sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

o perigoso momento da apatia



“Estado de alma não suscetível de comoção ou interesse; insensibilidade, indiferença.”
Puxei de um dicionário na internet esta que é a definição mais básica e sintética para isso a que chamamos de “apatia”. Escarafunchando mais um pouco, a palavra tem na sua etimologia a origem grega, “apatheia”, indicativa de “ausência de paixão”. Há ainda outra palavra, também de origem grega, “ataraxia” ( uma certa “ausência de preocupação” ou “imperturbabilidade” ), que mesmo não sendo sinônimas, aparecem muito próximas quando se estuda as escolas filosóficas helenísticas, a estoica, a cética e a epicurista.
Em cada uma dessas escolas, tanto a “apatheia” como a “ataraxia”, são assimiladas de maneiras diferentes, mas todas buscavam o objetivo da felicidade e de uma vida melhor.
A busca do prazer (não qualquer prazer, já que a serenidade deve levar a busca do prazer moderado, que não cause perturbações da alma e do corpo) e a ausência da dor, para Epicuro, e a total ausência do prazer para os estoicos, que devem se resignar com um mundo conforme é estabelecido pela natureza, onde não existe o acaso, valorizando assim, a racionalidade e a aceitação. No caso dos céticos, como não há verdade, não faz sentido se perturbar pelos aspectos externos. A atitude coerente para se afastar da infelicidade, para os céticos, é suspender o juízo e praticar a serenidade. 
Para todas essas definições, a busca de um mundo melhor parte da experimentação individual. Essas escolas helênicas – por volta do século III a.c -  a partir de Epicuro (Epicurismo), Zenão (Estoicos) e Pirro ( Céticos) surgiram a partir da desilusão com o cenário de ruína da polis, que era a estrutura política da antiga Grécia, e dominada naquele momento pelos macedônios. Era o meio do caminho que definiria a mudança da democracia para um regime centralizador e imperialista. Ou seja, depois da Grécia veio Roma.

Pulando 23 séculos e caindo no Brasil, nos deparamos com uma apatia contextualizada ao nosso tempo e espaço, no momento em que passamos muito rapidamente, de um embrionário projeto de democracia para o projeto abortivo deste projeto de democracia.  
As políticas públicas vão sendo substituídas pelas políticas do interesse privado. Os impactos dos desmontes das políticas ambientais, trabalhistas, previdenciárias, da saúde, da educação, da cultura serão enormes. O direcionamento ultraliberal da economia concentrará ainda mais a renda e a precarização do trabalho está sendo paulatinamente consolidada. E todo esse projeto tem como base uma desconstrução dos valores éticos, a institucionalização da imbecilidade, o acirramento do ódio, o ataque ao conhecimento e a ciência, o uso dos aparatos jurídicos para fins de controle de todo esse processo e com o acobertamento da mídia oligopolizada.

E temos assistido a tudo isso da arquibancada. Apaticamente.

E com a apatia vigente, chegaremos em 2022 com a terra arrasada e com as primeiras percepções tardias do tsunami que está se formando. A população chilena só agora, mais de duas décadas depois, está vendo a gigantesca onda que se formou e começou a reagir, abandonando a apatia.

A apatia (apatheia), diagnosticada, e sobretudo a ataraxia da filosofia helenística, tinham o objetivo de uma vida mais plena, alterando o corpo coletivo a partir de uma construção individual. O que temos hoje no Brasil é uma apatia sem a ataraxia. Um abandono da percepção da realidade trágica em que estamos metidos e das suas consequências e, até agora, sem o mecanismo do instinto de reação.

As histórias se repetem – como dizia Marx – a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Dentro da apatia que nos envolve neste momento, temos acatado a tragédia e aceitado a farsa. Ou seja, estamos cultivando o perigo.


terça-feira, 22 de outubro de 2019

pitacos da mostra - 2019


Conforme dissemos na última postagem, tentaremos retomar o nosso tradicional "pitacos da mostra" nessa que é uma postagem dinâmica que será atualizada à medida que novos filmes forem assistidos. O "pitacos" é uma seção tradicional deste empório com comentários ( e não necessariamente sinopses) brevíssimos dos filmes que vamos assistindo.
Neste ano colocaremos também as sinopses oficias da página da Mostra.

(Terminado! Fecho, lá embaixo, com o filme premiado na Mostra, Syster Crasher e a partir dele comento: "
Acho que esse prêmio é indicativo de que esta Mostra esteve longe de ser das melhores. Seria o resultado do momento de tantas incertezas que vivemos no mundo?)

(Ver também 
cinema com pitacos de outros anos e outros textos)

Wasp Network, de Olivier Assayas (França/Brasil/Espanha/Bélgica, 2019) - Filme multinacional realizado a partir do livro "Os Últimos Soldados da Guerra Fria" de Fernando Morais, com presenças de Penélope Cruz, Gael Garcia Bernal e Wagner Moura. Apesar de uma certa quebra de ritmo, temos uma história bem contada. Até Fidel em carne e osso aparece por lá.

http://43.mostra.org/br/filme/10038-WASP-NETWORK )

Devorar, de Carlo Mirabella-Davis (EUA/França, 2019) - Hunter, mulher com um trauma familiar se  depara, após seu casamento, com uma estranha compulsão de engolir objetos. Grande interpretação da atriz Haley Bennett neste drama psicológico não resolvido.

http://43.mostra.org/br/filme/10011-PARTIDA )

Meu nome é Sara, de Steven Orittt (EUA, 2019) - Um equívoco. Imaginem um filme sobre Canudos no sertão nordestino, com atores falando em inglês. Oriitt fez isso para um filme passado na Ucrânia na Segunda Guerra e ainda com um padrão roliudiano. Não deveria estar na Mostra.
http://43.mostra.org/br/filme/9810-MEU-NOME-E-SARA )

Partida, de Caco Ciocler (Brasil, 2019) - Uma viagem quixotesca em busca de uma utopia. O filme só acontece no final quando há o encontro mágico com Mujica.

O Pássaro Pintado, de Václav Marhoul (República Theca, Ucránia Eslováquia, 2019) - A estética da crueldade humana jogada, jorrada, inundada na tela, amenizada pela linda fotografia preto&branco. O grande desafio é permanecer na sala durante as quase três horas de projeção. Não que o filme seja ruim, é que são muitos socos no estômago pelo caminho.
http://43.mostra.org/br/filme/9838-O-PASSARO-PINTADO )

Cavalos Roubados, de Hans Petter Moland ( Noruega/Suécia/Dinamarca, 2019) - Filme memorialístico. Roteiro trabalha muito bem as idas e vindas do tempo. Muito difícil um filme da Escandinávia que não seja bom. Esse é mais um exemplo.
http://43.mostra.org/br/filme/9949-CAVALOS-ROUBADOS )


Gutterbee, de Ulrich Thomsen ( EUA/Dinamarca, 2019) - Um erro eu ter entrado na sala. Acontece, por vezes, na Mostra. Vi que o diretor é dinamarquês e fui levado ao erro. Ele pode ser dinamarquês mas é um autêntico american way of life. Com pouquíssimas pessoas na grande sala do Cine Arte, o diretor estava presente para um debate. Não sei se teria pessoas suficientes para isso. Não conte comigo!

O Dia depois que eu parti, de Nimrod Eldar ( Israeal, 2019) - Trilogia da incomunicabilidade num mesmo filme. A primeira entre o pai e a filha adolescente. A segunda entre judeus e palestinos. A terceira entre o filme e o espectador.
http://43.mostra.org/br/filme/9811-O-DIA-DEPOIS-QUE-EU-PARTIR ) 


Bille, de Inara Kolmane ( Letônia, Repúplica Theca, Lituânia) - O mundo sobre o olhar da talentosa criança Bille, que escolheu se chamar Vizma. Não há a informação na sinopse oficial de que o filme retrata a infância da escritora Vizma Belsevica, prêmio Nobel de Literatura nascida na Letônia. Bom filme para a sessão da tarde.( http://43.mostra.org/br/filme/9773-BILLE )

O Turista Suicida, de Jonas Alexander Arnby (Alemanha, Noruega, Dinamarca, 2019) - Diante da imposição da morte, o duelo entre o real e o imaginário. Grande filme a lá David Lynch.
( Vi o filme de maneira diferente desta crítica: ( 
https://cinemascope.com.br/criticas/o-turista-suicida/ )

http://43.mostra.org/br/filme/9822-O-TURISTA-SUICIDA )

O Carcereiro, de Nima Javidi ( Irã, 2019 ) - Esqueçam Kiarostami, Makhmalbaf, Panahi. Javidi é a nova geração do cinema iraniano e trás com ele uma proposta rítmica diferente. Um novo jeito de contar uma história que ele fez bem com seu carcereiro, nos prendendo o tempo todo.
http://43.mostra.org/br/filme/10026-O-CARCEREIRO )

O Jovem Ahmed, dos irmãos Dardenne, Jean Pierre e Luc ( Bélgica, França, 2019) - Os Dardennes levaram mais um prêmio, desta vez o de melhor direção em Cannes pelo filme. Como sempre, a câmera agitada, acompanhando de perto os passos de Ahmed, um menino vítima do fanatismo que pode levar aos extremos. Bom filme.
http://43.mostra.org/br/filme/9895-O-JOVEM-AHMED )

Ecos, de Rúnar Rúnarsson (Islândia, França, 2019) - Não há um fio condutor. Não há uma história. São pedaços da vida na Islândia. Poderia ser caótico mas não é. A montagem é o filme, razão pela qual informo também o montador: Jacob Secher Schulsinger
http://43.mostra.org/br/filme/9782-ECOS )

Pewpewpew, de Sergey Vasiliev (Suécia, 2019) - Um retrato de uma nova geração que busca na fama um lugar no mundo. Uma espécie de vidas sem rumos em uma distopia. O filme fica entre o estranhamento e o incômodo.
http://43.mostra.org/br/filme/9901-PEWPEWPEW )

O Ritual, de Brendan Walter (Islândia/EUA, 2019) - A Islândia novamente em cena, mas agora uma Islândia mística, bonita e inóspita que recebe Benny, um desenhista estadunidense que perde sua companheira alcoólatra e, em um ritual macabro, acaba a reencontrando. Linhas que não se comunicam.
http://43.mostra.org/br/filme/9952-O-RITUAL )

Viver para cantar, de Johnny Ma (China, 2019) - Trupe de ópera familiar que carrega as histórias e a tradição milenar chinesa, tenta resistir ao envelhecimento, à falta de renovação do seu público e as mudanças da China. Bonito plasticamente mas superficial e um tanto cansativo. Deve entra em cartaz.
http://43.mostra.org/br/filme/9916-VIVER-PARA-CANTAR )

Heróis Nunca Morrem, de Aude Léa Rapin (Bósnia, França, Bélgica, 2019) - Um filme dentro do filme mas não como uma metalinguagem. Somos espectadores de um projeto de filme que vai se desenvolvendo a partir de um absurdo. Neste percurso o filme em construção vai nos levando até um final redentor. Um final que transforma um filme ruim em muito bom.
http://43.mostra.org/br/filme/9788-HEROIS-NUNCA-MORREM )

Synonyms, Nadav Lapid (França, Israel, Alemanha, 2019) - Parece haver um propósito no filme que é estabelecer a desconexão e ruptura do personagem Yoav  já a partir de uma câmera tremida, agitada, nervosa. Não há o fio que estabeleça a condução e os personagens surgem mais no desvínculo que no vínculo. Yoav aparece pelado num apartamento em Paris depois do abandono de uma Israel que ele quer matar e termina no desencontro de uma liberdade que imaginava encontrar. Premiado com o Urso de Ouro e do Prêmio da Crítica de Berlim me pareceu um exagero, ou, pela falta, temos então uma crise de cinematografia.
http://43.mostra.org/br/filme/9825-SYNONYMS )

O Pai, de Kristina Grozeva e Petar Valchanov (Bulgária/Grécia, 2019) - Alguns exageros pelo caminho não comprometem o resultado final. Vale à pena!

http://43.mostra.org/br/filme/9830-O-PAI )

Pertencer, de Burak Çevik (Turquia, Canadá, França, 2019) - Depois de um longuíssimo off, começa o filme. E um ótimo filme. O mais inovador que assisti nesta Mostra até agora. Há uma cena em que a conversa se desenrola com a câmera fixa, focando apenas a mesa com alimentos e as mãos que os manipulam e fica a sensação que é assim mesmo que deveria ser feito, ainda que dessa forma inusitada. Muito bom!

Famyly Romance, de Werner Herzog (EUA, 2019) - Há que se respeitar Herzog, mas este Famyly Romance não atinge a ilusão comercializada do enredo do filme. Uma pena, porque haveria muito pano para manga com o tema proposto, neste mundo cada vez mais envolto pela solidão, pelas aparências e pelas falsificações.
http://43.mostra.org/br/filme/9874-FAMILY-ROMANCE,-LTDA )

A Garota com a Pulseira, de Stéphane Demoustier (França, 2019) - Filme de tribunal. Um bom filme de tribunal.
http://43.mostra.org/br/filme/9832-A-GAROTA-COM-A-PULSEIRA )

Apagada, Miha Mazzini (Eslovênia, Croácia, Sérvia, 2018) - A história parece inverosímel, mas é real e aconteceu como sequelas da guerra de divisão da Iugoslávia no início dos anos 90. Mais um retrato da capacidade ilimitada da estupidez humana. Bom filme.
http://43.mostra.org/br/filme/9936-APAGADA )

Crônica de um Desaparecimento, de Elia Suleiman (Palestina, 1996) -  Filme experimental. Sinceramente, não entendi a proposta e acabei não gostando, mas fiquei curioso para conhecer mais o seu trabalho. Coloco esta crítica da Folha https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/10/autor-personagem-elia-suleiman-mescla-humor-e-politica-em-seu-melhor-filme.shtml

http://43.mostra.org/br/filme/9745-CRONICA-DE-UM-DESAPARECIMENTO )

Sibyl, de Justine Triet (França, Bélgica, 2019) - Uma típica narrativa francesa que envolve a  psicanálise, o indivíduo como criador subjetivo da sua vida e toda a complexidade além do divã. Mas não acerta a mão e o resultado acaba não sendo mais do que um passatempo francês.
http://43.mostra.org/br/filme/9903-SIBYL )

De quem é o sutiã? , de Veit Helmer (Alemanha, 2018) - Não tenho informação, mas Helmer deve ter no mínimo pensado em "O Homem da Linha" do holandês Jos Stelling, filme que venceu o prêmio do público na longínqua 10° Mostra. São filmes diferentes mas o chute inicial parece ser o mesmo. Este "De quem é o sutiã", como em boa parte de "O homem da Linha", não tem diálogo e o enredo se dá entre o absurdo, ou inusitado, e a comédia farsesca. Começa muito promissor mas vai se perdendo pelo caminho.
http://43.mostra.org/br/filme/9954-DE-QUEM-E-O-SUTIA )

Simpathy For The Devil, de Guillaume Fontenay (França, 2019) - Outro filme que retrata a guerra na extinta Iugoslávia. A catástrofe humana se revelou de maneira muito contundente nessa guerra, sobretudo no cerco à Sarajevo a partir da ótica do jornalista Paul Marchand, no filme interpretado por Niels Schneider. Muito bom filme!

Monos, de Alejandro Landes (Alemanha, Argentina, Colômbia,Holanda,Suécia, Uruguai, 2018) - Em 102 minutos o pobre espectador não tem a mínima ideia do que é que está acontecendo. No popular, eu diria que o filme não tem nem pé e nem cabeça. Não tem origem e não tem destino. Achei esta crítica que dá mais conta disso que eu resumi: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-255064/criticas-adorocinema/
http://43.mostra.org/br/filme/10040-MONOS )

Viajante da meia-noite, de Hassan Fazili e também destaque para Emelie Mahdavian pelo roteiro e montagem e da também cineasta Fátima Hussaine (Catar, EUA, Reino Unido, Canadá, 2019) - Documentário simplesmente extraordinário. Aula de cinema. Trata-se de um filme necessário. Filmado por celular, essa saga da família de Hassan e Fátima, nos coloca dentro de um problema central hoje no mundo, que são os refugiados e suas migrações pelo mundo. Deveria entrar em cartaz, mas, infelizmente, acho que não entrará.
http://43.mostra.org/br/filme/9806-VIAJANTE-DA-MEIA-NOITE )

O Paraíso deve ser aqui, de Elia Suleiman (França, Catar, Alemanha, Canadá, Palestina, Turquia, 2019) - O palestino Elia Suleiman dirige e (se) interpreta neste filme de humor sarcástico e críticas sutis. Muito boa pedida.
http://43.mostra.org/br/filme/9789-O-PARAISO-DEVE-SER-AQUI )

Berlim-Jerusalém, de Amos Gitai (França, Israel, Itália, Holanda, Reino Unido, 1989) - O israelense Gitai é um clássico da cinematografia com cerca de 60 filmes, além várias publicações, exposições e uma peça de teatro. Critico da relação que seu país estabelece com a Palestina, viveu muito tempo em um autoexílio. Essa crítica se apresenta em muitas das suas obras. "Berlim-Jerusalém" é um dos seus filmes mais marcantes. Ganhou nesta Mostra o prêmio Leon Cakoff.
http://43.mostra.org/br/filme/1719-BERLIM-JERUSALEM )

A Grande Muralha Verde, de Jared P. Scott (Reino Unido, África - é assim que está no site da Mostra - , 2019) - Uma jornada de Inna Modja, cantora e ativista política de Mali pela região do Sahel, atravessando Senegal, Mali, Nigéria, Niger e Etiópia, 8 mil km, de oeste à leste da África, no ambicioso projeto de uma grande reflorestamento que tem como objetivo o resgate da natureza e consequente abertura de possibilidades para os povos locais. Ainda que ambicioso, um projeto plenamente factível à medida que consiga os recursos necessários. Precioso documentário de uma preciosa Inna Modja.
http://43.mostra.org/br/filme/9835-A-GRANDE-MURALHA-VERDE )

Fotógrafo de Guerra, de Boris Benjamim Bertran (Dinamarca, Finlândia, 2019) - Muito bom documentário sobre o fotógrafo Jan Grarup, que retrata o dilema da profissão com a vida familiar. Lembra um pouco a ficção vivida por Juliette Binoche em Mil Vezes Boa Noite.
http://43.mostra.org/br/filme/9875-FOTOGRAFO-DA-GUERRA )

Fim de Estação, de Elmar Imanov (Azerbaijão, Alemanha, Geórgia, 2019) - Drama vivido em família em que o tosco e o inusitado se apresentam. Não recomendaria.
http://43.mostra.org/br/filme/9783-FIM-DE-ESTACAO )

System Crasher, de Nora Fingscheid (Alemanha, 2019) - Muito difícil falar qualquer coisa desse filme. Há sempre a tensão no ar sobre a próxima ação que fará Benni, a menina de 9 anos incontrolável, interpretada de maneira rara por Helena Zengel. Levou o prêmio do juri da Mostra junto com Dente de Leite que não assisti. Acho que esse prêmio é indicativo de que esta Mostra esteve longe de ser das melhores. Seria o resultado do momento de tantas incertezas que vivemos no mundo?
http://43.mostra.org/br/filme/9826-SYSTEM-CRASHER )

Para fechar os Pitacos do ano, o lamento de não ter visto o documentário da Macedônia Honeyland e abaixo os ganhadores da Mostra:
http://43.mostra.org/br/conteudo/noticias-e-eventos/983

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

43° mostra internacional de cinema


Teve início a 43° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (43.mostra), o mais tradicional e importante evento cinematográfico do país.
Nos últimos anos a Mostra teve como foco central os temas de ordem política, sobretudo aqueles que tratavam das migrações humanas (ver nossas críticas e pitacos anteriores em mostra).
A deste ano, além das obras premiadas nos festivais pelo mundo, o lado político se apresenta através do grande número de produções nacionais que serão apresentados como um caráter de resistência frente aos ataques obscurantistas às artes, à cultura e à educação do governo de extrema direita que governa hoje o país.
Essa resistência foi amplamente apontada por muitos daqueles que discursaram na abertura da Mostra na última quarta-feira no Auditório do Ibirapuera antes da exibição do filme brasileiro (apesar do nome) "Wasp Network", rodado em Cuba e em Miami, dirigido por um francês, Olivier Assayas, uma adaptação do livro "Os Últimos  Soldados da Guerra Fria" de Fernando Morais.
Assayas recebeu o prêmio Leon Kakof e terá uma retrospectiva com 15 dos seus filmes.

Este empório tentará, dentro das possibilidades deste editor, retomar o tradicional "pitacos da mostra".

Boa Mostra!

PS.: O catálogo da Mostra deste ano tem ilustração de Nina Pandolfo

terça-feira, 15 de outubro de 2019

democracia em colapso?

Seminário Internacional Democracia em Colapso?
 O Sesc São Paulo e a editora Boitempo realizam em parceria, o Seminário Internacional Democracia em Colapso?. Em um momento em que a polarização política dita boa parte dos debates atuais na sociedade brasileira, cerca de 50 convidados nacionais e internacionais promovem um amplo debate sobre as origens e as diferentes perspectivas históricas, políticas e sociais que perpassam o conceito de democracia. Curso e ciclo de debates compõe a programação do seminário durante os 5 dias, que contará com a participação de Angela Davis, Michael Löwy, Patricia Hill Collins e Silvia Federici. A conferência de encerramento com Angela Davis, A Liberdade é Uma Luta Constante, será transmitida ao vivo pelo Portal Sesc SP. PROGRAMAÇÃO Curso "A Democracia Pode Ser Assim: História, Formas e Possibilidades" Em quatro aulas, Marilena Chaui, Antonio Carlos Mazzeo, Virgínia Fontes e Luis Felipe Miguel abordam de forma didática as origens do conceito de democracia a partir de diferentes perspectivas. Indo além, ao relacioná-lo com questões históricas, sociais e com formas de organização política, o curso visa apresentar uma abordagem inicial que permitirá balizar as reflexões e discussões da programação de debates e oferecer ferramentas de interpretação e intervenção social. 15/10 | terça 12h – 14 | Aula 1 | História da democracia Com Marilena Chaui. 16/10 | quarta 10h – 12h | Aula 2 | História da democracia na América Latina Com Antonio Carlos Mazzeo. 17/10 | quinta 10h – 12h | Aula 3 | Democracia e revolução Com Virgínia Fontes. 18/10 | sexta 10h – 12h | Aula 4 | Formas de organização política: partidos, sindicatos, movimentos sociais Com Luis Felipe Miguel. Clique aqui para mais informações sobre o Curso. Ciclo de Debates 15/10 | terça 17h – Trabalho e os Limites da Democracia no Brasil Debate com Vladimir Safatle, Ricardo Antunes e Laura Carvalho. Mediação de Bianca Pyl (Le Monde Diplomatique). 20h – Mulheres e Caça às Bruxas Palestra de Silvia Federici, comentários de Bianca Santana. Mediação de Eliane Dias. 16/10 | quarta 14h – Família, Religião e Política Debate com Amanda Palha, Pastor Henrique Vieira e Flávia Biroli. Mediação de Andrea Dip (Agência Pública). 17h – Judicialização da Política e Politização do Judiciário Debate com Alysson Mascaro, Luiz Eduardo Soares e Thula Pires. Mediação de Amanda Audi (The Intercept Brasil). 20h – Feminismo Negro e Política do Empoderamento Palestra de Patricia Hill Collins, comentários de Raquel Barreto. Mediação de Winnie Bueno. 17/10 | quinta 14h – Comunicação e Hegemonia Cultural Debate com Ferréz, Christian Dunker e Esther Solano. Mediação de Claudia Motta (Rede Brasil Atual). 17h – Por Uma Economia Para os 99% Debate com Leda Paulani, Ludmila Costhek Abilio e Eduardo Moreira. Mediação de Juliana Borges (CartaCapital). 20h – Crise da Democracia e Anticapitalismo do Século XXI Debate com Michael Löwy, Sabrina Fernandes e Ruy Braga. Mediação de Débora Baldin. 18/10 | sexta 14h – Educação Contra a Barbárie Debate com Jones Manoel, Aniely Silva e Daniel Cara. Mediação de Tory Oliveira (Revista Nova Escola). 17h – O que Resta da Ditadura? Debate com Maria Rita Kehl, Renan Quinalha e Janaína de Almeida Teles. Mediação de Pedro Venceslau (Estadão). 20h – Jornalismo e Defesa da Democracia Debate com Juca Kfouri (CBN/TVT), Marina Amaral (Agência Pública) e Patricia Campos Mello (Folha de S.Paulo). Mediação de Daniela Pinheiro (Revista Época). 19/10 | sábado 16h – A Liberdade é Uma Luta Constante Conferência de Angela Davis. Mediação de Adriana Ferreira da Silva (Marie Claire Brasil). (Essa conferência terá transmissão ao vivo pelo Portal Sesc SP)