segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

com tanto ódio disseminado, vale à pena ter raiva de quem tem raiva?

o nosso surrealismo tupiniquim

foto montagem do artista visual sueco Tommy Ingberg, um surrealista contemporâneo

Em 1924 o escritor André Breton foi o principal signatário do primeiro manifesto surrealista. O termo já havia sido cunhado anos antes pelo poeta Guillaume Apolinare. O movimento teve inspiração direta nas investigações dos impulsos oníricos da psicanálise de Sigmund Freud e se estendeu para outras linguagens. Além da literatura, com Breton e Apolinare, alcançou as artes plásticas com Max Ernst, Magritte e Dalí, a fotografia, sobretudo com Man Ray, e o cinema com Buñuel.
O movimento carregava nos seus princípios, a elevação da consciência e a discussão de um novo mundo, através das representações artísticas e estas, a partir das representações do inconsciente. Havia ali, grandes pretensões mas tudo diante de um componente ético.
Muito bem, mas o que isso tem a ver com a nossa questão tupiniquim?

Como muitos termos, o "surrealismo" foi perdendo a sua conceituação original, se adequando às situações que pareciam fora da ordem, ou que estavam além do real ou algo como uma loucura excessiva. Se nos basearmos nesses novos modos de entender o "surreal", esses conceitos acobertam sem problemas semânticos o que vemos hoje no cenário político-midiático brasileiro, mas extrapolariam qualquer um dos sonhos, ou pesadelos, representados pelos artistas surrealistas.
Buñuel não conseguiria roteirizar - sem se perder pelo caminho - um enredo em que um presidente de um parlamento qualquer, envolvido em algumas das mais escandalosas evidências de corrupção, faz uma chantagem pública, escancarada, desavergonhada contra a instituição da presidência da república de um país que alcançou uma importância de relevância econômica e diplomática no cenário mundial, e a mídia, simplesmente, camufla a chantagem, tergiversa, finge que não é com ela, porque, de uma maneira insana, irascível, burra, seguiu lubrificando todos os mecanismos da fábrica da crise política que alimenta outra crise, a econômica, esta que afeta indistintamente a todos.  É como botar fogo no circo porque você não gosta do domador ( ou  domadora ) de animais, estando sentado na platéia.

A presidenta Dilma, afora os erros políticos cometidos, está há um ano na defensiva, sendo empurrada para administrar um fisiologismo que se agiganta em situações como a que vivemos, e tendo que lidar com uma crise fabricada que não lhe deu um minuto de descanso.
Um ano de um terceiro turno inconsequente que parece interminável e que os seus agentes querem levar até 2018, quando teremos novas eleições.

Tivemos um ano, portanto, surreal, quebrado agora no seu final pelo STF, que antes do seu recesso, pintou um quadro menos enigmático alterando o rito do processo do impeachment deixando a decisão para o senado, quem sabe, para depois do carnaval.

Em um cenário surreal como esse, há sempre os aproveitadores e os rescaldos da mídia são lambidos pela oposição que para tentar ganhar uma eleição que perderam, demonstraram que estavam e estão dispostos a qualquer negócio. Mas, talvez, a pior cena que vimos no ano, foi a disseminação do ódio e a abertura da porta do armário que acomodava sonolento um pesadelo. O fascismo, completamente desavergonhado, saiu do armário.

os ignorantes do leblon, por gregorio duvivier


Gregorio Duvivier
Nunca aprendi a rezar o Pai Nosso. Comemorávamos Natal só porque é aniversário da minha mãe. Celebrávamos a Páscoa, mas confesso com bastante vergonha que não faço ideia do que significa. Sim, sei que tem a ver com Jesus. Mas não sei qual era a relação dele com o coelho, e nem por que raios esse coelho põe ovos, e por que diabos são de chocolate.
O mais perto que tinha de religião lá em casa era a música: meus pais só veneravam deuses que soubessem tocar. Ninguém rezava antes de comer, mas minha mãe botava a gente pra dormir religiosamente cantando Noel e acordava cantando Cartola. Meu pai passava o dia no sax tocando Pixinguinha e a noite no piano tocando Nazareth. Música não era um pano de fundo, era o caminho, a verdade, a vida. Tom era o Pai, Chico, o Filho, Caetano, o Espírito Santo.
Podia falar os palavrões que eu quisesse, mas ai de mim se ousasse tocar violão com acordes simplificados. "A pessoa que fez esse arranjo devia ir presa", dizia minha mãe. Preferiam me ver pichando muros a me ver batucando atravessado. Quando descobriram que eu fumava maconha, meus pais me disseram que não tinha nada de errado, desde que eu só fumasse em casa. Quando eu comprei um CD do LS Jack, disseram que não tinha nada de errado, desde que eu nunca ouvisse aquilo em casa.
Às vezes organizavam um sarau que parecia missa. "Silêncio, que se vai cantar o fado", dizia a Luciana Rabello, e daí tocavam choro como quem reza. Todos se calavam como numa igreja. A criança que abrisse o bico tomava logo um tabefe. Aquilo era sagrado. Pra mim, ainda é.
Herdei deles a devoção (sem herdar, no entanto, o talento para a música). Às vezes queria me importar menos com isso. Quando vejo as agressões ao Chico –e não estou falando do bate-boca na calçada, mas da campanha difamatória da qual os ignorantes do Leblon são meros leitores–, para mim é como se chutassem uma santa ou rasgassem a Torá. Como sou a favor da liberdade total de expressão, inclusive quando ela fere o sagrado dos outros, limito-me a torcer para que passem a eternidade ouvindo Lobão e Fábio Jr., intercalados com discursos do Alexandre Frota e Cunha tocando bateria. Uma coisa é certa: a oposição e sua trilha sonora se merecem. 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

o novo velho masp

A foto abaixo da sala principal do Masp do jeito como Lina a idealizou e que agora está de volta. Em outra postagem ( aqui ) comentamos.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

artigo de luciano martins costa, revista brasileiros


O mito da imprensa democrática
É certo que a justificativa moral da atividade jornalística sempre foi o pressuposto da objetividade: considera-se que o texto noticioso, bem como a imagem com finalidade informativa, correspondem sempre a interpretações objetivas da realidade. Só que não
Luciano Martins Costa*01/12/2015 7:30, atualizada às 30/11/2015 19:45

link

Os jornais brasileiros de circulação nacional, aqueles que determinam o eixo da agenda pública, encerram o mês de novembro com a mesma pauta que iniciou o ano de 2015. Não se trata da saraivada de denúncias, declarações, vazamentos e revelações factuais sobre fluxos de dinheiro ilegal ligados a campanhas eleitorais. Essa é apenas a espuma do noticiário e dificilmente saberemos em que os fatos atuais se diferenciam do histórico da corrupção, a não ser pela evidência de que alguns atores estão sendo responsabilizados.
O que a chamada imprensa tradicional do Brasil está produzindo é um projeto recorrente na política nacional, que se associa em ampla escala ao contexto do continente e, em menor grau, se relaciona também com o cenário internacional. Trata-se do programa de desconstrução de políticas que, no longo prazo, poderiam consolidar o ensaio de mobilidade social observado nos últimos anos em boa parte da América do Sul.
(continua em "mais informações")

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

globo demite sidney rezende e confirma, sem constrangimentos, que faz oposição ao governo antes de fazer jornalismo

O jornalista Sidney Rezende foi demitido depois de 18 anos de Globo/GloboNews. A razão foi o sincero e óbvio comentário feito no seu blog  sobre a postura da mídia, de um modo geral, não muito diferente do que disse Viviane Mosé em postagem deste empório em 2 de setembro. O comentário de Rezende foi no dia 12/11. Já no dia 13 Ali Kamel  deu-lhe um chute nos fundilhos, sem alardes.

Veja (clicando em "mais informações") o que disse Sidney Rezende.

sábado, 24 de outubro de 2015

pitacos da mostra 2015

Como já fizemos em duas Mostras ( ver links na postagem anterior) faremos comentários rápidos dos filmes assistidos.

Meu amigo hindu, de Hector Babenco (Brasil) – autobiográfico egocêntrico falado em inglês, ainda que rodado em São Paulo. Babenco já esteve melhor.
Vovó esta dançando na mesa, de Hanna Sköld (Suécia) – O nome sugere um filme leve, talvez até humorístico. Que nada! Denso e incômodo em bons roteiro e direção.
Sob nuvens elétricas, de Alexei German (Rússia) – Tradição do cinema russo. Dividido em capítulos o filme carrega o peso de um mundo sem cor e sem futuro. Em mais de 2 horas, o filme desafia o espectador.
Príncipe, de Sam de Jong (Holanda) – Em toda Mostra há equívocos, não tem jeito! Este filme é um dos maiores.
Chronic, de Michel Franco, roteiro e direção (México/França) – Vencedor de melhor roteiro em Cannes. Um enfermeiro estabelece uma relação grandiosamente humana com seus pacientes terminais. Um atropelamento!
Dheepan, o Refúgio, de Jacques Audiard (França) – Vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Talvez um exagero. Dheepan um ex soldado em Sri Lanka tenta largar a guerra mas a guerra não larga Dheepan.
Olmo e a Gaivota, de Petra Costa e Lea Glob ( Brasil, Dinamarca, Portugal, França, mas é universal) – A diretora queria contar a história de um dia na vida de uma mulher, mas ao descobrir a gravidez da atriz, contou a história da gravidez, envolta por todas as circunstâncias psicológicas. Um pequeno grande filme. Imperdível!
Eva & Leon, de Emile Cherpitel (França) – Água com açúcar. Muita açúcar.
Barash, de Michal Vinik ( Israel) - Conflito árabe-israelense apenas como pano de fundo  para um outro conflito: a questão universal contemporânea da condição urbana que marca  a vida na adolescência. Bom filme com cenas ousadas.
Eisenstein in Guanajuato (ou Que viva México! 10 Dias que Abalaram o México), de Peter Greenaway - Não sei o que deu em Greenaway. Parece que quis ser polêmico. Foi apenas ridículo. Um desrespeito ao cinema.
Imortal, de Hadi Mohaghegh (Irã) - Mohagheh segue a tradição do cinema iraniano, de Kiarostami, Makhmalbaf, Panahi entre outros, em uma história densa entre um avô que busca a morte e o seu neto que tenta evitá-la. Mas é necessário citar Rouzbeh Raiga, o fotógrafo, que faz do filme uma obra-prima da fotografia cinematográfica. Filme para ser publicado em livro.
O Esgrimista, de Klaus Härö ( Estônia, Finlândia, Alemanha) - História real do mestre de esgrima estônio Endel Nelis envolto com as questões do pós guerra. Bom filme mas com história contada de forma enquadrada pela emoção mais fácil.
Desde Allá, de Lorenzo Vigas (Venezuela, México) - A relação homoafetiva do filme não é a questão central, mas, talvez, a relação de poder e o egoísmo. O roteiro escorrega e muito até por se pretender abarcar mais do que o tema pede, gerando  poucas verossimilhanças. Vencedor do Leão de Ouro de Veneza, o filme foi vaiado no festival. Nesse caso, não dá para vaiar a vaia.
Chico - Artista brasileiro, de Miguel Faria Júnior (Brasil) - Bom, o filme é sobre o Chico, então..., bom..., não dá pra perder!
Longo Caminho Rumo ao Norte, de Rémi Chayé (França) - Animação francesa sobre a menina Sasha que segue a trajetória do avô rumo ao Polo Norte. Boa diversão.
Catedrais da Cultura, de seis diretores: Kairim Aïnouz, Michael Glawogger, Wim Wenders, Michael  Madsen, Robert Redford e Margreth Olin (Alemanha, Dinamarca, Áustria, Noruega). Projeto grandioso e inusitado, como as obras arquitetônicas que protagonizam o filme. São as "catedrais da cultura", que, no filme, literalmente falam. Estão representadas pela Filarmônica de Berlim, "um ícone da modernidade"; a Biblioteca Nacional da Rússia, "um reino dos pensamentos"; a Prisão de Halden, "a mais humana do mundo"; o Salk Institute,"o instituto da inovação científica"; a Oslo Opera House, "uma simbiose futurista de arte e vida" e o Centro Pompidou, "uma máquina da cultura moderna". Tudo isso em 3D. Grande obra!
O Culpado, de Gerd Schneider (Alemanha) - Igreja e pedofilia. Temas polêmicos são sempre muito difíceis de serem tratados. Schneider, que quase foi padre antes de virar cineasta, abordou a questão no caráter psicológico e no caráter político e realizou um grande filme. É preciso vê-lo.
A Estreita Faixa Amarela (La Delgada Linea Amarilla), de Celso Garcia (México) - Entre a linha física e a abstrata, aquela que nos separa e nos guia. De um tema aparentemente simples o diretor fez um bom filme mas que quase derrapa no sentimentalismo.
Guerra, de Tobias Lindholm (Dinamarca) - Exércitos são uma das provas que a curta experiência humana não deu certo. Lindholm monta o seu exército no Afeganistão, supostamente para salvar a população civil das mãos do Talebã e humaniza seus soldados. "Há algo de podre no reino da Dinamarca".
Pardais, de Rúnar Rúnarsson, (Islândia, Dinamarca, Croácia) - A vida na adolescência ( e além dela) carrega seus traumas, mesmo na Islândia. O filme violenta a inocência e densifica a sensibilidade. Foi o vencedor da Mostra.
Carta Branca, de Jaceck Lusinski (Polônia) - Filme enxuto, que conta a história real de um carismático professor vivendo o drama da perda da visão. Roteiro bem cuidado e algumas boas sacadas imagéticas, como filmar os cabos de conexão de troleibus elétricos na luz noturna e na luz diurna.
Kaminsk e eu, de Wolfgang Becker (Bélgica, Alemanha) - Becker não dirigia um filme desde 2003 com o aclamado Adeus Lenin. Tanto tempo não enferrujou o diretor alemão. "Kaminsk e eu" tem um ritmo e um vigor que não deixa a trama, quase surreal, se perder. Tomara que o próximo filme não demore tanto.

Pardais, de R

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

mostra internacional de cinema

Hoje tem início a 39º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo ( mostra )o mais antigo e tradicional festival de cinema do Brasil.
Este ano serão apresentados um número grande de filmes premiados em outros festivais. Veja aqui quem são eles, com as respectivas fichas técnicas e trailers. 

Aqui outras postagens em que falamos da Mostra )

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

hamlet e a nossa tragédia

Postamos hoje uma palestra do professor Leandro Karnal. O tema é a peça "Hamlet" de Shakespeare mas vai muito além disso.
A trajetória de tudo que envolve o príncipe Hamlet sintetiza, na fala de Karnal, o mundo como um palco. A palestra de 1h7min (alcança quase 2h a partir da participação do público) aponta para uma interpretação de uma realidade que - apesar dos quase 5 séculos que nos separam do poeta inglês - nos apresenta muito próxima. Destaco três passagens: o tema "corrupção" aos 31:45; o comentário sobre o filme "Relatos Selvagens" a partir do minuto 46:50 e o tema da loucura a partir do 56:25
Boa aula!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

a mídia em debate

Um ótimo debate sobre mídia. São pouco mais de 50 minutos que valem todos eles, mas se quiser um trechinho para um prévia, sugiro a primeira intervenção de Viviane Mosé, que vai do minuto 12 ao 16, mais ou menos.

domingo, 2 de agosto de 2015

as duas versões de "tanto mar"

umberto eco e o jornalismo de esgoto

Em entrevista ao programa Milênio da Globo News, Umberto Eco tratou do jornalismo sujo e, com sutilezas, falou da Globo sem se referir a ela. Do Jornal GGN reproduzimos a entrevista.

Umberto Eco disseca o jornalismo de esgoto para Ilze Scamparini

Sugerido por Percival Maricato
Do Consultor Jurídico
Entrevista concedida pelo semiólogo Umberto Eco à jornalistaIlze Scamparini, para o programaMilênio — um programa de entrevistas, que vai ao ar pelo canal de televisão por assinaturaGloboNews às 23h30 de segunda-feira com repetições às terças-feiras (17h30), quartas-feiras (15h30), quintas-feiras (6h30) e domingos (14h05).
Umberto Eco é um italiano que olha a realidade com óculos especiais. Defini-lo como escritor e crítico literário seria muito pouco. Também seria insuficiente nominá-lo como linguista, esse piemontês de Alexandria, de fama internacional é também filósofo e um ensaísta vivaz. Semiólogo, usa a ciência dos símbolos como um esquema mental. Grande apaixonado pela Idade Média, produziu obras como O Nome da Rosa, de 1980, um suspense filosófico ambientado no ano de 1327, que virou best seller e inspirou um filme com Sean Connery. Estudioso do fenômeno da comunicação, foi um dos primeiros por aqui a falar de linguagem televisiva. Acompanhou o nascimento da televisão italiana e do pensamento americano sobre a TV. Um princípio fundamental da sua narrativa é a suspeita, a desconfiança no que se diz. Umberto Eco põe em discussão qualquer interpretação sobre os fatos. Na sua casa em Milão ele nos mostrou a edição brasileira de Número Zero, o seu último livro que cita histórias da época contemporânea para falar de chantagem, intrigas e de reputações enlameadas dentro da redação de um jornal.
Ilze Scamparini — O senhor acabou de lançar uma espécie de manual do mau jornalismo. Criou uma redação de pretensiosos. Essa ideia vem de onde?
Umberto Eco —
 Há pelo menos, 30 anos que escrevo artigos e ensaios sobre os vícios do jornalismo. Uma visão de dentro, porque também escrevo em um jornal. Então, é um tema familiar para mim.

(segue em "mais informações")


segunda-feira, 27 de julho de 2015

fotos abertas para nathalia watkins

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As fotos acima não são de nenhum país africano. Tão pouco é do Vale do Jequitinhonha, ou do sertão nordestino e, muito menos, de Cuba. São fotos da cidade de São Paulo, a mais rica do país. Poderíamos encher esta postagem com elas. Basta procurá-las na internet. Para aqueles que acham que São Paulo se resume à Higienópolis e Jardins, talvez esta seja a maneira mais fácil de conhecê-la além das suas alamedas floridas.
Mas a jornalista da Veja Nathalia Watkins, por desconhecer a cidade real, se expôs da maneira como poderemos ver no vídeo abaixo, na sua participação no programa Roda Viva ao fazer uma pergunta ao escritor cubano Leonardo Padura.


Sugerimos visita ao DCM para ler o Paulo Nogueira e também o bom artigo de Alberto Benitz publicado no Observatório de Imprensa e destacamos um comentário do leitor do artigo, Silvio Miguel Gomes, que nos informa que "...Após a enorme repercussão do episódio, sobretudo nas redes sociais, a editora do escritor cubano, Ivana Jenkins, revelou em sua conta pessoal no Facebook que Nathalia, ao final do Roda Viva e com as câmeras já desligadas, admitiu que fez apenas 'as perguntas que o Augusto [apresentador do programa] mandou' ". Interessante!

sábado, 4 de julho de 2015

a máquina do mundo

Tirando a poeira das nossas estantes...

A Máquina do Mundo
Carlos Drummond de Andrade

(o poema clicando em "mais informações)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

picasso, miró, kandinsk e muito mais

Guernica, obra de 1937 de Picasso que na exposição do CCBB é apresentado o seu projeto.
Miró
São Paulo é uma cidade marcada por suas inúmeras e diversas contradições. Seja no clima, que pode apresentar mais de uma estação em um único dia, ou nas desavergonhadas diferenças sócio-econômicas escancaradas em cada esquina. Se há um lado em que a cidade mostra a sua face explicitamente conservadora, há um outro em que a apreensão de novos saberes são construídos nas oficinas das Casas de Cultura espalhadas pelas suas periferias. Ao mesmo tempo em que a cidade abarca comportamentos tão pouco citadinos, acolhe outras experiências culturais  com exposições que atraem multidões. É o que acontece mais uma vez este ano.
No que se refere à difusão cultural, São Paulo, em 2015, ao mesmo tempo em que foi palco da destilação do ódio de uma parcela estridente da sua população, sempre instigada pela mídia local, foi e está sendo o ano de revisitações a importantes movimentos da arte no século 20, movimentos que forneceram significativos subsídios para o entendimento deste que foi o século de duas guerras mundias, de novos ordenamentos políticos e de mudanças que estabeleceram uma relação de tempo muito mais rápida.
Nas exposições pela cidade, há uma viagem pelo abstracionismo, pelo dadaísmo, pelo cubismo, pelo surrealismo, pela arte performática. Depois da exposição de Dali, Picasso desembarcou no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), acompanhado do mesmo Dali, de Miró, de Juan Gris, de Antonio Tàpies, de Julio González entre outros. No Centro Cultural Tomie Ohtake, Miró é a estrela única. O russo Kandinsk desembarca em São Paulo no CCBB em julho, com a exposição "Kandinsky: tudo começa num ponto". Uma outra exposição, de caráter performático, já encerrada, deixou a sua marca no ano: a sérvia, por vezes desconcertante, Marina Abramovic esteve no Sesc Pompéia. Já no ano passado, uma outra exposição da japonesa Yayoi Kusama, também performática e também desconcertante, por outros motivos,  levou mais de 500 mil pessoas ao Tomie Ohtake.
Kandinsk
Picasso, Miró e Kandinsk em uma mesma temporada é um privilégio.

Requer-se, agora, para uma boa fruição, uma boa dose de espírito livre.



PS.: sobre filas e exposições fizemos um outra postagem em 2012 aqui / sobre "arte" mais 25 postagens, aqui


O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,ccbb-abre-mostra-com-90-obras-de-picasso-miro-dali-e-outros,1655032

sábado, 16 de maio de 2015

sábado, 18 de abril de 2015

eduardo galeano

muito além das veias abertas da américa latina


Foi-se Eduardo Galeano. O escritor latino-americano se despediu esta semana. O jornalista Lúcio de Castro nos conta aqui um pouco do que viveu com ele.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

mário peixoto, onde a terra acaba

Há algumas figuras que são pouco conhecidas mas cultuadas no seu meio. O cineasta e escritor Mário Peixoto (1908/1992) é uma delas. O seu único filme terminado, "Limite" de 1931, já entrou em muitas listas de melhores filmes do século 20. O seu segundo filme "Onde a Terra Acaba" não foi concluído e o cineasta Sérgio Machado fez o ótimo documentário se utilizando do mesmo nome do filme inacabado de Peixoto e que este Empório tem o prazer de compartilhar. Mário Peixoto tem também uma obra literária que, entre outros livros, se destaca "O inútil de cada um".



Aqui o filme Limite na íntegra.
Aqui  um texto sobre Mário Peixoto.

foi-se manoel de oliveira

Entre "Douro, Faina Fluvial" de 1931 e "O Velho do Restelo", 2014, foram 15 curtas. Entre "Aniki-Bobó" de 1942 e "O Gebo e a Sombra" mais 30 longas além de outros tantos documentários. No dia do lançamento de o "Velho do Restelo", Manoel de Oliveira completava 106 anos de vida. O mais longevo realizador do cinema finalmente descansou.

domingo, 1 de março de 2015

sábado, 28 de fevereiro de 2015

os arcos do bixiga

Martin Javo e André Köhler, professores da EACH-USP, escreveram para a revista de arquitetura Vitruvius, na seção Minha Cidade, artigo sobre a "nova polêmica" da administração Fernando Haddad em São Paulo: os grafites nos Arcos do Bixiga.
Os arcos não foram pintados, razão pela qual o Compresp ( Conselho Municipal de Preservação do Patromônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) liberou as pinturas. O que foram pintados foram os muros de arrimo, que já foram pintados e repintados inúmeras vezes e voltarão a sê-los, já que o grafite é uma arte transitória. A discussão tem, é evidente, fundo político-partidário.
Os ódios fabricados fazem mal à saúde da cidade como já estão fazendo ao país.
O artigo pode ser lido aqui .


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

haruo ohara

Resultado de imagem para haruo ohara
Em vez de falar do fotógrafo japonês Haruo Ohara, que chegou ao Brasil com 18 anos de idade acompanhando da família para trabalhar na lavoura, vamos apresentar algumas das suas fotos e indicar dois sites que retratam a sua trajetória. A página do Instituto Moreira Sales e a da Revista Zum que traz uma matéria citando uma outra matéria, do The New York Times cujo tema foi Ohara e também o ótimo documentário de Rodrigo Grota sobre o fotógrafo nipo-brasileiro.

Outras fotos, clicando em "mais informações".