quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Os Acrobatas, de Vinícius, por Camila Morgado

O vídeo sumiu. Coloco então o seu link:

http://www.youtube.com/watch?v=KkVu6LTEybA

domingo, 2 de setembro de 2007

1° de setembro de 1910: poesia e futebol



Era uma noite de lua nova na provinciana São Paulo do começo do século 20. Mais precisamente em 1° de setembro de 1910 por volta das 20h30. Sob à luz de um lampião à gás, na esquina da Rua dos Italianos com a Rua dos Imigrantes (atual José Paulino), no bairro do Bom Retiro, um grupo de cansados trabalhadores esperavam o bonde. Joaquim Ambrósio, Antonio Pereira e César Nunes, eram pintores de parede. Rafael Perrone, diziam, era um sapateiro dos bons. Anselmo Correia exercia um profissão um tanto exótica: era motorista. Alexandre Magnani, ganhava a vida como fundidor. Salvador Lopomo entendia mesmo era de macarrão. Para o João da Silva, não tinha tempo ruim. Aceitava qualquer tipo de trabalho braçal. Antonio Nunes era um popular alfaiate. Eles não eram lá muito letrados. Nenhum deles sabia da existência de um tal de Lima Barreto, que, mulato e escritor, havia lutado contra a escravidão e, anos mais tarde, além de escrever o “Triste fim de Policarpo Quaresma”, fundaria uma Liga contra o Futebol lá no distante Rio de Janeiro, por ser este, um esporte da cultura racista da elite branca. Tão pouco vieram a conhecer um outro tal, de nome Graciliano Ramos, que profetizava que esse negócio de futebol não iria pegar. Mas, sobretudo, o que eles não sabiam, pra valer, é que eles estavam ali - cansados, em uma noite de lua nova -, fundando o primeiro time de futebol que seria a representação de tanta gente, porque estava nascendo ali, o time do povo. O futebol começava, naquele Brasil pré-industrial, a sair da esfera aristocrata-cafeeira e ganhar as ruas dos meninos de pés no chão. E o Corinthians, fundado por trabalhadores, sob à luz de um lampião, incorporaria esses meninos, inicialmente nos campos das várzeas paulistanas e depois, além delas, nas arquibancadas, palcos que os transformariam em agentes de uma nova identidade, assimiladas pelos seus filhos, netos, bisnetos... Estava nascendo não um time, mas uma torcida. Uma torcida que tinha um time de futebol. PS 1: Há muita literatura boa com o tema futebol. Vou lembrar três: “Cuentos de Fútbol Argentino”, seleção de contos organizados por Roberto Fontanarrosa” e editado pela Alfaguara (sem tradução, ainda, para o português) que apresenta 18 contos, entre eles, Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares. “Futebol, ao Sol e à Sombra”, de Eduardo Galeano, editora LPM. E “A Dança dos Deuses, Futebol, Sociedade e Cultura”, do historiador medievalista Hilário Franco Júnior, editado recentemente pela Cia. das Letras. Deste livro tiro duas frases: “Torcer supõe alterar a configuração de um evento, moldar psiquicamente um fato para adequá-lo ao espaço do desejo”. E, “No futebol, o vencedor comemora e o perdedor justifica. Como na vida. Entretanto, o futebol apresenta um fator positivo do ponto de vista psicológico: cada partida, cada temporada, oferece a esperança de um novo recomeço. Reescrever periodicamente o script da vida só é possível no futebol”. PS 2: Dois momentos históricos (e de poesia popular): http://www.youtube.com/watch?v=sGVILAjGs-o&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=NqNqYgnK7Lc&mode=related&search=