sexta-feira, 28 de abril de 2017

mac usp

foto de gê cesar de paula
Foi muito difícil o processo. A partir de 2009 uma contenda entre a Secretaria da Cultura e a reitoria da USP, do então reitor, e de não boas lembranças, João Grandino Rodas, escolhido a dedo pelo governador da ocasião José Serra, atrasou a ocupação do MAC no histórico prédio no Ibirapuera por décadas ocupado pelo Detran.
O prédio, originalmente projetado por Oscar Niemeyer, foi inaugurado em 1954 para abrigar o Palácio da Agricultura, mas de 1959 a 2008 foi sede do Detran.
Mas, finalmente, precisando ainda de alguns ajustes, os 8 andares do prédio principal, inclusive o terraço, estão disponíveis para a visitação. E apresenta grandes exposições (veja aqui ) com uma parte do acervo que conta com mais de 10 mil obras, entre elas, Picasso, Miró, Matisse, De Chirico, Klee, Morandi, Kandisnk, Modigliani entre muitos outros, bem como mestres da arte contemporânea brasileira como Tarsila, Anita, Di Cvalcanti, Volpi, Brecheret...
Vale se debruçar também sobre a exposição Vizinhos Distantes, que apresenta grandes obras, também do acervo do museu, de arte latino americana. Mas chama atenção a exposição experiência "Momentos Temporários" do artista russo Fyodor Pavlov-Andreevich que instiga a reflexão sobre opressões e desigualdades sociais e que, segundo uma fonte, exatamente pelos temas que aborda, o folheto da exposição teria sido recolhido. Ficamos assim, com o verbo no condicional

Como o prédio fica no complexo do Parque do Ibirapuera, sugiro um ótimo artigo de Leão Serva "Quem roubou a metade do Ibirapuera" publicado em agosto de 2014. O texto aqui .

sexta-feira, 31 de março de 2017

primeira dor

O conto "Primeira dor" inicia uma sequência de quatro pequenos contos de "Um Artista da fome" que, junto com a novela "A Construção" fazem, conforme o crítico e tradutor da obra Modesto Carone, "o testemunho literário de Franz Kafka". A coletânea foi escrita pouco antes da morte do escritor que ocorreu em 1924.
"Primeira dor", o menor conto do livro, nos apresenta o trapezista que - como o Barão de o "Barão nas Árvores" de Ítalo Calvino que escolheu nunca mais descer ao solo - não tinha como perspectiva da sua vida descer do trapézio. A dor não física, é apresentada por Kafka de maneira cortante.
A partir de "mais informações", o pequeno grande conto na íntegra.

domingo, 5 de março de 2017

chega de saudade e la fiesta



 ...e de quebra (e que "quebra") um (ou o grande) clássico de Chik Corea, "La Fiesta", também com mágica participação de Gary Burton.

sexta-feira, 3 de março de 2017

os moedeiros falsos e o brasil privatizado

Neste momento de neoliberalismo subserviente e antiquado pelo qual passa o país, nos parece pertinente lembrar de um artigo escrito em 1994 por José Luis de Fiori, e que depois virou livro, os dois com o mesmo nome: "Os moedeiros falsos", uma alusão ao livro de mesmo nome de André Gide. Outro livro que procura dar conta do momento de entrega do país através de FHC é o "Brasil Privatizado" de Aloysio Biondi, escrito inicialmente em 1999 e reeditado em 2014 ( boa matéria aqui ). São duas obras que explicam o país.
Abaixo o longo artigo publicado pela Folha, uma outra Folha, a de 94.

" O real não foi criado para eleger FHC, FHC é que foi concebido para viabilizar no Brasil as teses do Consenso de Washington".


OS MOEDEIROS FALSOS
JOSÉ LUÍS FIORI
ESPECIAL PARA A FOLHA
"Afinal é preciso admitir, meu caro, que há pessoas que sentem necessidade de agir contra seu próprio interesse..."
André Gide
"É importante para um 'technopol' vencer a próxima eleição para continuar a implementar sua agenda e não para manter-se no cargo. Vencer uma eleição abandonando suas posições é para ele uma vitória de Pirro."
John Williamson
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Entre os dias 14 e 16 de janeiro de 1993, o Institute for International Economics, destacado "think tank" de Washington, tendo à frente Fred Bergsten, reuniu cerca de cem especialistas em torno do documento escrito por John Williamson, "In Search of a Manual for Technopols" (Em Busca de um Manual de 'Tecnopolíticos'), num seminário internacional cujo tema foi: "The Political Economy of Policy Reform" (A Política Econômica da Reforma Política).
Durante dois dias de debates, executivos de governo, dos bancos multilaterais e de empresas privadas, junto com alguns acadêmicos, discutiram com representantes de 11 países da Ásia, África e América Latina "as circunstâncias mais favoráveis e as regras de ação que poderiam ajudar um 'technopol' a obter o apoio político que lhe permitisse levar a cabo com sucesso" o programa de estabilização e reforma econômica, que o próprio Williamson, alguns anos antes, havia chamado de "Washington Consensus" (Consenso de Washington).
Um plano único de ajustamento das economias periféricas, chancelado, hoje, pelo FMI e pelo Bird em mais de 60 países de todo mundo. Estratégia de homogeneização das políticas econômicas nacionais operada em alguns casos, como em boa parte da África (começando pela Somália no início dos anos 80), diretamente pelos técnicos próprios daqueles bancos; em outros, como por exemplo na Bolívia, Polônia e mesmo na Rússia até bem pouco tempo atrás, com a ajuda de economistas universitários norte-americanos; e, finalmente, em países com corpos burocráticos mais estruturados, pelo que Williamson apelidou de "technopols": economistas capazes de somar ao perfeito manejo do seu "mainstream" (evidentemente neoclássico e ortodoxo) à capacidade política de implementar nos seus países a mesma agenda e as mesmas políticas do "Consensus", como é ou foi o caso, por exemplo, de Aspe e Salinas no México, de Cavallo na Argentina, de Yegor Gaidar na Rússia, de Lee Teng-hui em Taiwan, Manmohan Singh na Índia, ou mesmo Turgut Ozal na Turquia e, a despeito de tudo, Zélia e Kandir no Brasil.
Um programa ou estratégia sequencial em três fases: a primeira consagrada à estabilização macroeconômica, tendo como prioridade absoluta um superávit fiscal primário envolvendo invariavelmente a revisão das relações fiscais intergovernamentais e a reestruturação dos sistemas de previdência pública; a segunda, dedicada ao que o Banco Mundial vem chamando de "reformas estruturais": liberalização financeira e comercial, desregulação dos mercados, e privatização das empresas estatais; e a terceira etapa, definida como a da retomada dos investimentos e do crescimento econômico.
(continua em "mais informações")

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

sábado, 18 de fevereiro de 2017

o dia em que raduan enfrentou o guarda

O DIA EM QUE RADUAN ENFRENTOU A GUARDA

por Irajá Menezes

'Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil. Vivemos tempos sombrios'.
Do começo ao fim de seu discurso, Raduan Nassar se posicionou sem meias palavras contra o golpe e seus cães de guarda.
'Não há como ficar calado', concluiu.
Lendo sobre a atitude do nosso grande escritor, lembrei de uma história com o Roberto Freire, mas não esse, da triste figura de ministro golpista. Refiro-me a Roberto Freire o psicanalista-escritor-teatrólogo-novelista, criador da Somaterapia e pai daquele moço que toca viola que é uma maravilha.
Esse Freire de que vos falo, não muitos sabem, foi jurado de todos os concursos da chamada 'Era dos Festivais', no período entre 1965 e 1972.
Foi Freire, por exemplo, quem comunicou à produção da Record, em 66, que Chico Buarque não aceitava ganhar de 'Disparada' (e aí, "deu" empate entre 'A Banda' e a música do Vandré).
É importante lembrar que eram dois os grandes festivais que aconteciam anualmente na TV, um na Record e outro na Globo. O da Globo tinha duas etapas, a nacional e a internacional. As duas primeiras colocadas da primeira fase defendiam o Brasil no certame internacional.
No Festival da Globo de 1972 - aquele que teve 'Cabeça', de Walter Franco, 'Fio Maravilha' com Maria Alcina e 'Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua' (desclassificada!!!), de Sérgio Sampaio - dias antes da final nacional, Solano Ribeiro, o diretor artístico, recebeu de Walter Clark (chefão da Globo) a seguinte instrução: 'Os militares mandaram você afastar a Nara do júri'.
(continua em mais informações)


domingo, 22 de janeiro de 2017

sartre e camus

As divisões no campo da esquerda nunca foram fenômenos localizados ou circunscritos a um determinado tempo. A dialética, ou o processo de reflexão da realidade e de construção histórica, sempre foram os componentes básicos para as disputas na esquerda. Nas décadas de 40 e 50 esses debates foram intensos, e dois personagens centrais da França ocupada pelos nazistas foram os protagonistas: Camus e Sartre. Este pequeno documentário faz uma síntese desse momento e dessas duas figuras.
(Documentário de 2014 de Chiloé Productions, veiculado pelo Canal Curta e reproduzido por Eremita.)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

"human" por yann arthus-bertrand - volume 3

"O VOL.3 trata dos temas da felicidade, da educação, da deficiência, da corrupção e do sentido da
vida"

"human" por yann arthus-bertrand - volume 2

O VOL.2 trata dos temas da guerra, do perdão, da homossexualidade, da família e da vida após a
morte.

"human" por yann arthus-bertrand - volume 1

Yann Arthus-Bertrand é um fotógrafo e documentarista da vida. "Documentarista da vida", talvez seja uma boa definição para as realizações que ele faz através das suas fotos e de seus filmes. São peças com extraordinária beleza imagética e com conteúdos poderosos. Bertrand apresentou inicialmente várias regiões da Terra com imagens aéreas até começar a fazer filmes com temáticas ambientais apontando para os rumos aos quais o planeta está sendo levado. "Home" 2009, "Planeta Oceano" 2012 e "Terra" 2015, (imperdíveis) fazem parte dessa fase. Também em 2015 foi lançado o projeto "Human, uma viagem pela vida", que este empório agora reproduz os seus 3 capítulos já liberados no Youtube. Nesta postagem o primeiro e os posteriores nas postagens seguintes, acima.

"O VOL.1 trata dos temas do amor, das mulheres, do trabalho e da pobreza

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

o golpe, a caixa de pandora e o "quem nunca comeu mel quando come se lambuza"

A mitologia grega é riquíssima em nos fartar de metáforas que podem se encaixar a cada momento do nosso percurso histórico humano na Terra. (Já abro este parêntese para dizer que acho que a experiência humana na Terra definitivamente não deu certo, mas este é tema para um outro momento).
O cenário atual no Brasil me faz lembrar da "caixa de pandora". À Pandora, a primeira mulher da Terra,  foi-lhe entregue uma caixa, que parece era, no fundo, um jarro, contendo todos os males do mundo e, escondidinha em algum canto, a esperança. Pandora era, na síntese do mito, uma criação de Zeus como vingança por Prometeu - o titã criador e protetor da humanidade - ter presenteado os homens com o fogo para que dominassem a natureza, coisa que Zeus discordava. Ao receber a caixa, Pandora foi alertada para que não a abrisse e, exatamente por isso, ela a abriu, liberando todo o mal do mundo. Assustada, e vendo o que acabara de fazer, fechou-a rapidamente não dando tempo para que a esperança, eternamente aprisionada, escapasse.
Além da mitologia, o mundo é marcado pela riqueza metafórica dos ditados populares. Há um que também me faz associá-lo ao momento que vivemos: "quem nunca comeu mel, quando come se lambuza". Não sei se a caixa de Pandora ou o produto do esforço das abelhas é o que melhor ilustra o que está acontecendo neste momento no Brasil. Talvez uma mistura dos dois.

Já abordamos neste empório, que a construção do golpe se inicia em 2005. Mas a caixa de Pandora foi aberta logo depois da vitória de Dilma Roussef em 2014. Toda sorte de estratagemas foram arquitetados para pavimentar a consolidação do golpe, inclusive paralisar o país e acentuar a crise, exatamente como em 1954, cabendo agora ao PSDB, o papel que a UDN desempenhara na época. Presenciamos uma espécie de vale-tudo: dedo no olho, obstrução dos trabalhos legislativos, chute nas partes baixas, criação de pautas para o STF - papel cumprido pela grande mídia oligopolizada, que também se ocupou do processo de imbecilização de grande parcela da população -, aplicação da seletividade no aparato jurídico, reação violenta das polícias contra manifestações, entre outras maldades.
Claro está que além da tomada do poder, o que sempre tem um componente de exercício de ego, a razão maior do golpe se sintetiza na execução de ações que nunca seriam implementadas se tivessem que ser discutidas em um processo eleitoral. Como a PEC 55, que acaba de ser aprovada no Senado, e que é uma espécie de Ato Institucional que fere de morte o capítulo dos direitos sociais da Constituição, fazendo definhar até o orçamento da Educação. Ou como o desmantelamento do sistema de aposentadoria com uma reforma que faz Pandora arregalar os olhos de espanto, e como a outra, a reforma trabalhista que sepulta a CLT. Há ainda as privatizações, ou aquilo que sarcasticamente será chamado de privatizações. (Quem não assistiu ao filme Snowden, sugiro ao menos a entrevista do diretor Oliver Stone aqui. O tema, além do golpe, é ali tratado). E tudo isso feito a toque de caixa, com muita rapidez, para que não haja discussões, reflexões, e que não invada o ano de 2017, ano que poderemos ter o golpe dentro do golpe, como aconteceu em 1968.

"Lambuzação"

Consolidado o golpe, todos aqueles que o viabilizaram andam se lambuzando, excitados com o poder de exercer o poder, conforme nos demonstra o sintomático discurso do deputado Alceu Moreira. E como é prática de golpistas, ao se lambuzarem eles não têm nenhum freio, não se importam em escancararem que, obviamente, a questão ética na contraposição da corrupção, era apenas um discurso mais do que manjado, utilizado para quase todos os golpes em toda a parte do mundo em que se praticam golpes. Os lambuzados não se importam nem mesmo com o derretimento das instituições democráticas, que é o que estamos vendo no Brasil.

O risco que corríamos

Quando publicamos neste empório o artigo o risco que corremos há quatro anos, em outubro de 2012, havia uma apreensão e um risco de fato, que o nosso processo de democratização pudesse sofrer alguma interrupção. O comportamento da mídia agindo como um partido de oposição, o mais forte partido de oposição em função dos meios que dispõe; o posicionamento do STF, ressuscitando uma peça jurídica abandonada no mundo todo, como a Teoria do Domínio do Fato, e os golpes que já haviam se efetivados em Honduras e no Paraguai, nos alertavam que algo poderia ser tentado, mas, ainda assim, era difícil imaginar que um país com a importância que tinha alcançado no cenário mundial e sendo a 7° economia do mundo, fosse levado a ser rebaixado, de forma tão abruptamente rápida, à condição que imaginávamos superada, de uma republiqueta bananeira, ainda que a banana já não fosse nem de longe o mais importante dos nossos produtos.

Prometeu, na briga final com Zeus, depois de Pandora ter espalhado todos os males pelo mundo, levou a pior. Passou o resto da eternidade regenerando o fígado para que o órgão fosse cotidianamente comido por uma águia. A semelhança deste episódio mitológico com o Brasil é mera coincidência.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

500 anos de hieronymus bosch

Na série "obras do Masp", publicamos em 2011 os hieronymus bosch do masp .
A lembrança é válida por conta da data redonda dos 500 anos da morte do pintor holandês.
Abaixo, um artigo de Walnice Nogueira Galvão publicado no blog do Nassif .

O V Centenário de Hieronymus Bosch, por Walnice Nogueira Galvão


O V Centenário de Hieronymus Bosch
por Walnice Nogueira Galvão
Os 500 anos da morte do grande pintor foram alvo de muitas celebrações,  a mais visível sendo a do Museu do Prado, em Madri, esplêndida pinacoteca que disputa fácil a palma de melhor do mundo. Sua proeminência depende, como costuma ser o caso, do número de anos que a potência ocupou outros países e se fartou de pilhá-los, arrebatando seus tesouros para a metrópole. O Prado é um desses casos, oferecendo ao visitante um resumo da história do mundo e do imperialismo.
Talvez já se tenha perdido de vista o quanto a Espanha foi opulenta e poderosa no passado, mas o acervo do Prado refresca a memória. Pois é lá que, entre outras coisas, existe uma coleção extraordinária da chamada pintura flamenga, aquela que foi produzida na Holanda e na Flandres belga, sendo divergente da pintura renascentista que iria predominar na Itália e a partir dali no resto do mundo. Nada de formas arredondadas e amplas, perspectivas que se desenrolam, temas elevados, cunho majestoso e até monumental, bem mediterrâneo - características da pintura italiana. Na flamenga tudo é mais gótico, angular e rígido, com laivos nórdicos, bem como miudamente verista e menos grandioso. A fidelidade  ao realismo mais chão é sobretudo burguesa, já que esses países são burgueses avant-la-letre.
(continua em "mais Informações")

domingo, 6 de novembro de 2016

um olhar sobre a mostra internacional de cinema de são paulo

A Mostra deste ano trouxe reflexões sobre o mundo que vivemos. Pena que, ainda que os espaços das salas sejam sempre muito disputados, essas reflexões acabam ficando concentradas num público que já está previamente interessado e aberto a essas reflexões. Essa Mostra teve claramente um caráter ainda mais político do que costuma ter. Além dos filmes de Bellochio e de Wajda, trouxe muitos dos temas contemporâneos: os conflitos políticos, os refugiados, os esquecidos, as guerras, os cantos do mundo... Tudo aquilo que a grande mídia ocidental evita mostrar e que foram apresentadas, não só nos filmes produzidos em países latino-americanos ou em países como Síria, Iraque, Afeganistão, Irã, Tunísia ou europeus como Polônia (com muitos novos diretores), Grécia, Eslováquia, República Tcheca, Romênia, Bulgária, Islândia, mas em filmes produzidos na França/Bélgica - como "O Caminho para Istambul" - ou mesmo nos EUA - como "Cameraperson" que tratam de questões emergentes de um novo ordenamento mundial, ou ainda filmes coproduzidos entre França/Alemanha/Irã ou Filipinas/Singapura ou Malásia/Filipinas ou Síria/Líbano ou ainda Síria/Iraque que produziram o excelente documento "A Vida na Fronteira" - comentado nos pitacos da mostra mais abaixo - entre muitos outros.
Num mundo em que até as comoções são seletivas - vide as diferenças das coberturas midiáticas de um atentado na Nigéria e outro em Paris -, a Mostra tem um caráter plural de mostrar um mundo sem filtros, além daquele que nos é apresentado. Neste tempo em que a reflexão é tão combatida e substituída pela vida padronizada e comprada, a Mostra é uma pequena boia de salvação.

sábado, 5 de novembro de 2016

neste momento crítico do país, resgatamos "a hora da despedida", por josé castelo

O momento pelo qual passamos é muito preocupante. Acabamos de sofrer um golpe no país e, à reboque, temos visto um insulto às instituições que fomentam a cultura e a formulação do pensamento. Em setembro de 2015, o crítico de literatura José Castelo foi dispensado da sua coluna de literatura "Prosa" que tinha no jornal O Globo.
A mídia, de uma forma geral -e as organizações Globo em particular-, prepara um novo ambiente para os próximos tenebrosos anos que teremos e um dos pontos estratégicos é esse, o de inibir a formulação de pensamentos. Este empório entende por bem recuperar o último texto da coluna de José Castelo, na sua "Hora da despedida" que antecipava este momento que vivemos, mas mantém no seu espaço de "literatura", o link dos arquivos dos seus ótimos textos.

Hora da despedida

POR JOSÉ CASTELLO
Chegou a hora de me despedir de meus leitores. Não é um momento fácil _ nunca é. Mas ele se agrava porque, com o fechamento do "Prosa", incorporado ao "Segundo Caderno", desaparece um último posto de resistência na imprensa do sudeste brasileiro. Os suplementos de literatura e pensamento já não existem mais. Um a um, foram condenados e derrotados pela cegueira e pela insensatez dos novos tempos. Comandado pela vigorosa Manya Millen, o "Prosa" resistia como um último lugar de luta contra a repetição e a dificuldade de pensar com independência. Isso, agora, também acabou.
(continua em "mais informações")

terça-feira, 25 de outubro de 2016

pitacos da mostra 2016

Iniciou-se este semana a 40° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (link), o mais tradicional evento de cinema do Brasil. Estão sendo e serão exibidos mais de 300 filmes de 50 países. Há um forte viés político nesta Mostra com muitos diretores novos mas também com importantes retrospectivas, sobretudo do italino Marco Bellocchio e do polonês Andrzej Wajda, morto recentemente, mas também com a reapresentação do "Decálogo" de Kieslowski, de "Lucio Flávio, o passageiro da agonia", do Babenco e a homenagem dos 50 anos de "Persona" de Bergman.
Os Pitacos da Mostra é uma seção tradicional deste empório ( veja aqui) com comentários (e não necessariamente sinopses) brevíssimos dos filmes que vamos assistindo, neste que é um post dinâmico. ( Aqui todos as postagens do empório relacionadas ao cinema).

Tramontane, de Vatche Boulghourjian ( Líbano/França, 2016) - No mundo contemporâneo, em qualquer lugar dito civilizado, ter um registro de nascimento é a própria representação, ou possibilidade, da vida. Grande filme!

O Homem de Mármore, de Andrzej Wajda ( Polônia, 1976) - A Polônia de Hitler a Stalin. Clássico do diretor polonês que em 2008 fez a continuação com "O Homem de Ferro".

Poesia sem fim, de Alejandro Judorowsky (França/Chile, 2016) - Filme autobiográfico, Judorowsky revê o surreal e o grotesco da sua trajetória antes da chegada à Paris e o encontro com Fernando Arrabal. De perder o fôlego.

Um dia perfeito para voar, de Marc Recha ( Espanha, 2015) - uma pipa que se enrosca sempre nos arbustos. Tentativa de voo.

Aloys, Tobias Nöle ( Suiça/França, 2016) - A solidão cria os seus labirintos. Grande filme, à la David Lynch.

O Sol, o sol me cegou, de Anka Sasnal e Wilheim Sasnal (Polônia/Suiça, 2016) - Não há lugar no mundo. Sempre se é um estrangeiro, conforme já nos demonstrou Camus.

Porto, de Gabe Klinger ( EUA/França/Portugal, 2016 - Pequeno ( 87 min) grande filme. Com um roteiro que brinca com o tempo, uma noite que se instala na memória.

O caminho para Istambul, de Rachid Bouchareb ( Argélia/França/Bélgica, 2016) - Uma cacetada! "Vocês só querem os seus filhos enquanto nós, sírios, estamos morrendo". Uma fotografia terrível do mundo que inventamos.

O Violinista, de Bauddhayan Mukherji (India, 2016) - Um solo inspirado, dois desfechos possíveis. Outro pequeno (72 min) grande filme da ótima cinematografia indiana.

Futuro Perfeito, de Nele Wohlatz (Argentina, 2016) - Somos cada vez mais estrangeiros. Cinema experimental.

Ondas, de Grzegor Zariczny (Polônia, 2016) - A densidade dos desajustes se inicia na família.

Elle, de Paul Verhoeven(França/Alemanha, 2016) - Será que nos diferenciamos pelo grau de monstruosidades que cada um de nós carrega? Isabelle Huppert aceitou um papel de risco ao se associar a um Verhoeven que parece querer se livrar de Hollywood. Para uma França de Truffaut e Simone de Beauvoir, Elle parece como um ser estranho.

Somos todos estrangeiros, de Germano Pereira (Brasil/Síria, 2016) - Somos todos estrangeiros. Cada vez mais estrangeiros.

24 semanas, de Anne Zohra Berrached (Alemanha, 2016) - A questão sempre difícil do aborto e como as diferenças entre um país como Alemanha e outro como o Brasil se fazem presente. Um filme necessário. Infelizmente não pude ver o desfecho do filme, razão pela qual - só para este caso - sugiro a boa crítica de Luiz Santiago .

O Segredo da Câmara Escura, de Kiyoshi Kurosawa (França/Japão/Bélgica, 2016) - A realidade não pode ser fotografada. Uma instigante trama sobrenatural num filme essencialmente francês do japonês Kiyoshi Kurosawa.

David Lynch, a Vida de um Artista, de Rick Barnes (EUA, 2016) - Documentário sobre o enigmático diretor. Com começo, meio e fim.

Gurumbé.Canções de sua Memória Negra, de Miguel Ángel Rosales (Espanha, 2016) - Onde estão os negros de Sevilha?  E o Flamenco, qual a sua origem? Ótimo documentário sobre o tráfico negreiro.

Marie e os Náufragos, de Sebastian Barbeder (França, 2016) - Um escritor (por Eric Cantona. Sim, ele mesmo, Eric Cantona, o ex jogador), um sonâmbulo, um desempregado e ela, Marie ( a linda Vimala Pons). Une authentique comédie française.

Genco, o terrorista, de Esin Tepe ( Turquia, 2016) - . Documentário que trata da absurda condenação de Genco, após as manifestações em Gazi, em Istambul na Turquia. É perigoso viver.

A Vida na Fronteira  (Iraque/Síria, 2015) - A dor pode ser filmada. Não é um filme, é mais do que isso, razão da marcação com o destaque em vermelho. Deveria ser exibido em salas de aula pelo mundo afora. O diretor iraniano de origem curda Bahman Ghobaldi fornece a sua lente a oito crianças refugiadas em Kobani e Shangal na fonteira da Síria com o Iraque, para contarem elas mesmas as suas histórias como codiretoras. O resultado é tão emocionante quanto revoltante.  As crianças são: Basmeh Soleiman, Devlovan Kekha, Diar Omar, Hazem Khodeideh, Mahmod Ahmad, Ronah Ezzadin, Sami Hossein e Zohur Daeid.

Cameraperson, de Kirsten Johnson (EUA, 2016) - Uma câmera que procura imagens, seja na vida familiar, no cotidiano de uma parteira na Nigéria ou, sobretudo, nos horrores do mundo que a mídia ocidentalizada evita falar. Uma colcha de retalhos filmada durante 25 anos. Outro filme importante, num mundo em que até as comoções são seletivas.

Hide, de Mohamed Attia (Tunísia/Bélgica/França, 2016) - Hedi tem que tomar una decisão decisiva na sua vida. Não há dúvida quanto qual a melhor, menos para Hedi.

sábado, 22 de outubro de 2016

debate foucault e chomsky

Na postagem anterior, além do documentário "Requiem for the American Dream", colocamos um link sobre um interessante debate entre Foucault e Chomsky ocorrido em 1971. Naquela ocasião publicamos apenas um pequeno trecho que estava disponível. Colocamos agora o debate na íntegra com legendas em espanhol.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

réquiem para um sonho americano

Noam Chomsky talvez seja hoje quem melhor faça a síntese do mundo que vivemos. Intelectual e ativista das grandes causas desde os anos 60, é a personagem do imprescindível documentário "Requiem for the American Dream" disponível no Netflix e também no Youtube de onde o fisgamos para publicarmos na íntegra logo abaixo. Lembramos ainda que este empório publicou em 2011 um debate entre Focault e Chomsky em 1971 na Holanda. Para ver clique aqui

terça-feira, 11 de outubro de 2016

50 anos ontem à noite - irajá menezes

50 ANOS ONTEM À NOITE
por Irajá Menezes
O cochilo no banco de trás do Fusca foi interrompido quando a voz, já naturalmente tonitruante, se elevou. O motorista parecia agitado: "Airto, pegue o lápis, anote um verso que eu acabei de pensar, senão vou esquecer". No banco do carona, o percussionista do grupo abriu o porta-luvas, encontrou o proverbial papel de embrulho que socorre os poetas longe de casa e tratou de registrar as redondilhas que Geraldo, mãos no volante, lhe ditava: prepare o seu coração... pras coisas que eu vou contar... eu venho lá do sertão... e posso não lhe agradar.
(continua em "mais informações")

domingo, 9 de outubro de 2016

uma (pequena) análise da conjuntura política

O momento político pelo qual passa o país não pode ser analisado restringindo-se apenas a uma análise sociológica das últimas eleições municipais e nem mesmo a uma análise fragmentada do golpe pelo qual passamos. Os dois episódios estão concatenados com toda uma construção muito bem arquitetada. Em maio último tocamos nesse tema na postagem a construção do golpe com o didático artigo de Maria Inês Nassif.
O último embate dos construtores do golpe desta etapa, não se encerra com a acachapante derrota das esquerdas no último domingo. Há ainda o objetivo central de tirar Lula do páreo e, para isso, as cartas serão jogadas com o baralho marcado que conhecemos. Mas esse é o último embate apenas desta etapa. Os setores conservadores tentarão com este êxito momentâneo que tiveram, sedimentar todo o caminho que os trouxeram até aqui e, para isso, contarão com o domínio da narrativa, esta que nasce e se perpetua no oligopólio da mídia nacional tão escandalosamente definida por suas escolhas políticas. A outra perna dessa sedimentação é o sistema jurídico que, de certa forma, já no seu nascedouro, fornece mais espaços para que a formação de juízes e desembargadores sejam das classes sociais mais abastadas, resultado da histórica desigualdade social brasileira. Neste momento da nossa história, a chamada "República de Curitiba" é o símbolo mais acabado do corpo jurídico que pretende definir os rumos do país.
Tanto a narrativa quanto as esferas jurídicas que temos, são fruto da ainda distante consolidação da nossa democracia como também dos rescaldos da bipolarização ideológica do mundo, encerrada, ou modificada, com a queda do Muro de Berlim. O que prevalece hoje no mundo é a cultura neoliberal (ou, para alguns, "pós-moderna") que atinge mais intensamente onde há maior vulnerabilidade das condições sociais das populações de países como o Brasil.
Em pelo menos 10 dos últimos 13 anos, o Brasil viveu uma condição de ascensão social que - é a crítica que se faz - criou consumidores mas não criou cidadãos. Mas construir a condição de cidadania demanda um tempo maior do que 10 ou 12 anos. E este tempo maior e necessário foi agora interrompido. Não é muito fácil que o indivíduo mais fragilizado compreenda que na seletividade do mundo neoliberal, ele largará sempre em desvantagem e será responsabilizado pelo seu eventual fracasso. Este campo é o da individualização do sucesso e do fracasso. Mas a cultura do neoliberalismo faz mais do que isso. Ela cria numa camada significativa da sociedade, indivíduos que tem como um bem, a projeção do sonho de consumo dos produtos das classes abastadas e, mais do que isso, o desejo íntimo de ser aquilo que ele não é. Isso talvez explique, em partes, a vitória de João Dória nas periferias de São Paulo. Há toda uma espetacularização arquitetada em torno do consumo. E isso se projeta como poeira em todas as camadas da sociedade.

Guy Debord escreveu o livro "A sociedade do espetáculo" em 1967 e impressiona como o livro é atual. Debord elabora teses onde a constituição da realidade se faz através de espetáculos. Através deles, é possível estabelecer a modificação e inversão de valores em intervenções nos âmbitos da ordenação cultural, econômica, política e social. Diz Debord que "...Toda a vida das sociedades em que dominam as condições modernas de produção aparece como uma imensa acumulação de espetáculos" e, em outro momento "(...) à medida que a necessidade se encontra socialmente sonhada, o sonho torna-se necessário. O espetáculo é o mau sonho da sociedade moderna acorrentada, que finalmente não exprime senão o seu desejo de dormir. O espetáculo é o guardião deste sono".
O espetáculo não cessará. As formas de enfrentá-lo, segundo Debord, devem se basear no enfrentamento da vida moderna. (Achei este interessante e sintético artigo escrito por José Aloise Bahia, que dá mais conta do trajeto pensado por Debord).

Por fim (ou por agora), vivemos um momento histórico em que penso ser imprescindível que as esquerdas tenham uma nova compreensão. Engana-se quem pense que o ataque dos setores conservadores - que se sintetiza no convênio jurídico-midiático -, é direcionado ao PT. É mais do que isso. Ele é direcionado, não tenhamos dúvidas, às esquerdas de uma maneira geral. No que se refere ao PT, é cortar a árvore. No que se refere ao Psol, por exemplo, é cortar o "mal" pela raiz. Essa compreensão é fundamental para que as esquerdas não sejam engolidas pelo buraco negro fabricado por esse convênio. A união das esquerdas é, mais do que um fundamento, uma razão (pós) moderna de existência.


domingo, 25 de setembro de 2016

expedito em busca de outros nortes

O documentário Expedito em busca de outros nortes trata da questão da terra no sul do Pará. Mas é mais do que isso. Ao falar da questão agrária ele fala de todas as questões da relação de poder. Ao falar do sul do Pará ele está falando de todo o Brasil e também da América Latina. Expedito, o agricultor poeta, foi apenas mais uma das centenas de vítimas assassinadas. Entre 1985 e 2013 foram 645 vítimas no conflito do campo só na região do sul do Pará. São mais de mil somando com outras regiões.
Neste momento em que a democracia do país sofre um golpe e em que um judiciário seletivo volta a ganhar força, este documentário dirigido por Aída Marques e Beto Novaes é necessário.

domingo, 18 de setembro de 2016

ópera-bufa

A ópera-bufa, um gênero teatral italiano já percebido lá pela metade do século 18, em que os atores variam as suas interpretações cênicas entre uma espécie de cômico rasgado e o cômico dramático, foi atualizado esta semana por jovens procuradores do Ministério Público Federal aqui no Brasil. Os meninos viraram sucesso nacional. Desempenharam a arte do malabarismo contorcionista e tentaram encaixar peças que não cabiam nos compartimentos preparados. O que se encaixa perfeitamente para o episódio, é a velha expressão “seria cômico se não fosse trágico”.

Bom, tudo isso porque o estágio do golpe agora segue para a cartada final: tirar o ex-presidente Lula do páreo para a próxima eleição e, mais do que isso, desconstruir a sua imagem e colocar no lugar uma outra, carrancuda, sinistra, criminosa.

Seria mais fácil se o ex-presidente fosse outra pessoa. Em 21 de agosto aqui, fizemos uma exercício de imaginação. O golpe na presidenta eleita ainda não havia recebido a sua martelada fatal mas o exercício de imaginação já estava lá. Pousamos nele, agora, apenas um helicóptero para compor melhor a cena.

domingo, 4 de setembro de 2016

a radiografia do golpe, por jessé de souza e o "puteiro" radiografado por cazuza

O sociólogo Jessé de Souza faz uma importante radiografia do golpe em entrevista à Paulo Henrique Amorim. Complementando esta postagem, Cazuza, citado por Jessé de Souza, por conta da frase "...transformam o país inteiro num puteiro pois assim se ganha mais dinheiro...".


três repúblicas de bananas

Não há mais espaço para golpes militares na América Latina. Os golpes agora mudaram de forma ( como já antecipava este empório em 2012 no artigo o risco que corremos ). Os golpes agora têm uma capa de constitucionalidade, conveniando o aparato jurídico/político com a mídia oligopolizada que cria uma narrativa publicitária visando o convencimento de que se trata de um processo democrático. Na época dos golpes militares, os países vitimados eram chamados de "República de Banana". Muita coisa mudou no mundo, mas na América Latina, tais repúblicas permanecem.
Manuel Zelaya, presidente de Honduras
golpeado em 2009. Nesta transição dos golpes,
os militares ainda tiveram uma participação.

Fernando Lugo, presidente do Paraguai,
golpeado em 2012, já com a participação
do Senado.

Presidenta Dilma Rousseff, golpeada em
2016.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

luto

















!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

tribunal de exceção

Durante todo o dia, neste momento e até não sabemos a que horas, o senado brasileiro está recebendo uma aula múltipla. Nela, a ré e professora, discorre sobre democracia, geopolítica, economia, história, administração pública e, sobretudo, dignidade. Muitos alunos, deliberadamente, faltaram à aula. Outros, abandonaram o plenário. Outros ainda, presentes, tapam os ouvidos.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

24 de agosto

Há exatos 62 anos Getúlio Vargas se matou, culminando com uma enorme crise política arquitetada, algo muito parecido com o que estamos vivendo hoje. Este empório já tratou do tema em duas oportunidades. Para rever clique aqui

domingo, 21 de agosto de 2016

exercício de imaginação

O convênio jurídico-midiático-oposicionista aguarda a decisão final sobre o mandato da presidenta Dilma Roussef, e, enquanto isso, segue firme com o grande plano de inviabilizar uma futura candidatura do ex-presidente Lula. E todos os esforços estarão concentrados não apenas para colocar a sua candidatura na condição de inelegibilidade, mas, sobretudo,
para colocá-lo na prisão, criando o "registro imagético" - como já nos ensinou Guy Debord no atualíssimo livro "Sociedade do Espetáculo" de 1967 -.  As lentes midiáticas já estão prontas à espera da cena. O criminoso já foi identificado. Basta agora encontrar um crime.
Seria tudo muito mais simples se fosse o ex-presidente que estivesse envolvido em algumas dessas situações que este empório, num exercício de imaginação, recorda. Exercitemos, assim,  com sinais trocados, a nossa imaginação:

  • Empresa de concessão pública paga mensalidade de amante de Lula que vive na Europa.
  • Irmã de ex-amante de Lula é funcionária fantasma em gabinete de senador do PT.
  • Camargo Corrêa constrói pista de pouso ao lado de fazenda de Lula em Buritis. Pista só é usada pela família do presidente.
  • Filha de Lula é sócia do homem mais rico do país.
  • Dona de empresa de e-commerce em sociedade com irmã de Daniel Dantas, filha de Lula expôs dados bancários de 60 milhões de brasileiros.
  • Após processo de privatização do setor petroquímico, filho de Lula vira sócio de offshore sediada no Panamá.
  • Lula tem agropecuária em sociedade com seus filhos em Osasco, cidade sem área rural.
  • Filho de Lula, homem da Disney no Brasil, é proprietário de rádio em São Paulo.
  • Helicóptero da família de Lula é apreendido com 450 Kg de cocaína.
  • Primo de Lula controla quem pode entrar no aeroporto próximo a fazenda do ex-presidente.
  • Deputados confirmam terem recebidos quantia para votarem a favor da emenda da reeleição de Lula.
Alguns links:
negócios de família
se fosse filha do Lula
delação
fazenda em osasco
disneylandia
em são conrado
outro

terça-feira, 2 de agosto de 2016

domingo, 31 de julho de 2016

domingo, 24 de julho de 2016

o embuste da folha

A capacidade de manipulação dos fatos da mídia brasileira não tem limites. A mais recente desfaçatez - escandalosa desfaçatez - cabe à Folha de São Paulo. . Não é necessário alongar este preâmbulo. Tudo está esmiuçado neste artigo  do The Intercept do premiado jornalista Glenn Greenwald e no post abaixo de Fernando Brito no Tijolaço. O que talvez a Folha não esperasse é que haveria uma repercussão internacional


·        Dados de pesquisa ocultados pela Folha mostram que a grande maioria dos eleitores quer a renúncia de Temer, o que contradiz categoricamente a matéria da Folha
·        62% dos brasileiros querem a renúncia de Dilma e Temer, e a realização de novas eleições: ao contrário dos 3% inicialmente mencionados pela Folha
·        Dados cruciais da pesquisa foram publicados e, em seguida, retirados do ar pelo datafolha: encontrados por portal brasileiro
·        Resposta do Diretor Executivo da Folha de São Paulo de que os dados ocultados não eram “jornalisticamente relevantes” não resiste a análise
NA QUARTA-FEIRA (20), a Intercept publicou um artigo documentando a incrível “fraude jornalística” cometida pelo maior jornal do país, Folha de São Paulo, contendo uma interpretação extremamente distorcida das respostas dos eleitores à pesquisa sobre a crise política atual. Mais especificamente, aFolha – em uma manchete que chocou grande parte do país – alegava que 50% dos brasileiros desejavam que o presidente interino, e extremamente impopular, Michel Temer, concluísse o mandato de Dilma e continuasse como presidente até 2018, enquanto apenas 3% do eleitorado era favorável a novas eleições, e apenas 4% desejava que Dilma e Temer renunciassem. Isso estava em flagrante desacordo com pesquisas anteriores que mostravam expressivas maiorias em oposição a Temer e favoráveis a novas eleições. Conforme escrevemos, os dados da pesquisa – somente publicados dois dias depois pelo instituto de pesquisa da Folha – estavam longe de confirmar tais alegações.
( continua em "mais informações")

sábado, 23 de julho de 2016

o embuste da folha 2

A Folha, Greenwald, e o acaso que fez o Tijolaço desmontar a farsa da pesquisa

Até ontem, os resultados incongruentes do Datafolha, a mim e em muitos, provocavam estranhamento, mas não tínhamos de  onde puxar o fio.
Quem “peitou” mesmo os resultados da pesquisa foram o Glenn Greenwald e o Erick Dau, que publicaram, sem meias palavras, que a pesquisa Datafolha estava sendo usada de forma fraudulenta.
E quando um jornalista lê algo corajoso assim deve – ou deveria – ficar com todas as antenas ligadas.
Foi o que aconteceu hoje, quando um amigo enviou-me o link dos questionários do Datafolha, enfim publicados no site do instituto.
( continua em "mais informações" )

segunda-feira, 18 de julho de 2016

agenda de cinema

Desta vez apenas sinopses (oficiais) de quatro  bons filmes em cartaz em São Paulo.

Os Campos Voltarão

OS CAMPOS VOLTARÃO

Um grupo de soldados enfrenta uma série de dificuldades no front italiano, após os sangrentos combates em Altipiano, nordeste do país, em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. A história se passa durante uma noite, na qual os acontecimentos se sucedem sem um padrão definido: as calmas montanhas podem se tornar um lugar onde os homens morrem. Mas todas as histórias contadas pelo filme são reais.
Direção e roteiro: Ermanno Olmi

As Montanhas se separam

China, final de 1999. Tao, uma jovem de Fenyang é cobiçada pelos seus dois amigos de infância, Zang e Lianzi. Zang é proprietário de um posto de gasolina e tem um futuro promissor, enquanto Liang trabalha em uma mina de carvão. No coração dos dois homens, Tao terá de fazer uma escolha que determina o seu destino e o futuro de seu filho, Dollar. Um século depois, entre uma China em profunda mutação e uma Austrália com a promessa de uma vida melhor, esperanças, amores e desilusões, esses personagens irão encontrar os seus caminhos.


Julieta

Julieta vive em Madri com sua filha Antía. Ambas sofrem em silêncio por conta da perda de Xoan, pai de Antía e marido de Julieta. Mas, quando a dor não aproxima as pessoas, ela separa. Quando Antía completa dezoito anos, ela abandona a mãe sem dar explicações. Julieta procura por ela de todas as maneiras, mas apenas descobre o quão pouco conhece sobre sua filha. Julieta fala sobre a luta de uma mãe que vive uma incerteza. Mas fala também sobre destino, complexo de culpa e o mistério que nos leva a abandonar pessoas que amamos, a deletar pessoas de nossas vidas como se elas nunca tivessem representado nada, como se elas nunca tivessem existido.
Janis Joplin: Little Girl Blue
Ela criou um lugar para as mulheres no mundo do rock. Ela foi a pioneira. Seu nome: Janis Joplin. A garota branca com uma voz feroz, com soul, que invadiu a cena musical dominado pelos homens. Nascida em uma pequena cidade do Texas, Janis, que morreu em 1970, aos 27 anos, ganha agora um documentário que revela a história de um ícone, uma mulher em uma América ultra-conservadora, lutando contra seus demônios interiores e vícios, e que em apenas poucos anos de carreira marcou para sempre a história do rock and roll.



sexta-feira, 27 de maio de 2016

antonio cândido fala de guimarães rosa

Um intervalo no golpe para uma boa prosa com Antonio Cândido, só para esquecermos, por alguns instantes, a estupidez humana.

terça-feira, 24 de maio de 2016

golpe: o monstro de três cabeças

O vazamento das conversas de Sérgio Machado e Romero Jucá escancara aquilo que todos já sabiam: primeiro que houve de fato um golpe e que o golpe não é apenas resultado do binômio entre oposição e o oligopólio midiático. O golpe contou com o seu terceiro e fundamental elemento: o aparato jurídico do país. O golpe é como como Cérbero, o monstruoso cachorro de três cabeças da mitologia grega.
A PGR e o STF tinham conhecimento das gravações das conversas desde março e sabiam, portanto, do desvio de finalidade do impeachment, como bem aponta o Nassif , e nada fizeram. O STF também teve a oportunidade de colocar ordem no país três dias antes do circo de horrores ocorrido no dia 17 de abril embaixo da lona armada no Congresso Nacional e resolveu enfiar a cabeça no buraco cavado no assoalho da corte magistral.
Agora, mesmo num momento absolutamente surreal da nossa cena política atual, o Brasil estaria inaugurando para o mundo, o movimento do hipersurrealismo, se essa bomba atômica for transformada em uma biribinha. Não podemos nunca subestimar, entretanto, capacidade de articulação dos arquitetos do golpe, sobretudo pelo fato de terem o apoio da incrível capacidade de construção de uma narrativa muito peculiar dos donos da comunicação do país.

Além do link do Nassif acima destacamos o artigo do jornalista Glenn Greenwald no intercept, de Kiko Nogueira no DCM e de Paulo Moreira Leite no 247.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

"apocalipse do jornalismo"

A jornalista Vera Guimarães teve uma oportunidade única. Ela foi ombudsman da Folha de São Paulo entre maio de 2014 e abril de 2015. (Este empório publicou um artigo em 21 de fevereiro deste ano sobre o jornal e também sobre a ombudsman. Pode ser lido aqui).
Este foi um período que ficará marcado como um dos mais tenebrosos na história do nosso jornalismo. Um período em que alguns dos mais elementares princípios da ética jornalistica foram olimpicamente desrespeitados em favor de uma campanha que tinha como objetivo a derrubada de um governo. Vera Guimarães teve, assim, farto material para apontar esse desvirtuamento do nosso jornalismo mas optou pela omissão, por críticas sobre assuntos periféricos, ou, muitas vezes, pela defesa do jornal. A tarefa hoje cabe à Paula Cesarino Costa que está na Folha desde 1987. Vamos aguardar.
Mas esta postagem tem o objetivo de reproduzir o artigo do jornalista Mário Vitor Santos que foi, este sim, um dos maiores ombudsmans que passaram pela Folha. O texto é devastador e imperdível para quem queira analisar o nosso jornalismo tupiniquim. Foi publicado na Folha na seção Tendências/Debates no dia 18/05. Vamos a ele.

Apocalipse do jornalismo
 A ruptura institucional em via de ser completada no Brasil é resultado direto da degradação do jornalismo posto em prática por quase todos os meios de comunicação no país. Os cuidados éticos foram sacrificados a tal ponto que o jornalismo promove a derrubada de uma presidente até agora considerada honesta.
Jornalismo deve informar os fatos de pontos de vista diferentes e contrários, encarnar ideias em disputa, canalizar o entrechoque de versões, sublimar antagonismos.
Veículos brasileiros, ao contrário, quase todos em dificuldades financeiras e assediados pelos novos hábitos do público, uniram esforços na defesa de uma ideia única. Compactaram-se em exageros, catastrofismo e idiossincrasias. Agruparam-se de um lado só da balança, fortes para nocautear um governo, mas fracos para manter sua própria razão de existir, a autonomia.
(continua em "mais informações")