Com muito atraso, soube agora da morte do jornalista Daniel Piza. Que sentimento estranho! Não o conhecia pessoalmente, mas já brigamos. Trocamos vários e-mails em que travávamos discussões, algumas com um tom de acidez e ironia, alguns tons acima do normal. Ele era teimoso, assim como sou, quando me meto numa discussão em que tenho as minhas convicções formadas e, sobretudo, quando tenho um interlocutor que as contrapõe com argumentos fundamentados. Nunca houve um vencedor nessas nossas discussões e, tão pouco acho que um dos dois tenha convencido o outro. Em dado momento, achei que não valia mais a pena. Desisti. Parei de ler as suas colunas e blog faz tempo, mas com a notícia de sua morte, retomei a alguns de seus textos. Pulei os de caráter político, dos quais nunca teríamos qualquer acerto, mas li os de futebol, literatura, música e cinema e percebi, ou lembrei, que haviam assuntos sobre os quais poderíamos ter tido discussões convergentes. A vida é assim: nem sempre enxergamos o que de melhor se apresenta pra gente.
Na sua última postagem, cinco dias antes de morrer, ele discorreu, em tom melancólico e confessional, sobre o natal, de seus presentes e de suas ausências. Reproduzo o texto abaixo.
Daniel Piza, aos 41 anos, deixa mulher e três filhos.
25.dezembro.2011 07:45:18
De presentes e ausências
Nesta época é comum ver, além das retrospectivas, os apelos piegas ao tal espírito natalino, abusos de expressões como “renovar esperanças”, previsões furadas de astrólogos, tarólogos e outros loucos, textos que lamentam onde estão os natais d’antanho, mensagens de boas festas com listas de virtudes. Meu impulso é perguntar por que as pessoas não procuram ser assim o ano todo, e não apenas no solstício que foi apropriado pela religião e pelo folclore para se tornar uma data paradoxal em que se discursa sobre bons sentimentos enquanto se consome em ritmo febril; até mesmo os nacionalistas se calam diante do fato de que a festa não tem cara do calor de 34 graus. E então me ponho a pensar em como generosidade e respeito, para ficar só nesses dois itens, andam em falta nos tempos atuais, especialmente nas grandes cidades, e em como a tecnologia que deveria nos aproximar nos tem dispersado. Mas lembro os Natais de infância, comparo com o dos meus filhos e as diferenças se
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012
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