sábado, 23 de abril de 2016
golpe, não há outro nome
Há neste momento uma enorme incongruência entre a grande mídia nacional e a grande mídia internacional. The Economist,Guardian, El Pais, Le Monde, Financial Times, Reuters, Wall Street Journal, Le Parisien, Irish Times, New York Times, Pravda, El Observador, Al Jazeera, Fox News, CNN, La Nación e até mesmo o Clarin, entre muitos e muitos outros, dizem que está ocorrendo um golpe no Brasil. Na tentativa de construir uma narrativa diferente, Globo, Folha, Estadão, Abril, insistem em dizer o contrário..
quarta-feira, 20 de abril de 2016
"é surreal"
A imprensa internacional, até mesmo veículos conservadores e críticos ao atual governo brasileiro, como The New York Times, The Economist, Washington Post, Le Monde entre outros, tem se pronunciado de forma contundente sobre o absurdo ocorrido no Brasil no Congresso Nacional no último domingo.
Nesta matéria, publicada no Portal GGN, o jornalista Glen Greenwald diz em entrevista à CNN sobre o momento político no Brasil, que "é a coisa mais surreal que eu vi em meu tempo como jornalista em qualquer outro lugar, cobrindo política em vários países do mundo".
A matéria completa abaixo:
Nesta matéria, publicada no Portal GGN, o jornalista Glen Greenwald diz em entrevista à CNN sobre o momento político no Brasil, que "é a coisa mais surreal que eu vi em meu tempo como jornalista em qualquer outro lugar, cobrindo política em vários países do mundo".
A matéria completa abaixo:
Na CNN, jornalistas falam sobre crise brasileira
8
Jornal GGN – O jornalista Glen Greenwald falou à CNN sobre a crise política brasileira e a tentativa (até agora bem sucedida) de políticos corruptos derrubarem uma presidente honesta e democraticamente eleita. A mídia estrangeira vem realizando uma ampla cobertura do caso e os correspondentes internacionais não escondem seu assombro. “É a coisa mais surreal que eu vi em meu tempo como jornalista em qualquer outro lugar, cobrindo política em vários países”, disse Greenwald.
“A pessoa presidindo o processo de impeachment na Câmara, Eduardo Cunha, é alguém que, já se sabe, ocultou milhões de dólares em propinas. Não há nenhuma possibilidade que não envolva corrupção. Ele não tinha uma fortuna, nenhum negócio legítimo. Milhões de dólares escondidos em contas bancárias na Suíça. Ele é alguém que está presidindo a Câmara. E eles todos estão vindo à frente, um por um, todos acusados de corrupção e dizendo ‘nós devemos tirar a presidente por corrupção’. E surpreendentemente, a própria Dilma é uma das poucas pessoas que não são acusadas de receber propina”, relatou.
“Há essa grande investigação, chamada Lava Jato, na qual esses jovens promotores estão colocando as pessoas na prisão. A preocupação é que a intenção de derrubar Dilma seja dizer para o país: ‘Vejam, nós nos livramos do problema de corrupção’. E eles esperam que a pressão pública vá desaparecer depois dessa catarse do impeachment, e que as investigações vão acabar e todos os políticos verdadeiramente corruptos vão estar seguros”.
Abaixo, o vídeo da conversa entre os dois jornalistas e uma transcrição traduzida pela equipe do Jornal GGN:
( o link aqui e a entrevista transcrita, abaixo, clicando em "mais informações )
Marcadores:
crise política,
golpe,
política
domingo, 17 de abril de 2016
temos que falar sobre as bananas
Primeiro em Honduras. Depois no Paraguai. Agora o primeiro passo foi dado no Brasil. A mesma receita. Aqui, ao menos, os deputados disseram escancarada e despudoradamente a razão pela qual deram o golpe: pelas suas respectivas famílias.
Em outubro de 2012, este empório antecipava o golpe com o artigo o risco que corremos.
Em outubro de 2012, este empório antecipava o golpe com o artigo o risco que corremos.
sexta-feira, 15 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
sábado, 2 de abril de 2016
sexta-feira, 25 de março de 2016
a nossa democracia ainda é uma criança
Já discutimos neste empório em vários momentos sobre a ainda distante consolidação da democracia no nosso país. Muitas dessas vezes citando a falta de uma Lei dos Meios ou um Marco Regulatório da Mídia ( no marcador mídia muitos desses textos ), elementos essenciais para o avanço democrático.
Um outro pilar da democracia em um país é o seu sistema jurídico. E exatamente neste momento, o Brasil nos dá, em grande escala, uma mostra claríssima do ainda longo caminho que temos pela frente.
Nesta matéria de Cláudia Wallin, publicado pelo DCM, e que reproduzimos abaixo, Göran Lambertz, integrante da Suprema Corte Sueca, nos ensina sobre o tema.
Um outro pilar da democracia em um país é o seu sistema jurídico. E exatamente neste momento, o Brasil nos dá, em grande escala, uma mostra claríssima do ainda longo caminho que temos pela frente.
Nesta matéria de Cláudia Wallin, publicado pelo DCM, e que reproduzimos abaixo, Göran Lambertz, integrante da Suprema Corte Sueca, nos ensina sobre o tema.
MORO E GILMAR SÃO IMPENSÁVEIS NA SUÉCIA, DIZ JUIZ DA SUPREMA CORTE SUECA. POR CLAUDIA WALLIN
"A parcialidade destrói a justiça", Lambertz |
Por Claudia Wallin, de Estocolmo
“É extremamente importante que juízes de todas as instâncias, em respeito à democracia e à ordem jurídica e constitucional, atuem com total imparcialidade. Caso contrário, não haverá razão para a sociedade confiar nem em seus juízes, e nem em seus julgamentos”, pontua o juiz sueco Göran Lambertz.
Um dos 16 integrantes da Suprema Corte da Suécia, Lambertz vê com preocupação a atual crise no Brasil:
“À distância, tem sido difícil entender o que é verdadeiro e o que não é verdadeiro. Mas preciso dizer que me parece, de modo geral, que alguns atores do processo legal que se desenvolve no Brasil não são totalmente independentes em relação aos aspectos políticos do caso.”
Um juiz, especialmente da Suprema Corte, deve ser cauteloso ao manter conversações com partes interessadas em determinado caso – diz o magistrado.
E se um juiz sueco agisse de uma forma percebida como não totalmente independente e imparcial, afirma Lambertz, a Suprema Corte anularia seu julgamento e determinaria a substituição do magistrado no processo.
“Quando os representantes da Justiça não são totalmente imparciais, não pode haver justiça. Em vez de justiça, será feita injustiça”, observa Lambertz.
A seguir, a íntegra da entrevista concedida em Estocolmo.
( a entrevista, clicando em "mais informações")
( a entrevista, clicando em "mais informações")
quinta-feira, 24 de março de 2016
domingo, 20 de março de 2016
o ovo da serpente foi chocado ou, o tifão foi solto
O monstro do fascismo foi solto. Da mesma forma que o gigantesco Tifão, da mitologia grega, como, agora, contê-lo?
Para tratarmos do tema, republicamos abaixo o ótimo artigo de Márcio Sotelo Felippe publicado no site Justificando, agora também nos nossos links sugeridos ao lado, na seção "jornais e afins".
Para tratarmos do tema, republicamos abaixo o ótimo artigo de Márcio Sotelo Felippe publicado no site Justificando, agora também nos nossos links sugeridos ao lado, na seção "jornais e afins".
por Márcio Sotelo Felippe
Nos regimes fascistas, a violência do Estado e a violação de
direitos tem apoio de massa. Rubens Casara lembrou isto neste espaço com
preciso senso de oportunidade.
É um traço característico do fascismo. O fascismo não era apenas
violência ou terrorismo de Estado, ou, como sustentavam nos anos 30 os
soviéticos, uma ditadura terrorista aberta dos elementos mais reacionários do
grande capital. Para além disso, buscava também um determinado “consenso”,
dominar pela captura da consciência de uma parte do povo para dirigi-la contra
outra parte. Para tanto era preciso desumanizar o diferente, visando
transformar a sociedade em um organismo, de tal modo que o que estivesse fora
de um determinado padrão, fosse social, econômico, político, étnico ou de
conduta, deveria ser tratado como uma espécie de “doença” do meio social e
portanto aniquilados ou completamente subjugados.
(continua em "mais informações")
terça-feira, 15 de março de 2016
Hannah Arendt e o mal intencional dos promotores e juízes brasileiros
SEG, 14/03/2016 - 08:22
Por Fábio de Oliveira Ribeiro
Hannah Arendt só viu em Eichmann uma coisa: a total ausência de consciência. Ele era um espantalho orgulhoso por ter cumprido fielmente ordens. Era incapaz de questionar a natureza das ordens que havia cumprido. Não havia nele uma perversidade demoníaca. Apenas uma evidente desumanidade. Eichmann havia abdicado de sua consciência, ou seja, de sua capacidade de conversar consigo mesmo antes de agir.
(continua em "mais informações")
(continua em "mais informações")
Marcadores:
hannah arendt,
judiciario,
justiça,
política
domingo, 13 de março de 2016
o ataque à une ontem é mais um símbolo resgatado de 1964
O professor da PUC e renomado juristas Pedro Serrano afirmou que o ataque contra a sede da UNE (União Nacional dos Estudantes), nesta sábado (12), é uma ação típica do fascismo.
"Atacar a sede da UNE , simbolicamente , faz parte da tradição das ações políticas fascistas em nossa história", disse o jurista. Ela classifica como uma trágica situação e completa: "Temos de resistir".
A sede da entidade estudantil, localizada em São Paulo, amanheceu pichada com dizeres de ódio e intolerância política. A presidente da UNE, Carina Vitral, lembrou que a última vez que a entidade sofreu um ataque desse tipo foi 1964, quando a sede foi incendiada por agentes da ditadura
"Essa ação não nos intimidará, somos firmes na defesa da democracia e repudiamos qualquer tentativa que ameace nossa liberdade", disse Carina, em nota.
Também neste sábado, a sede do PCdoB amanheceu pichada com ofensas ao ex-presidente Lula e a deputado Jandira Feghali.
sexta-feira, 11 de março de 2016
1964 é agora
Março de 2016 está cada vez mais parecendo março de 1964. Na marcha ensandecida dos últimos acontecimentos, o país anoiteceu com o surreal pedido de prisão preventiva do ex presidente Lula, ação realizada por três moleques de gravata do ministério público (em minúsculo) de São Paulo, que mereceram o bombardeio até dos setores da direita que estão cotidianamente tramando o golpe. A crítica da direita aos moleques se dá, evidentemente, porque eles estão de uma certa forma, atrapalhando o caminho já desenhado para o rito (i)natural do golpe. Sabem, os golpista profissionais, que ações intempestivas como essa dos moleques, podem incitar a parte lúcida do país e, portanto, atrapalhar os planos. Mas há o perigo que, feito o estrago, os profissionais acelerem o processo e aí as consequências podem ser ainda mais dramáticas.
Era de se esperar que, passados mais de 50 anos do último golpe, nós estivéssemos caminhando no sentido do processo de consolidação da nossa democracia, mas claro fica agora, que enquanto o poder da comunicação do país estiver oligopolizado na mão de meia dúzia de famílias - uma delas com poderes quase que absolutos - esse processo será abortado sempre que elas entenderem necessário.
Domingo, como em 64, está se tentando uma nova "Marcha pela Família com Deus pela liberdade".
O momento é de muita tensão, mas também deve ser o de muita atenção.
Era de se esperar que, passados mais de 50 anos do último golpe, nós estivéssemos caminhando no sentido do processo de consolidação da nossa democracia, mas claro fica agora, que enquanto o poder da comunicação do país estiver oligopolizado na mão de meia dúzia de famílias - uma delas com poderes quase que absolutos - esse processo será abortado sempre que elas entenderem necessário.
Domingo, como em 64, está se tentando uma nova "Marcha pela Família com Deus pela liberdade".
O momento é de muita tensão, mas também deve ser o de muita atenção.
domingo, 6 de março de 2016
lembrando da pec 37
Vamos recuperar mais um tema do empório, instigados pelo momento atual e a forma de atuação dos ministérios públicos, o federal e muitos estaduais. Em junho de 2013 foi enterrada a Pec 37 e fizemos dois artigos na época. Para lembrarmos cliquem aqui
sábado, 5 de março de 2016
a história recente dos golpes na américa latina
Em 6 de abri de 2012, publicamos o artigo o risco que corremos . Republicamos-o agora, porque o tema segue na pauta do dia.
sexta-feira, 4 de março de 2016
a lista de furnas
O DCM produziu o documentário A Lista de Furnas que põe luz em um dos tantos casos que você não viu e não verá na grande mídia. O empório é mais um dos canais que reproduz o importante documentário, neste caso, a partir do link acima.
domingo, 21 de fevereiro de 2016
a folha de são paulo
Na Mostra Internacional de Cinema de 2014 a Folha de São Paulo
passou vergonha. A Folha tradicionalmente é uma das empresas
patrocinadoras da Mostra e antes de todas as seções, era veiculado um filminho
publicitário que tentava fazer crer aos incautos que o jornal era praticante da
pluralidade e da isenção política. As reações na platéia se dividiam entre o
riso e a vaia.
Ressabiada, a Folha não veiculou
nenhum filminho na Mostra de 2015 e na cerimônia de abertura no auditório do
Ibirapuera lotado, o seu representante não escapou de ser testemunha de uma
cena que não deve ter gostado: a do prefeito Fernando Haddad ser
ovacionado pelo público presente. Até a revista Veja na sua versão de São
Paulo (quem diria!), mencionou o acontecimento (ver aqui ).
Haddad tem sido uma das vítimas do mau jornalismo da Folha e muito provavelmente, se o prefeito tivesse sido vaiado, teria sido objeto de uma matéria na edição do dia seguinte, só não se sabe se no caderno de política ou de cultura.
O fato é que o perfil do leitor da Folha vem mudando ao longo dos anos.
O leitor de jornais mais engajado com as questões culturais e mais à esquerda, ficou refém lá pelos anos 80, com a diminuição do fôlego do mítico Caderno B do Jornal do Brasil que começou a ser editado no início dos anos 60, e encontrou nos cadernos Folhetim e Ilustrada da Folha o seu jornal. A Folha passava a ser então naquela época, o jornal dos intelectuais e dos que pensavam a política de forma mais progressista. Mas os dois novos cadernos culturais não se encerravam neles mesmos: apontavam que estava ocorrendo uma mudança editorial do jornal. Descobriríamos mais tarde que não se tratava de uma guinada ideológica da Folha mas simplesmente uma tacada de marketing e uma oportunidade de mercado que levava o jornal a ocupar um espaço que estava vago. A investida deu certo e a Folha passa naquele momento a ser o jornal mais vendido do país.
Haddad tem sido uma das vítimas do mau jornalismo da Folha e muito provavelmente, se o prefeito tivesse sido vaiado, teria sido objeto de uma matéria na edição do dia seguinte, só não se sabe se no caderno de política ou de cultura.
O fato é que o perfil do leitor da Folha vem mudando ao longo dos anos.
O leitor de jornais mais engajado com as questões culturais e mais à esquerda, ficou refém lá pelos anos 80, com a diminuição do fôlego do mítico Caderno B do Jornal do Brasil que começou a ser editado no início dos anos 60, e encontrou nos cadernos Folhetim e Ilustrada da Folha o seu jornal. A Folha passava a ser então naquela época, o jornal dos intelectuais e dos que pensavam a política de forma mais progressista. Mas os dois novos cadernos culturais não se encerravam neles mesmos: apontavam que estava ocorrendo uma mudança editorial do jornal. Descobriríamos mais tarde que não se tratava de uma guinada ideológica da Folha mas simplesmente uma tacada de marketing e uma oportunidade de mercado que levava o jornal a ocupar um espaço que estava vago. A investida deu certo e a Folha passa naquele momento a ser o jornal mais vendido do país.
O Jornal que apoiou a ditadura,
fornecendo até mesmo automóveis para ações da repressão, se portava agora como
um veículo de comunicação progressista e com um caráter democrático.
(segue em "mais informações")
(segue em "mais informações")
Marcadores:
folha de são paulo,
mídia,
ouvidoria,
política
sábado, 20 de fevereiro de 2016
domingo, 7 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
o nosso surrealismo tupiniquim
![]() |
foto montagem do artista visual sueco Tommy Ingberg, um surrealista contemporâneo |
Em 1924 o escritor André Breton foi o principal signatário do primeiro manifesto surrealista. O termo já havia sido cunhado anos antes pelo poeta Guillaume Apolinare. O movimento teve inspiração direta nas investigações dos impulsos oníricos da psicanálise de Sigmund Freud e se estendeu para outras linguagens. Além da literatura, com Breton e Apolinare, alcançou as artes plásticas com Max Ernst, Magritte e Dalí, a fotografia, sobretudo com Man Ray, e o cinema com Buñuel.
O movimento carregava nos seus princípios, a elevação da consciência e a discussão de um novo mundo, através das representações artísticas e estas, a partir das representações do inconsciente. Havia ali, grandes pretensões mas tudo diante de um componente ético.
Muito bem, mas o que isso tem a ver com a nossa questão tupiniquim?
Como muitos termos, o "surrealismo" foi perdendo a sua conceituação original, se adequando às situações que pareciam fora da ordem, ou que estavam além do real ou algo como uma loucura excessiva. Se nos basearmos nesses novos modos de entender o "surreal", esses conceitos acobertam sem problemas semânticos o que vemos hoje no cenário político-midiático brasileiro, mas extrapolariam qualquer um dos sonhos, ou pesadelos, representados pelos artistas surrealistas.
Buñuel não conseguiria roteirizar - sem se perder pelo caminho - um enredo em que um presidente de um parlamento qualquer, envolvido em algumas das mais escandalosas evidências de corrupção, faz uma chantagem pública, escancarada, desavergonhada contra a instituição da presidência da república de um país que alcançou uma importância de relevância econômica e diplomática no cenário mundial, e a mídia, simplesmente, camufla a chantagem, tergiversa, finge que não é com ela, porque, de uma maneira insana, irascível, burra, seguiu lubrificando todos os mecanismos da fábrica da crise política que alimenta outra crise, a econômica, esta que afeta indistintamente a todos. É como botar fogo no circo porque você não gosta do domador ( ou domadora ) de animais, estando sentado na platéia.
A presidenta Dilma, afora os erros políticos cometidos, está há um ano na defensiva, sendo empurrada para administrar um fisiologismo que se agiganta em situações como a que vivemos, e tendo que lidar com uma crise fabricada que não lhe deu um minuto de descanso.
Um ano de um terceiro turno inconsequente que parece interminável e que os seus agentes querem levar até 2018, quando teremos novas eleições.
Tivemos um ano, portanto, surreal, quebrado agora no seu final pelo STF, que antes do seu recesso, pintou um quadro menos enigmático alterando o rito do processo do impeachment deixando a decisão para o senado, quem sabe, para depois do carnaval.
Em um cenário surreal como esse, há sempre os aproveitadores e os rescaldos da mídia são lambidos pela oposição que para tentar ganhar uma eleição que perderam, demonstraram que estavam e estão dispostos a qualquer negócio. Mas, talvez, a pior cena que vimos no ano, foi a disseminação do ódio e a abertura da porta do armário que acomodava sonolento um pesadelo. O fascismo, completamente desavergonhado, saiu do armário.
os ignorantes do leblon, por gregorio duvivier
Gregorio Duvivier
Nunca aprendi a rezar o Pai Nosso. Comemorávamos Natal só porque é aniversário da minha mãe. Celebrávamos a Páscoa, mas confesso com bastante vergonha que não faço ideia do que significa. Sim, sei que tem a ver com Jesus. Mas não sei qual era a relação dele com o coelho, e nem por que raios esse coelho põe ovos, e por que diabos são de chocolate.
O mais perto que tinha de religião lá em casa era a música: meus pais só veneravam deuses que soubessem tocar. Ninguém rezava antes de comer, mas minha mãe botava a gente pra dormir religiosamente cantando Noel e acordava cantando Cartola. Meu pai passava o dia no sax tocando Pixinguinha e a noite no piano tocando Nazareth. Música não era um pano de fundo, era o caminho, a verdade, a vida. Tom era o Pai, Chico, o Filho, Caetano, o Espírito Santo.
Podia falar os palavrões que eu quisesse, mas ai de mim se ousasse tocar violão com acordes simplificados. "A pessoa que fez esse arranjo devia ir presa", dizia minha mãe. Preferiam me ver pichando muros a me ver batucando atravessado. Quando descobriram que eu fumava maconha, meus pais me disseram que não tinha nada de errado, desde que eu só fumasse em casa. Quando eu comprei um CD do LS Jack, disseram que não tinha nada de errado, desde que eu nunca ouvisse aquilo em casa.
Às vezes organizavam um sarau que parecia missa. "Silêncio, que se vai cantar o fado", dizia a Luciana Rabello, e daí tocavam choro como quem reza. Todos se calavam como numa igreja. A criança que abrisse o bico tomava logo um tabefe. Aquilo era sagrado. Pra mim, ainda é.
Herdei deles a devoção (sem herdar, no entanto, o talento para a música). Às vezes queria me importar menos com isso. Quando vejo as agressões ao Chico –e não estou falando do bate-boca na calçada, mas da campanha difamatória da qual os ignorantes do Leblon são meros leitores–, para mim é como se chutassem uma santa ou rasgassem a Torá. Como sou a favor da liberdade total de expressão, inclusive quando ela fere o sagrado dos outros, limito-me a torcer para que passem a eternidade ouvindo Lobão e Fábio Jr., intercalados com discursos do Alexandre Frota e Cunha tocando bateria. Uma coisa é certa: a oposição e sua trilha sonora se merecem.
Marcadores:
chico buarque,
gregório duvivier,
política
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
o novo velho masp
A foto abaixo da sala principal do Masp do jeito como Lina a idealizou e que agora está de volta. Em outra postagem ( aqui ) comentamos.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
artigo de luciano martins costa, revista brasileiros
O mito da imprensa democrática
É certo que a
justificativa moral da atividade jornalística sempre foi o pressuposto da
objetividade: considera-se que o texto noticioso, bem como a imagem com
finalidade informativa, correspondem sempre a interpretações objetivas da
realidade. Só que não
Luciano Martins Costa*01/12/2015 7:30,
atualizada às 30/11/2015 19:45
link
Os jornais brasileiros de circulação nacional, aqueles que determinam o eixo da agenda pública, encerram o mês de novembro com a mesma pauta que iniciou o ano de 2015. Não se trata da saraivada de denúncias, declarações, vazamentos e revelações factuais sobre fluxos de dinheiro ilegal ligados a campanhas eleitorais. Essa é apenas a espuma do noticiário e dificilmente saberemos em que os fatos atuais se diferenciam do histórico da corrupção, a não ser pela evidência de que alguns atores estão sendo responsabilizados.
O que a chamada imprensa tradicional
do Brasil está produzindo é um projeto recorrente na política nacional, que se
associa em ampla escala ao contexto do continente e, em menor grau, se
relaciona também com o cenário internacional. Trata-se do programa de
desconstrução de políticas que, no longo prazo, poderiam consolidar o ensaio de
mobilidade social observado nos últimos anos em boa parte da América do Sul.
(continua em "mais informações")
Marcadores:
imprensa,
luciano martins costa,
mídia,
política
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
globo demite sidney rezende e confirma, sem constrangimentos, que faz oposição ao governo antes de fazer jornalismo
O jornalista Sidney Rezende foi demitido depois de 18 anos de Globo/GloboNews. A razão foi o sincero e óbvio comentário feito no seu blog sobre a postura da mídia, de um modo geral, não muito diferente do que disse Viviane Mosé em postagem deste empório em 2 de setembro. O comentário de Rezende foi no dia 12/11. Já no dia 13 Ali Kamel deu-lhe um chute nos fundilhos, sem alardes.
Veja (clicando em "mais informações") o que disse Sidney Rezende.
Veja (clicando em "mais informações") o que disse Sidney Rezende.
Marcadores:
globo,
imprensa,
mídia,
política,
sidney rezende
sábado, 24 de outubro de 2015
pitacos da mostra 2015
Como já fizemos em duas Mostras ( ver links na postagem anterior) faremos comentários rápidos dos filmes assistidos.
Meu amigo hindu,
de Hector Babenco (Brasil) – autobiográfico egocêntrico falado em inglês, ainda
que rodado em São Paulo. Babenco já esteve melhor.
Vovó esta dançando na
mesa, de Hanna Sköld (Suécia) – O nome sugere um filme leve, talvez até
humorístico. Que nada! Denso e incômodo em bons roteiro e direção.
Sob nuvens elétricas,
de Alexei German (Rússia) – Tradição do cinema russo. Dividido em capítulos o
filme carrega o peso de um mundo sem cor e sem futuro. Em mais de 2 horas, o
filme desafia o espectador.
Príncipe, de Sam
de Jong (Holanda) – Em toda Mostra há equívocos, não tem jeito! Este filme é um
dos maiores.
Chronic, de
Michel Franco, roteiro e direção (México/França) – Vencedor de melhor roteiro em
Cannes. Um enfermeiro estabelece uma relação grandiosamente humana com seus
pacientes terminais. Um atropelamento!
Dheepan, o Refúgio,
de Jacques Audiard (França) – Vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Talvez um
exagero. Dheepan um ex soldado em Sri Lanka tenta largar a guerra mas a guerra
não larga Dheepan.
Olmo e a Gaivota,
de Petra Costa e Lea Glob ( Brasil, Dinamarca, Portugal, França, mas é
universal) – A diretora queria contar a história de um dia na vida de uma mulher, mas
ao descobrir a gravidez da atriz, contou a história da gravidez, envolta por
todas as circunstâncias psicológicas. Um pequeno grande filme. Imperdível!
Eva & Leon,
de Emile Cherpitel (França) – Água com açúcar. Muita açúcar.
Barash, de Michal Vinik ( Israel) - Conflito árabe-israelense apenas como pano de fundo para um outro conflito: a questão universal contemporânea da condição urbana que marca a vida na adolescência. Bom filme com cenas ousadas.
Eisenstein in Guanajuato (ou Que viva México! 10 Dias que Abalaram o México), de Peter Greenaway - Não sei o que deu em Greenaway. Parece que quis ser polêmico. Foi apenas ridículo. Um desrespeito ao cinema.
Imortal, de Hadi Mohaghegh (Irã) - Mohagheh segue a tradição do cinema iraniano, de Kiarostami, Makhmalbaf, Panahi entre outros, em uma história densa entre um avô que busca a morte e o seu neto que tenta evitá-la. Mas é necessário citar Rouzbeh Raiga, o fotógrafo, que faz do filme uma obra-prima da fotografia cinematográfica. Filme para ser publicado em livro.
O Esgrimista, de Klaus Härö ( Estônia, Finlândia, Alemanha) - História real do mestre de esgrima estônio Endel Nelis envolto com as questões do pós guerra. Bom filme mas com história contada de forma enquadrada pela emoção mais fácil.
Desde Allá, de Lorenzo Vigas (Venezuela, México) - A relação homoafetiva do filme não é a questão central, mas, talvez, a relação de poder e o egoísmo. O roteiro escorrega e muito até por se pretender abarcar mais do que o tema pede, gerando poucas verossimilhanças. Vencedor do Leão de Ouro de Veneza, o filme foi vaiado no festival. Nesse caso, não dá para vaiar a vaia.
Chico - Artista brasileiro, de Miguel Faria Júnior (Brasil) - Bom, o filme é sobre o Chico, então..., bom..., não dá pra perder!
Longo Caminho Rumo ao Norte, de Rémi Chayé (França) - Animação francesa sobre a menina Sasha que segue a trajetória do avô rumo ao Polo Norte. Boa diversão.
Catedrais da Cultura, de seis diretores: Kairim Aïnouz, Michael Glawogger, Wim Wenders, Michael Madsen, Robert Redford e Margreth Olin (Alemanha, Dinamarca, Áustria, Noruega). Projeto grandioso e inusitado, como as obras arquitetônicas que protagonizam o filme. São as "catedrais da cultura", que, no filme, literalmente falam. Estão representadas pela Filarmônica de Berlim, "um ícone da modernidade"; a Biblioteca Nacional da Rússia, "um reino dos pensamentos"; a Prisão de Halden, "a mais humana do mundo"; o Salk Institute,"o instituto da inovação científica"; a Oslo Opera House, "uma simbiose futurista de arte e vida" e o Centro Pompidou, "uma máquina da cultura moderna". Tudo isso em 3D. Grande obra!
O Culpado, de Gerd Schneider (Alemanha) - Igreja e pedofilia. Temas polêmicos são sempre muito difíceis de serem tratados. Schneider, que quase foi padre antes de virar cineasta, abordou a questão no caráter psicológico e no caráter político e realizou um grande filme. É preciso vê-lo.
A Estreita Faixa Amarela (La Delgada Linea Amarilla), de Celso Garcia (México) - Entre a linha física e a abstrata, aquela que nos separa e nos guia. De um tema aparentemente simples o diretor fez um bom filme mas que quase derrapa no sentimentalismo.
Guerra, de Tobias Lindholm (Dinamarca) - Exércitos são uma das provas que a curta experiência humana não deu certo. Lindholm monta o seu exército no Afeganistão, supostamente para salvar a população civil das mãos do Talebã e humaniza seus soldados. "Há algo de podre no reino da Dinamarca".
Pardais, de Rúnar Rúnarsson, (Islândia, Dinamarca, Croácia) - A vida na adolescência ( e além dela) carrega seus traumas, mesmo na Islândia. O filme violenta a inocência e densifica a sensibilidade. Foi o vencedor da Mostra.
Carta Branca, de Jaceck Lusinski (Polônia) - Filme enxuto, que conta a história real de um carismático professor vivendo o drama da perda da visão. Roteiro bem cuidado e algumas boas sacadas imagéticas, como filmar os cabos de conexão de troleibus elétricos na luz noturna e na luz diurna.
Kaminsk e eu, de Wolfgang Becker (Bélgica, Alemanha) - Becker não dirigia um filme desde 2003 com o aclamado Adeus Lenin. Tanto tempo não enferrujou o diretor alemão. "Kaminsk e eu" tem um ritmo e um vigor que não deixa a trama, quase surreal, se perder. Tomara que o próximo filme não demore tanto.
Eisenstein in Guanajuato (ou Que viva México! 10 Dias que Abalaram o México), de Peter Greenaway - Não sei o que deu em Greenaway. Parece que quis ser polêmico. Foi apenas ridículo. Um desrespeito ao cinema.
Imortal, de Hadi Mohaghegh (Irã) - Mohagheh segue a tradição do cinema iraniano, de Kiarostami, Makhmalbaf, Panahi entre outros, em uma história densa entre um avô que busca a morte e o seu neto que tenta evitá-la. Mas é necessário citar Rouzbeh Raiga, o fotógrafo, que faz do filme uma obra-prima da fotografia cinematográfica. Filme para ser publicado em livro.
O Esgrimista, de Klaus Härö ( Estônia, Finlândia, Alemanha) - História real do mestre de esgrima estônio Endel Nelis envolto com as questões do pós guerra. Bom filme mas com história contada de forma enquadrada pela emoção mais fácil.
Desde Allá, de Lorenzo Vigas (Venezuela, México) - A relação homoafetiva do filme não é a questão central, mas, talvez, a relação de poder e o egoísmo. O roteiro escorrega e muito até por se pretender abarcar mais do que o tema pede, gerando poucas verossimilhanças. Vencedor do Leão de Ouro de Veneza, o filme foi vaiado no festival. Nesse caso, não dá para vaiar a vaia.
Chico - Artista brasileiro, de Miguel Faria Júnior (Brasil) - Bom, o filme é sobre o Chico, então..., bom..., não dá pra perder!
Longo Caminho Rumo ao Norte, de Rémi Chayé (França) - Animação francesa sobre a menina Sasha que segue a trajetória do avô rumo ao Polo Norte. Boa diversão.
Catedrais da Cultura, de seis diretores: Kairim Aïnouz, Michael Glawogger, Wim Wenders, Michael Madsen, Robert Redford e Margreth Olin (Alemanha, Dinamarca, Áustria, Noruega). Projeto grandioso e inusitado, como as obras arquitetônicas que protagonizam o filme. São as "catedrais da cultura", que, no filme, literalmente falam. Estão representadas pela Filarmônica de Berlim, "um ícone da modernidade"; a Biblioteca Nacional da Rússia, "um reino dos pensamentos"; a Prisão de Halden, "a mais humana do mundo"; o Salk Institute,"o instituto da inovação científica"; a Oslo Opera House, "uma simbiose futurista de arte e vida" e o Centro Pompidou, "uma máquina da cultura moderna". Tudo isso em 3D. Grande obra!
O Culpado, de Gerd Schneider (Alemanha) - Igreja e pedofilia. Temas polêmicos são sempre muito difíceis de serem tratados. Schneider, que quase foi padre antes de virar cineasta, abordou a questão no caráter psicológico e no caráter político e realizou um grande filme. É preciso vê-lo.
A Estreita Faixa Amarela (La Delgada Linea Amarilla), de Celso Garcia (México) - Entre a linha física e a abstrata, aquela que nos separa e nos guia. De um tema aparentemente simples o diretor fez um bom filme mas que quase derrapa no sentimentalismo.
Guerra, de Tobias Lindholm (Dinamarca) - Exércitos são uma das provas que a curta experiência humana não deu certo. Lindholm monta o seu exército no Afeganistão, supostamente para salvar a população civil das mãos do Talebã e humaniza seus soldados. "Há algo de podre no reino da Dinamarca".
Pardais, de Rúnar Rúnarsson, (Islândia, Dinamarca, Croácia) - A vida na adolescência ( e além dela) carrega seus traumas, mesmo na Islândia. O filme violenta a inocência e densifica a sensibilidade. Foi o vencedor da Mostra.
Carta Branca, de Jaceck Lusinski (Polônia) - Filme enxuto, que conta a história real de um carismático professor vivendo o drama da perda da visão. Roteiro bem cuidado e algumas boas sacadas imagéticas, como filmar os cabos de conexão de troleibus elétricos na luz noturna e na luz diurna.
Kaminsk e eu, de Wolfgang Becker (Bélgica, Alemanha) - Becker não dirigia um filme desde 2003 com o aclamado Adeus Lenin. Tanto tempo não enferrujou o diretor alemão. "Kaminsk e eu" tem um ritmo e um vigor que não deixa a trama, quase surreal, se perder. Tomara que o próximo filme não demore tanto.
Pardais, de R
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
mostra internacional de cinema
Hoje tem início a 39º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo ( mostra )o mais antigo e tradicional festival de cinema do Brasil.
Este ano serão apresentados um número grande de filmes premiados em outros festivais. Veja aqui quem são eles, com as respectivas fichas técnicas e trailers.
( Aqui outras postagens em que falamos da Mostra )
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
hamlet e a nossa tragédia
Postamos hoje uma palestra do professor Leandro Karnal. O tema é a peça "Hamlet" de Shakespeare mas vai muito além disso.
A trajetória de tudo que envolve o príncipe Hamlet sintetiza, na fala de Karnal, o mundo como um palco. A palestra de 1h7min (alcança quase 2h a partir da participação do público) aponta para uma interpretação de uma realidade que - apesar dos quase 5 séculos que nos separam do poeta inglês - nos apresenta muito próxima. Destaco três passagens: o tema "corrupção" aos 31:45; o comentário sobre o filme "Relatos Selvagens" a partir do minuto 46:50 e o tema da loucura a partir do 56:25
Boa aula!
A trajetória de tudo que envolve o príncipe Hamlet sintetiza, na fala de Karnal, o mundo como um palco. A palestra de 1h7min (alcança quase 2h a partir da participação do público) aponta para uma interpretação de uma realidade que - apesar dos quase 5 séculos que nos separam do poeta inglês - nos apresenta muito próxima. Destaco três passagens: o tema "corrupção" aos 31:45; o comentário sobre o filme "Relatos Selvagens" a partir do minuto 46:50 e o tema da loucura a partir do 56:25
Boa aula!
Marcadores:
filosofia,
leandro karnal,
mídia,
política,
teatro
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
a mídia em debate
Um ótimo debate sobre mídia. São pouco mais de 50 minutos que valem todos eles, mas se quiser um trechinho para um prévia, sugiro a primeira intervenção de Viviane Mosé, que vai do minuto 12 ao 16, mais ou menos.
Marcadores:
imprensa,
mídia,
política,
viviane mosé
domingo, 2 de agosto de 2015
umberto eco e o jornalismo de esgoto
Em entrevista ao programa Milênio da Globo News, Umberto Eco tratou do jornalismo sujo e, com sutilezas, falou da Globo sem se referir a ela. Do Jornal GGN reproduzimos a entrevista.
Umberto Eco disseca o jornalismo de esgoto para Ilze Scamparini
SEG, 27/07/2015 - 21:35
Sugerido por Percival Maricato
Do Consultor Jurídico
Entrevista concedida pelo semiólogo Umberto Eco à jornalistaIlze Scamparini, para o programaMilênio — um programa de entrevistas, que vai ao ar pelo canal de televisão por assinaturaGloboNews às 23h30 de segunda-feira com repetições às terças-feiras (17h30), quartas-feiras (15h30), quintas-feiras (6h30) e domingos (14h05).
Umberto Eco é um italiano que olha a realidade com óculos especiais. Defini-lo como escritor e crítico literário seria muito pouco. Também seria insuficiente nominá-lo como linguista, esse piemontês de Alexandria, de fama internacional é também filósofo e um ensaísta vivaz. Semiólogo, usa a ciência dos símbolos como um esquema mental. Grande apaixonado pela Idade Média, produziu obras como O Nome da Rosa, de 1980, um suspense filosófico ambientado no ano de 1327, que virou best seller e inspirou um filme com Sean Connery. Estudioso do fenômeno da comunicação, foi um dos primeiros por aqui a falar de linguagem televisiva. Acompanhou o nascimento da televisão italiana e do pensamento americano sobre a TV. Um princípio fundamental da sua narrativa é a suspeita, a desconfiança no que se diz. Umberto Eco põe em discussão qualquer interpretação sobre os fatos. Na sua casa em Milão ele nos mostrou a edição brasileira de Número Zero, o seu último livro que cita histórias da época contemporânea para falar de chantagem, intrigas e de reputações enlameadas dentro da redação de um jornal.
Ilze Scamparini — O senhor acabou de lançar uma espécie de manual do mau jornalismo. Criou uma redação de pretensiosos. Essa ideia vem de onde?
Umberto Eco — Há pelo menos, 30 anos que escrevo artigos e ensaios sobre os vícios do jornalismo. Uma visão de dentro, porque também escrevo em um jornal. Então, é um tema familiar para mim.
(segue em "mais informações")
Umberto Eco — Há pelo menos, 30 anos que escrevo artigos e ensaios sobre os vícios do jornalismo. Uma visão de dentro, porque também escrevo em um jornal. Então, é um tema familiar para mim.
(segue em "mais informações")
Marcadores:
jornalismo,
política,
rede globo,
umberto eco
segunda-feira, 27 de julho de 2015
fotos abertas para nathalia watkins
As fotos acima não são de nenhum país africano. Tão pouco é do Vale do Jequitinhonha, ou do sertão nordestino e, muito menos, de Cuba. São fotos da cidade de São Paulo, a mais rica do país. Poderíamos encher esta postagem com elas. Basta procurá-las na internet. Para aqueles que acham que São Paulo se resume à Higienópolis e Jardins, talvez esta seja a maneira mais fácil de conhecê-la além das suas alamedas floridas.
Mas a jornalista da Veja Nathalia Watkins, por desconhecer a cidade real, se expôs da maneira como poderemos ver no vídeo abaixo, na sua participação no programa Roda Viva ao fazer uma pergunta ao escritor cubano Leonardo Padura.
Sugerimos visita ao DCM para ler o Paulo Nogueira e também o bom artigo de Alberto Benitz publicado no Observatório de Imprensa e destacamos um comentário do leitor do artigo, Silvio Miguel Gomes, que nos informa que "...Após a enorme repercussão do episódio, sobretudo nas redes sociais, a editora do escritor cubano, Ivana Jenkins, revelou em sua conta pessoal no Facebook que Nathalia, ao final do Roda Viva e com as câmeras já desligadas, admitiu que fez apenas 'as perguntas que o Augusto [apresentador do programa] mandou' ". Interessante!
Marcadores:
augusto nunes,
cuba,
jornalismo,
leonardo padura,
literatura,
nathalia watkins,
política,
revista veja,
veja
Assinar:
Postagens (Atom)