sábado, 31 de janeiro de 2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

je ne suis pas charlie

A atrocidade do ataque que matou 12 jornalistas do "Charlie Hebdo" ficará na história da humanidade como um crime hediondo. Analisar, entretanto ( e é necessário que se faça um "entretanto"), o atentado, desassociado da construção histórica que o resultou, é fechar os caminhos para a sua compreensão; é construir muros.
A muralha da China, o muro de Berlim, o muro da Faixa de Gaza, foram construções físicas que concretizaram barreiras, cada um para o seu objetivo político determinado. Mas os outros inumeráveis muros não físicos que a geopolítica ao longo deste percurso humano criou, cimentados pelas disputas consequentes das relações de poder e da dominação, são os grandes anteparos formadores das atrocidades que não cessaremos de vivenciar, já que os muros permanecem tão intactos quanto intactas são as suas convicções de poder.

O que levou os dois irmãos ao ato extremo, em defesa de Maomé, não pode ser explicado por uma questão simples de causa e efeito. É muito mais do que isso. Não dá para sermos apenas "Charlie".
Para entendermos ao menos uma "pedrinha" dessa história, compartilho três textos:

Os dois primeiros, duas grandes análises do jornalista Paulo Moreira Leite. Este, escrito no dia posterior ao atentado e este, um artigo que apresenta um contexto histórico que nos oferece algumas lanternas que nos possibilitam caminhar por essas escuras vielas.
O terceiro, reproduzo abaixo, clicando em "mais informações". Trata-se da matéria da jornalista Eliane Trindade da Folha, com uma didática  e imprescindível análise de Alexandra Baldeh Loras, consulesa  da França em São Paulo.