E antes escrevendo sobre cinema na revista TABU,do Grupo Estação Botafogo, o icônico cinema carioca, que deu a ela a chance de se formar cinematográfica e culturalmente e mais tarde protagonizar polêmicas como a que lançou em torno do filme Cidade de Deus e sua “cosmética da fome”. No Jornal do Brasil, entendeu o jogo de influência cultural, política e de intervenção no mercado da mídia e suas engrenagens. No início dos anos 1990, engatou um mestrado e um doutorado na ECO, mas foi com a formação em grupos de estudo de filosofia, onde mergulhou no pensamento de Gilles Deleuze, Michel Foucault e mais recentemente Antonio Negri, que pôde perceber o poder de mobilização dos conceitos. Na ECO, onde entrou como aluna, se tornou professora da pós-graduação e diretora, tendo como professores e depois colegas Muniz Sodré, Márcio Tavares d’Amaral, Emanoel Carneiro Leão, Heloísa Buarque de Hollanda. Percebeu rapidamente que a Universidade só faria diferença se fosse o ambiente para o surgimento de formadores de opinião, críticos, pensadores e agentes de transformação e não formar o profissional fordista substituível das redações. Entre 2006 e 2013, ela assumiu a direção da ECO decidida a usar o grande laboratório universitário para radicalizar práticas democráticas, estimulando os alunos a participarem de ações de ativismo, movimentos culturais e sociais da cidade, redes de mídia e cultura. Nesta entrevista, Ivana Bentes discute as novas diretrizes para os cursos de jornalismo, política e comunicação, o midialivrismo, a sociedade em rede e as mutações pós-mídiasdigitais. Para ela, se o capitalismo é comunicacional, a revolução terá que ser também midiática. Ciente da importância do campo das Comunicações nos dias de hoje, para muito além dos bancos universitários, a professora afirma que há momentos em que é preciso sair do figurino acadêmico para poder se comunicar e falar para o público fora da academia. Talvez por isso a jovem “inocente, pura e besta” topou posar para a foto dessa reportagem numa pose que ela chama de “respeitosamente vândala”.
(clique em "mais informações" para ler a entrevista)

domingo, 30 de março de 2014

ditadura nunca mais: 50 anos do golpe militar

Nesta segunda, 31 de março a partir das 9 horas, a Comissão estadual da Verdade Rubens Paiva organiza o ato Ditadura Nunca Mais: 50 anos do golpe militar que se realizará no antigo prédio do DOI-CODI, na rua Tutóia 921 em São Paulo.
Aqui, o link que traz todas as informações além do manifesto na íntegra.

o golpe militar e a entrevista de anivaldo padilha

Há cinquenta anos, em 31 de março de 1964, o Brasil sofreu um golpe militar, instigado e apoiado por uma elite civil burra. Esta lembrança é necessária porque a democracia no país é ainda um processo não consolidado. Falamos um pouco sobre isso no artigo o risco que corremos em outubro de 2012. Há ainda outras postagens que trataram do tema, como a última vitoria da ditadura em maio de 2010, ou, militares, os fardados e os de pijama há exatos dois anos, em março de 2012. Mais recentemente, em dezembro de 2013, publicamos a postagem Jango e a história fabricada e também fizemos a resenha crítica do filme 1964: um golpe contra o Brasil de Alípio Freire.
Este empório sugere, ainda, um extenso e importante artigo/reportagem do jornalista Luiz Cláudio Cunha publicado na revista Brasileiros, edição de janeiro de 2014, que causou grande repercussão. Cunha se deteve a analisar as razões do mea culpa da Rede Globo em relação à ditadura brasileira e do posicionamento crítico dos militares na ativa da Argentina,  do Chile, e do Uruguai em relação aos regimes militares em seus respectivos países, em contrapartida à posição dos militares brasileiros. O artigo "Por que os militares não imitam a Rede Globo" pode ser lido aqui .
Abaixo, uma entrevista de Anivaldo Padilha, pai do ex ministro Alexandre Padilha, concedida à Antonio Abujamra no seu programa "Provocações". A segunda parte pode ser vista acessando o link abaixo do vídeo.


A segunda parte da entrevista pode ser vista aqui

domingo, 2 de março de 2014

hiroshima, meu amor

Aos 91 anos, Alain Resnais estava em plena atividade. Recentemente escreveu e  dirigiu "Amar, beber e cantar", premiado no festival de Berlim e trabalhava e um novo filme. Criador de mais de 50 filmes, a estrela da Nouvelle Vague deixou algumas obras primas. "Hiroshima, meu amor", "O ano passado em Marienbad", "Providence", entre muitos outros, marcaram a história do cinema. Este empório comentou em agosto de 1997, o filme "Medos privados em lugares públicos". Veja aqui .
Cinéfilos de todo o mundo de luto.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

domingo, 16 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

comunicação & marco regulatório

Entrevista/debate com Franklin Martins. Programa Contraponto da TV do Sindicato dos Bancários com parceria do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé.



Abaixo o link para a discussão sobre o marco civil da internet:
http://www.youtube.com/watch?v=xazWpZgh41Y

domingo, 2 de fevereiro de 2014

apagou-se a luz do cinema nacional

Putz! Que notícia! Acaba de ser assassinado Eduardo Coutinho. Em novembro de 2007 este Empório comentou sobre o filme Jogo de cena, dizendo na época que "Eduardo Coutinho, reeducando o olhar, é a luz do cinema nacional."
O diretor de "Cabra Marcado para Morrer" nos deixa aos 80 anos.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

a grande beleza

Em julho de 2011 escrevi a crítica sobre o filme Cópia Fiel de Abbas Kiarostami. Lembrei deste filme porque o diretor iraniano nos leva a uma viagem que tem como ponto de partida o conceito de "cópia". Este não é o tema de "A grande beleza", filme do diretor italiano Paolo Sorrentino, mas ele foi acusado - é bem verdade que por uma minoria de críticos - de fazer uma cópia, atualizada ( o que seria o único atenuante) de Fellini, sobretudo de A Doce Vida. Bobagem! Isso me parece resvalar em saudosismo reverencial e mitificador ao grande mestre. Fellini não precisa disso.
Sorrentino não esconde em momento nenhum a sua fonte. Nela se alimenta e dela segue seu caminho.

Como escrevo este texto no momento em que o filme já esta saindo de cartaz, muito já foi dito e não há muito a acrescentar, apenas, talvez, uma subjetividade amarga...de que o que Sorrentino nos traz é uma história universal que aponta para o sentido, ou falta dele, da vida.
Em um dado momento o filme se sintetiza e somos lembrados que tudo termina da mesma forma: com a morte, "mas primeiro havia a vida", sempre escondida nas palavras, nas conversas que nos colocam no mundo. "Está tudo sedimentado nos falatórios e rumores", que perpassam nos silêncios, nos sentimentos, nos medos e nas emoções. E tudo envolto pelos "insignificantes e inconstantes lampejos de beleza". Mas depois há "a miséria desgraçada e o homem miserável (...) sepultado sob a capa do embaraço de estar no mundo". É preciso assim, falar, falar, falar até que as palavras não façam mais sentido. Até que a vida se desenlace pelas futilidades cotidianas que nos carregam pelo tempo finito, sem um Deus a nos guiar, aqui sim, como em Fellini, de A Doce Vida.

O "Aparelho humano" é o livro sobre o qual nada sabemos. É o livro que Jep Gambardela, a figura central do filme, escreveu há muito tempo.  (O nome parece sugestionar o livro "A Condição Humana" de Hannah Arendt que, coincidência ou não, trata da vida condicionada ao mundo, com todos os elementos que levam o homem a se integrar à esfera pública.). O que sabemos apenas, é que, seja lá do que trate o livro, ele marcou um momento e fez do escritor, de um único livro, o personagem de si mesmo. Aquele que vagueia por Roma como o notívago que desvenda a dualidade da melancolia associada a confortante beleza que a cidade pode conceder.
O filme é belo fotograficamente, e traz uma Roma- personagem do filme -, ainda que decadente, esplendorosa. O simbolismo do moderno apartamento de Jep Gambarlela, que da varanda tem a vista para o Coliseu me parece dizer que o absurdo - nos mesmos moldes de que nos falou Albert Camus - não se prende a uma época; ele faz parte da história da humanidade e neste aspecto, Sorrentino pede licença e se descola de Fellini.
Um filme dos grandes!

domingo, 19 de janeiro de 2014

lembrando que há esperanza

Eu não sei se há esperança para a humanidade. Às vezes desconfio que não. Mas há Esperanza. Esperanza Spalding, a espetacular cantora e contrabaixista estadunidense que aprendeu a língua portuguesa por admirar a música brasileira. Volto a falar dela porque acabo de assistir à sua apresentação no Sesc Pinheiros ao lado do grande compositor Guinga. Show impecável!
Em 13 de maio de 2012 eu postei há esperanza . Fica o convite.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

era uma vez um arrastão

Nestes tempos de rolezinho, este vídeo de Portugal é quase didático.


rolezinho, por eliane brum

Informe exibido à entrada do JK Shopping comunica decisão da Justiça que barra evento "Rolezaum no Shoppim" Foto: Taba Benedicto / Futura Press
Reproduzimos abaixo, do El País, versão em português, o artigo de Eliane Brum, e a entrevista com o antropólogo Alexandre Barbosa Pereira que partem do que ficou conhecido nessa virada do ano por "rolezinho"

Do  El País
por Eliane Brum

Os novos “vândalos” do Brasil

O rolezinho, a novidade deste Natal, mostra que, quando a juventude pobre e negra das periferias de São Paulo ocupa os shoppings anunciando que quer fazer parte da festa do consumo, a resposta é a de sempre: criminalização. Mas o que estes jovens estão, de fato, “roubando” da classe média brasileira?


O Natal de 2013 ficará marcado como aquele em que o Brasil tratou garotos pobres, a maioria deles negros, como bandidos, por terem ousado se divertir nos shoppings onde a classe média faz as compras de fim de ano. Pelas redes sociais, centenas, às vezes milhares de jovens, combinavam o que chamam de “rolezinho”, em shopping próximos de suas comunidades, para “zoar, dar uns beijos, rolar umas paqueras” ou “tumultuar, pegar geral, se divertir, sem roubos”. No sábado, 14, dezenas entraram no Shopping Internacional de Guarulhos, cantando refrões de funk da ostentação. Não roubaram, não destruíram, não portavam drogas, mas, mesmo assim, 23 deles foram levados até a delegacia, sem que nada justificasse a detenção. Neste domingo, 22, no Shopping Interlagos, garotos foram revistados na chegada por um forte esquema policial: segundo a imprensa, uma base móvel e quatro camburões para a revista, outras quatro unidades da Polícia Militar, uma do GOE (Grupo de Operações Especiais) e cinco carros de segurança particular para montar guarda. Vários jovens foram “convidados” a se retirar do prédio, por exibirem uma aparência de funkeiros, como dois irmãos que empurravam o pai, amputado, numa cadeira de rodas. De novo, nenhum furto foi registrado. No sábado, 21, a polícia, chamada pela administração do Shopping Campo Limpo, não constatou nenhum “tumulto”, mas viaturas da Força Tática e motos da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) permaneceram no estacionamento para inibir o rolezinho e policiais entraram no shopping com armas de balas de borracha e bombas de gás.

(segue em "mais informações")


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

rolezinho gente fina

Os Frias, os Mesquitas, os Civitas e os Marinhos nem perceberam este "rolezinho" dos alunos da FEA-USP.

domingo, 5 de janeiro de 2014

solaris e 2001

Aproveitei os feriados para rever duas grandes obras do cinema. Refiro-me à 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO, de Stanley Kubrick e SOLARIS, de Andrei Tarkovsky. Nas ocasiões em que assisti a esses filmes, elas ocorreram com grande intervalo de tempo entre um e outro filme. Desta vez assisti-os quase que na sequência, tendo uma apreensão diferente da  que tive anos atrás.
"2001" é de 1968 e "Solaris" de 1972 e - ainda numa atmosfera de um mundo em Guerra Fria - "Solaris" foi recebido como uma resposta soviética à "2001". Bobagem. São duas obras que, se não são antagônicas, partem de princípios diferentes. Kubrick, a grosso modo, trata do espaço exterior, em que apresenta os paradoxos de uma arquitetura de pensamento e ações humanas que levam a consequências de difíceis soluções. Tarkovsky faz um caminho inverso, que não
necessita de grandes efeitos visuais, já que a viagem é ao nosso interior, com todas as complexidades que isso possa supor. É um filme de caráter psicanalítico. Como toda a obra do diretor russo, - o maior entre todos, para Ingmar Bergman -  ele exige muito do espectador mas o recompensa ao final.
Após rever os dois filmes, apareceu, quase que inevitavelmente, a  tentação de fazer pesquisas na internet. Muitas curiosidades, entre elas, a de que a trilha sonora de "2001" seria do Pink Floyd. Há um texto interessante no Omelete, blog de cinema, que tenta destrinchar algumas passagens do filme e que conta essa história do Pink Floyd. Vendo hoje, seria difícil imaginar o filme sem o poema sinfônico composto por Richard Strauss baseado no livro "Assim Falou Zaratustra" de Nietzsche.
Mas há dois links que faço questão de compartilhar. Este , alegoricamente, percorre o filme de Kubrick de maneira interessante, ainda que, evidentemente, com as suas subjetividades. A outra, esta , mais do que um artigo, um estudo sobre "Solaris" do hoje professor da UNESP e escritor Giovanni Alves.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

agora é 2014


Al andar se hace el camino, / y al volver la vista atrás / se ve la senda que nunca / se ha de volver a pisar.
Antonio Machado (1875 – 1939)

domingo, 29 de dezembro de 2013

jango e a história fabricada

Em 1964 os maiores grupos de comunicação do país vociferavam contra o governo João Goulart, propagandeando a cisão entre a opinião pública e o governo. Entretanto, pesquisas da época - engavetadas - diziam exatamente o contrário. O historiador Luiz Antônio Dias, que prepara um livro sobre o tema, concedeu entrevista à Carta Capital em novembro último destrinchando este lado até então oculto da nossa história.

O jornalista Luis Nassif tratou também do assunto no seu blog em texto que reproduzimos abaixo:



A primeira vez que ouvi falar nas pesquisas do Ibope sobre o governo Jango foi em um congresso da Wapor (a associação latino-americana de pesquisas de opinião) em Belo Horizonte. Participei de um debate sobre o novo papel dos blogs junto à opinião pública. Um dos papers apresentados mencionava dados gerais da pesquisa, localizada nos arquivos que o Ibope doou à Unicamp.
Nesta semana, na Carta Capital, há uma entrevista de Rodrigo Martins com o historiador Luiz Antônio Dias sobre as pesquisas. Os números são impressionantes:(continua em "mais informações")

sábado, 30 de novembro de 2013

camus e sartre

" Uma briga não é senão - mesmo se nunca mais vê o outro - uma outra maneira de viver junto e não se perder de vista neste pequeno mundo estreito que nos é dado. Isso não me impedia de pensar nele, de sentir seu olhar sobre a página do livro, sobre o jornal que ele lia, de me perguntar: " o que ele está dizendo disto? o que ele está dizendo disto neste momento?"
Foi assim que Sartre se referiu a Camus tempos depois dos dois terem rompido a relação no início da Guerra Fria.
O pesquisador Ronald Aronson se debruçou sobre o relacionamento dos dois maiores expoentes das letras francesas do século 20, contextualizando a história que demarcou os limites de um e de outro no período que antecedeu a Segunda Grande Guerra e o início da Guerra Fria.
Não se trata de nenhum lançamento. O Livro foi lançado em 2005 e editado no Brasil em 2007 pela Editora Nova Fronteira, mas continua sendo uma obra única, em que a tessitura das tramas que envolveram Camus e Sartre estão ali, no livro, muito bem amarradas.
Olgária Matos escreveu na ocasião do seu lançamento, a resenha crítica que este Empório recupera.

Camus e Sartre, o duelo da ética

Como a Paris de Proust surgia por inteiro de uma xícara de chá, a cidade - agora existencialista - é a do Quartier Latin, onde se configuraram a amizade e a polêmica entre Jean-Paul Sartre e Albert Camus. Em "Camus e Sartre", Ronald Aronson reconstitui a conjuntura política, intelectual e dos afetos que aproxima Camus e Sartre na França dos anos 1930, mostrando dois amigos na contramão.
Enquanto Camus, já nos anos 30, se engaja na luta antifascista e se posiciona contra a política colonial na Argélia e, mais tarde, vem a ser o editor do "Combat" - jornal clandestino dos anos da resistência à ocupação alemã na Segunda Guerra -, Sartre se interessa apenas por questões epistemológicas e somente depois de 1941 começa a se aproximar da política. (continua em "mais informações")

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

cardozo responde

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

e na argentina...

domingo, 10 de novembro de 2013

clara nunes

Trinta anos sem Clara. O Empório relembra:


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

memórias do chumbo - o futebol nos tempos do condor

O jornalista e historiador Lúcio de Castro já foi citado neste Empório ( basta clicá-lo nos marcadores). Entre tantos bons trabalhos, ele concebeu e dirigiu  quatro extraordinários documentários sobre as ditaduras argentina, chilena, uruguaia e brasileira, tendo como pano de fundo o futebol, que também foi um dos elementos da Operação Condor, uma aliança político-militar entre várias ditaduras de países da América Latina.
O episódio abaixo é o da Argentina e mais abaixo os links dos outros três, do Chile, do Uruguai e do Brasil.
Imperdível! Um dos melhores trabalhos sobre o tema.



No Chile
No Uruguai
No Brasil




quarta-feira, 23 de outubro de 2013

pitacos da mostra 2013


Já está acontecendo a 37° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Até o dia 31 de outubro 350 filmes serão exibidos em mais de vinte espaços. Como na Mostra ( também aqui ) do ano passado, farei para a deste ano a mesma seção "Pitacos da Mostra" com comentários brevíssimos dos filmes que vou assistindo...

"INSIDE LLEWYN DAVIS", de Ethan e Joel Cohen - Os irmãos Cohen estão em forma. Neste filme circular, o universo folk se fecha num beco donde ecoa a música  daquele que se chamaria Bob Dylan.

"A MORTE PASSOU PERTO" - Curioso. Curta precedido por 3 dos primeiros trabalhos da Stanley Kubrick Produções que tem até um padre voador e que valeu só pela curiosidade. Kubrick começa a nascer com este último, que fecha a sessão, "A Morte Passou Perto."

VICTOR YOUNG PEREZ, França, Bélgica, Bulgária. De Jacques Ouaniche. Bom filme. Uma grande história, real e dura. Filmografia com elementos 'roliudianos'.

ESTRADA PARA O NORTE, Finlândia. De Mika Kaurismäki. Inverossimilhanças escandinavas. No final melhora mas não convence.

THE LUNCHBOX, Índia, França, Alemanha. De Ritesh Batra. O universo indiano nos apresenta elementos inusitados, como a entrega de marmitas numa operação incomum. Mas como toda operação tem suas falhas, uma delas causa um argumento instigante muito bem trabalhado pelo roteiro e pela direção. Não há como não lembrar de "Nunca te vi e sempre te amei" de David Hugh Jones. Grande filme.

O PESO DOS ELEFANTES, Dinamarca, Nova Zelândia, Alemanha, França. De Daniel Joseph Borgman. Sensibilidade pura. Interpretações infantis magníficas num filme redondo. É o primeiro longa de Borgman. Se continuar assim, entre para o panteão do cinema.

QISSA: O FANTASMA É UM VIAJANTE SOLITÁRIO, Índia, Alemanha, França, Holanda. De Anup Singh. Difícil descrever essa viagem. Uma mistura de David Linch, Buñuel e Jorge Luis Borges. Um filme dos grandes.

PELO MALO, Venezuela, de Mariana Rondón. Para nós, seria "cabelo ruim", mas ruim é o filme.

O ESTRANHO CURSO DOS EVENTOS, França, Israel. De Raphael Nadjari. O filme começa e a gente espera. O filme continua e a gente espera. Mais um pouco e a mesma espera. O filme termina e pensamos que ele talvez não devesse ter começado.

METAMORPHOSEN, Alemanha. De Sebastian Mez. O filme, falado em russo, conta a história dos habitantes de uma região contaminada de radioatividade. O tema é denso mas o filme não precisava ser ainda mais.

SEGURANÇA NACIONAL, Coréia do Sul, de Chung Ji-Young. A literalidade da tortura. O drama da ditadura sul-coreana na década de 80 tratado de maneira a transbordar pela tela. Torturar o espectador não é a melhor maneira de "dedicar" o filme "a todos os torturados do mundo", como diz ao final.

O VERÃO DOS PEIXES VOADORES, Chile, França, de Marcela Said. O triângulo explorado, explorador e o amor neste filme que reafirma o Chile, além da Argentina, como as principais cinematografias latino-americanas já há um bom tempo.

ALGO NO CAMINHO, Indonésia, de Teddy Soeriaatmadj. Drama da psique humana retratada de maneira crua, sem subterfúgios.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

azam ali - in other worlds

Azam Ali nasceu no Irã, em Teerã, mas foi criada na Índia de onde absorveu muito das suas influências musicais. Além de compositora é multi-instrumentista.


sábado, 28 de setembro de 2013

jose "pepe" mujica na onu

A Assembléia Geral da ONU deste ano trazia uma expectativa voltada para as questões da crise econômica que ainda contamina muitos países, sobretudo na Europa, e a questão, ou talvez  a falsa questão da Síria. A maioria dos discursos foram protocolares. A presidenta Dilma Roussef pegou uma outra estrada e fez um discurso forte, direcionado, como tinha que ser, defendendo a soberania nacional e atacando a bisbilhotice do governo dos EUA, e teve uma grande repercussão internacional. Aqui o discurso na íntegra.
Mas foi um outro discurso que alcançou um patamar muito acima das questões rasteiras que definem as peças do jogo das relações de poder no mundo: a antológica fala do presidente uruguaio José "Pepe" Mujica.
Dentro da Teoria do Caos, o bater de asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo. O chamado "efeito borboleta". O discurso de Pepe Mujica - sabemos - ainda que fique nos anais da ONU, não causará ao menos uma brisa nos rumos mercantilizados do planeta. De qualquer forma, este Empório entende que o velho Pepe deve ser sempre ouvido e por isso o apresenta na sua versão original e com o texto em português clicando em "mais informações".



terça-feira, 24 de setembro de 2013

pablo neruda

Ontem completou-se 40 anos da estranha morte do poeta chileno Pablo Neruda, fato ocorrido apenas 12 dias após o golpe militar que derrubou Allende. Abaixo dois emocionantes vídeos. O primeiro, o incrível funeral do poeta.




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

40 anos do golpe militar no chile

O presidente Salvador Allende
Há exatos 40 anos ocorria um dos muitos atentados à democracia na América Latina: o golpe de Estado que derrubou e levou à morte o presidente eleito Salvador Allende. Em 11 de setembro de 2011, este Empório tratou do tema sugerindo dois filmes. Um deles é o 11th september dirigido por 11 diretores, entre eles Ken Loach. Ver aqui . O outro é "A batalha do Chile", de Patrício Guzmán. Ver aqui . Falamos também na ocasião sobre o outro 11 de setembro: o atentado às Torres Gêmeas em Nova Iorque, recuperando um artigo escrito no dia 12 de setembro de 2001 e publicado pela Revista Revés do Avesso. Ver aqui

domingo, 1 de setembro de 2013

mais dignidade, mais respeito, mais médicos


Este Empório não pretendia colocar nas suas prateleiras a questão do Programa Mais Médicos por entender que seria discorrer sobre o óbvio e que, manifestações como a que vimos há algum tempo na Av. Paulista seriam esquecidas e os seus participantes se recolheriam, envergonhados, às suas bem equipadas casernas. Mas parece que o ar está mesmo carregado de uma onda reacionária que, envolvida e misturada com as frentes frias e quentes do nosso aquecimento global, nos trazem vírus que são muito resistentes.
A obviedade a que nos referimos, é evidente, é que um programa que busca cobrir as lacunas de uma desatenção a uma parcela mais necessitada da população não deveria ter oposição tão explicitamente desavergonhada.
Assim como o medo que tem a sua utilidade de nos prevenir de um perigo, por frear algumas das nossas impetuosidades, a vergonha, muita vezes, nos impede de cometermos atos que nos coloque em situações vexatórias, algumas delas que, mais do que ultrapassar alguma linha moral – sempre discutível – ultrapassa a linha ética, essa, que uma certa classe médica brasileira está, sem nenhuma vergonha, ultrapassando.
Os episódios ocorridos no Ceará, de médicos desavergonhados - que quando se formaram fizeram um juramento de respeito pela vida humana-, agrediram todas as vidas ali envolvidas: as dos médicos cubanos; as dos pacientes necessitados que serão atendidos pelos médicos cubanos - que eles se recusam a atender - e, evidentemente, às suas próprias vidas, estas que eles não conseguem sequer perceber esta autoagressão.
Mas ao episódio se somam ainda a de jornalistas, que não tendo a compreensão mínima das diferenças filosóficas entre humanismo e mercantilismo, confundem escravagismo com livre dedicação, ou ainda os que acham que médicos têm que ter “aparência”, de médico, seja lá o que isso queira dizer, mas, por convicção,  que não podem ter a aparência de “empregados domésticos”, como quis nos ensinar uma jornalista de Natal que nem mesmo para ser criticada alcança a condição de ser citada.
O cerne da questão é apenas um. Esta certa classe médica não quer atender a população situada nas periferias do país, o que é um direito que lhes cabe. Mas a questão não se encerra aqui. Eles pretendem, além disso, que ninguém as atenda. Não nos confundamos. Aqui não há meio termo. Essa classe médica, a despeito da atribuição que, por princípio ético, deveria os ligar à vida, a qualquer vida, estabelece um corte em que, para eles, algumas vidas valem mais que outras.  

( clicando em "mais informações", indicamos alguns links)