domingo, 25 de setembro de 2016

expedito em busca de outros nortes

O documentário Expedito em busca de outros nortes trata da questão da terra no sul do Pará. Mas é mais do que isso. Ao falar da questão agrária ele fala de todas as questões da relação de poder. Ao falar do sul do Pará ele está falando de todo o Brasil e também da América Latina. Expedito, o agricultor poeta, foi apenas mais uma das centenas de vítimas assassinadas. Entre 1985 e 2013 foram 645 vítimas no conflito do campo só na região do sul do Pará. São mais de mil somando com outras regiões.
Neste momento em que a democracia do país sofre um golpe e em que um judiciário seletivo volta a ganhar força, este documentário dirigido por Aída Marques e Beto Novaes é necessário.

domingo, 18 de setembro de 2016

ópera-bufa

A ópera-bufa, um gênero teatral italiano já percebido lá pela metade do século 18, em que os atores variavam as suas interpretações cênicas entre uma espécie de cômico rasgado e o cômico dramático, foi atualizado esta semana por jovens procuradores do Ministério Público Federal aqui no Brasil. Os meninos viraram sucesso nacional. Desempenharam a arte do malabarismo contorcionista e tentaram encaixar peças que não cabiam nos compartimentos preparados. O que se encaixa perfeitamente para o episódio, é a velha expressão “seria cômico se não fosse trágico”.

Bom, tudo isso porque o estágio do golpe agora segue para a cartada final: tirar o ex-presidente Lula do páreo para a próxima eleição e, mais do que isso, desconstruir a sua imagem e colocar no lugar uma outra, carrancuda, sinistra, criminosa.

Seria mais fácil se o ex-presidente fosse outra pessoa. Em 21 de agosto aqui, fizemos uma exercício de imaginação. O golpe na presidenta eleita ainda não havia recebido a sua martelada fatal mas o exercício de imaginação já estava lá. Pousamos nele, agora, apenas um helicóptero para compor melhor a cena.

domingo, 4 de setembro de 2016

a radiografia do golpe, por jessé de souza e o "puteiro" radiografado por cazuza

O sociólogo Jessé de Souza faz uma importante radiografia do golpe em entrevista à Paulo Henrique Amorim. Complementando esta postagem, Cazuza, citado por Jessé de Souza, por conta da frase "...transformam o país inteiro num puteiro pois assim se ganha mais dinheiro...".


três repúblicas de bananas

Não há mais espaço para golpes militares na América Latina. Os golpes agora mudaram de forma ( como já antecipava este empório em 2012 no artigo o risco que corremos ). Os golpes agora têm uma capa de constitucionalidade, conveniando o aparato jurídico/político com a mídia oligopolizada que cria uma narrativa publicitária visando o convencimento de que se trata de um processo democrático. Na época dos golpes militares, os países vitimados eram chamados de "República de Banana". Muita coisa mudou no mundo, mas na América Latina, tais repúblicas permanecem.
Manuel Zelaya, presidente de Honduras
golpeado em 2009. Nesta transição dos golpes,
os militares ainda tiveram uma participação.

Fernando Lugo, presidente do Paraguai,
golpeado em 2012, já com a participação
do Senado.

Presidenta Dilma Rousseff, golpeada em
2016.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016